Alegria e carinho de Ser Mãe: A arte de cuidar ao educar e nutrir.

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O dia a dia da família nutre-se com alegria e carinho pela arte de ser mãe.

Família é grande ou pequena, tradicional ou moderna, criada por casais jovens, ou, mais velhos, e, composta, desde há pouco tempo, também, por mães/pais de um gênero só. Famílias com filhos gerados, adotados, acolhidos de outras uniões, que crescem e aprendem, em conjunto, os variados modos de amar.

Mães, pais, “pães” ou “mãis” são palavras simbólicas, singulares/híbridas, simples/coletivas, que sinalizam o tempo de hoje, quando tudo está mais complexo, as polaridades são complementares, o todo carrega em si as várias partes, a parte traz em si o todo, e, desejamos ser aprendentes/ensinantes, pelo quanto de novo podemos trocar em conhecimento nas redes interativas. (1)

O significado de “mãe” se expressa de vários modos. Muitos comentam, até, que parece mais um “verbo” ou um “coletivo” de muitas ações… As ações que fazem parte desse todo são conhecidas há bastante tempo. Esse fazer é acolhido e realizado por alguém que assume ser mãe. Então, muita coisa nova pode surgir, a partir do velho papel.

Acredito que, o que vou contar a vocês seja novo para muitos, como foi para mim. Escolho a expressão “cuidar com respeito” para anunciar o relato. Comemoro o segundo domingo de maio expondo uma vivência peculiar de nutrir e educar, após uma conversa agradável na qual muito aprendi. Gratidão, Priscilla Pamplona!

Agradeço à amiga Vanessa, que conseguiu o contato, via Skype, junto à Priscilla, 32, casada com Felipe, 39, que criam Ernesto, 2 anos, de um modo não convencional, desde que nasceu. Ao iniciar a entrevista, fico sabendo que ser mãe para ela, foi, e, continua sendo, uma “oportunidade de se reinventar”. Percebo que essa reinvenção realmente ocorre na vida dessa família.

A história bonita de cuidado com respeito à nutrição e à educação é oferecida a você, que já passou pela experiência de ser mãe de pequeninos e pequeninas, que ainda está nessa fase, ou, principalmente, que esteja se preparando para reconhecer seu filho/sua filha, em seus braços, brevemente.

Priscilla conta que precisou aprender coisas novas e também esquecer outras que ainda faziam parte dela. Antes de Ernesto nascer, desejou se preparar diante do novo papel. Desejava vivenciar um parto normal, e, algumas de suas amigas pareciam querer o mesmo, mas, na hora do quase nascimento, a opção vencedora era a cesariana, por escolha da gestante ou do médico. Isso ela não desejava que acontecesse em sua história… Procurou saber sobre o “parto humanizado” e escolheu sua “doula”. (2) A chegada feliz de uma criança, de forma humanizada, ocorreu, conforme o desejo de Priscilla que afirma: “o nascimento é difícil para qualquer um que está nascendo, e, por isso quis assegurar um momento de respeito ao meu filho, desde a chegada entre nós.”

Essa trajetória de cuidado com respeito foi assegurada com a amamentação exclusiva, até os 6 meses, e, prossegue com a amamentação prolongada ainda hoje, após os dois anos feitos em 10 de abril. A amamentação natural é para “respeitá-lo em seu organismo e em sua saúde e somente acabará quando ele se sentir seguro para abandoná-la”, falou a mãe.

Em suas pesquisas/estudos ao preparar-se em ser mãe, Priscilla descobriu um método e aprendeu tudo sobre ele para aplicá-lo numa proposta assumida de que seu filho pudesse “crescer livre e feliz”. O método, localizado em duas matérias aqui indicadas, denomina-se BLW – Baby Led Weaning.

Gill Rapley é do Reino Unido, coautora do livro que nomeou e descreveu o método (3) e o espanhol Carlos Gonzales, um dos pediatras entre muitos que o adotam, em vários países, (4) são as referências em especialistas que Priscilla indica na entrevista. Além deles, cita um canal no Youtube dentro de um portal: “Paizinho, vírgula” (5), criado por um brasileiro que conta sua experiência e traz relatos de mães, e, de outros pais que buscam “uma paternidade mais ativa, plena e afetiva”. O autor assim se apresenta: “Eu sou Thiago, pai, e aqui você encontra textos, vídeos e podcasts sobre criação com apego, disciplina positiva, comunicação não violenta e parentalidade consciente”. Esses são os temas de suporte à proposta de desenvolvimento de Ernesto pela família. A mídia renovadora evidencia que um maior número de pais, no Brasil, vêm assumindo outro tipo de paternidade mais plena e amorosa, pois, antes, eram apenas coadjuvantes no processo de desenvolvimento da criança. Novos tempos já estão sendo alimentados pelas redes de conhecimento. Viva! Avante!

Priscilla explica que, conforme o método BLW, seu filho iniciou a “introdução alimentar” educando-se para “comer, reconhecendo o alimento”, sem passar pela etapa de transição das “papinhas”, como ainda é, geralmente, feito no Brasil. (6) Ela me confidencia (e eu concordo) que “a papinha faz perder a identidade do alimento”. A primeira alimentação, junto à família, foi sentado, sozinho, firme, no alto de sua cadeira, interagindo com a comida em forma natural, sólida, grandes pedaços cozidos sem sal e sem qualquer adição de açúcar refinado, o que é uma constante até hoje na alimentação de Ernesto.

O método, traduzido como “desmame comandado pelo bebê”, sinaliza que a criança está pronta para a introdução alimentar sólida ao sentar-se sozinha, com habilidade de pegar o alimento e levá-lo à boca sem ajuda externa. Estará apta, então, a controlar seus reflexos para mastigar e engolir, sem risco de engasgar que é um dos medos das mães. Comparativamente, com base em Gill Rapley, (7) acrescento que a papinha tem mais risco de levar ao engasgo, principalmente quando há pequenos pedaços de alimento. Distrair e fazer a criança rir durante a refeição também é arriscado, pois pode alterar o ritmo da respiração enquanto engole. Brincadeiras tipo “aviãozinho”, “garagem”… e outras para estimular o bebê a comer, oferecendo colheradas de papinhas, a partir dos 4 meses, não são indicadas. A criança não deve ser forçada a nenhum tipo de comportamento pela vontade do adulto. O bebê vai expressar sua emoção, livremente, em contato com o alimento e a família, durante as refeições. Isso faz parte do desenvolvimento educacional pela “disciplina positiva”.

O contato com a colher e o prato, para livre exploração, aconteceu a partir dos 4/5 meses, quando também chupava o leite materno congelado, que, carinhosamente, era chamado de “tetolé”, usado para aliviar a coceira da chegada dos dentinhos, sempre com independência.

“As frutas, devido ao sabor mais próximo do leite materno que é também adocicado, foram escolhidas para início da introdução alimentar de Ernesto.”.

               

Depois de 11 meses, Priscilla voltou a trabalhar. Marmitas especiais eram preparadas e Ernesto foi para a escola. A escolha, pela família, levou em conta a atenção com a nutrição do pequeno. Hoje, com dois anos, ele continua sem usar açúcar na alimentação. Em casa, o alimento é adoçado com tâmara, mel e uva passa, e, a escola oferece lanches sem glúten, sem lactose, e, as doçuras, somente com açúcar mascavo e mel.

Assim como a Escola, por sua concepção pedagógica e a forma de nutrição adotada, outras parcerias, agora que Ernesto está crescendo e expandindo seu mundo próprio, são essenciais. Priscilla me conta que ele abriu a embalagem e experimentou, curioso, um doce que estava sobre a mesa, aprovando, muito feliz, o sabor. (8)

Ernesto descobrindo delicias saudáveis.

Sendo uma alimentação saudável, que não contem aditivos, farinhas e açúcar refinado, ficou satisfeita pela descoberta/iniciativa dele, assim como em outros momentos, quando a família vibra e registra em fotos (Priscilla também é fotógrafa) os encontros dele com ele mesmo, seja na realidade ou na fantasia. As decisões dos filhos seguem roteiros conhecidos e outros a serem explorados e descobertos por eles, nas várias fases da vida.

Para vivenciar a forma de convívio pretendido, em família, Priscilla relata que precisou superar algumas coisas de sua história passada, tais como uso de chantagem, punição, chinelada, trocando isso pelo que ensina a “disciplina positiva” que é o respeito à criança como ser independente. A concepção de que “criança não entende o que acontece ao seu redor” foi abandonada, pois mesmo quando bebê, ele já escolhia entre opções e se expressava no ambiente com emoções variadas, o que também acontece hoje, quando, além do sorriso, verbaliza: “tô feliz”. “Na disciplina positiva, os limites existem e são claramente estabelecidos, diferentemente dos autoritários, definidos ao bel-prazer de quem impõe. Não há permissividade, mas a educação, assim como a nutrição, é respeitosa”, declara Priscilla.

A primeira infância é o tempo certo para cultivar hábitos de uma vida saudável e de comportamentos de cuidado consigo mesmo e com o ambiente, pois um é parte do outro e os dois, uma unidade. Um exemplo oferecido pela família para evitar desperdícios era comer, perto de Ernesto, a partir dos seis meses, o que ele não escolhia na refeição. Com o tempo, diz a mãe, “ele foi aprendendo a comer de tudo, sem desperdiçar e jogar no chão o alimento.” Outro exemplo que estimula a realização de tentativas é falar e mostrar a ele que todos nós precisamos vencer desafios com esforço e persistência. Priscilla busca superar sua paixão, quase compulsiva, por doces de qualquer tipo. Avante! Viva!

Cuidar, educar e nutrir as crianças que logo mais serão adolescentes, nos conduz a lições diárias, as mais diversificadas, os mais maravilhosos, cansativos e recompensadores momentos de ser mãe. E, ao valorizar e manter uma trajetória atenta e assumida, surge a proposta de expansão e aprofundamento. Assim, Priscilla começou a apoiar novas famílias em busca da maternidade e paternidade conscientes. Ela coordena o grupo Maternar em Itajaí- Santa Catarina (9) onde ocorrem palestras, trocas de informações, relatos de experiências, para atualização do conhecimento.

O grande desafio é equilibrar liberdade com segurança (10) e a magnífica descoberta é que ser mãe é criar sua própria Arte pessoal de harmonização e equilíbrio. Os métodos indicam caminhos e as técnicas são as formas de usar os recursos que temos. Mas, o entendimento e o saber do processo ocorrem pela Arte de Ser Mãe, no cotidiano. A cada dia, é uma obra construída pelo “cuidar com respeito”. Assim é na Nutrição e também na Educação.

Notas de Referências:

  1. http://aempreendedora.com.br/o-ovo-e-o-sonho-nutricao-pelo-conhecimento/
  2. https://brasil.babycenter.com/thread/1068421/doula
  3. http://www.maternamos.com.br/maternamos-entrevista-gill-rapley-autora-do-livro-baby-led-weaning-primeira-entrevista-para-o-brasil/
  4. http://www.maternamos.com.br/maternamos-entrevista-carlos-gonzalez/
  5. https://paizinhovirgula.com/
  6. http://seasmaessoubessem.com.br/2015/08/31/como-comecar-o-blw/,
  7. http://www.maternamos.com.br/maternamos-entrevista-gill-rapley-autora-do-livro-baby-led-weaning-primeira-entrevista-para-o-brasil/
  8. http://aempreendedora.com.br/category/materia-publicitaria/
  9. https://www.facebook.com/search/top/?q=maternar%20itaja%C3%AD
  10. http://aempreendedora.com.br/educacao-duas-ruas-e-uma-esquina/
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Amora Rubra
Corina Ramos é educadora e acredita na educação no sentido amplo, além da escola, junto à cultura e sociedade, numa educação continuada. Professora universitária e consultora no meio escolar, organizações de terceiro setor e empresarial. Tem publicações na área de educação, tecnologia e currículo. É idealizadora de propostas de educação a distância, educação corporativa e educação continuada para professores e profissionais das mais variadas áreas. Participou da cocriação de muitos projetos educacionais, entre os quais: "Perspectivação", uma estratégia curricular de educação executiva empresarial no ISAE/FGV e "Observatório dos Adolescentes" nas escolas públicas e universidades estaduais. É microempreendedora individual, organizando publicações diversas na área da educação. Lançou recentemente, na rede Facebook, usando o codinome de Amora Rubra, o Método das Chaves, sistematizado por ela e aplicado para autoconhecimento e desenvolvimento de competências pessoais para melhor expressão pessoal.

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