Bom humor, piadas, gírias e palavrões

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Há pessoas que confundem autenticidade com grosseria, e adotam comportamentos grosseiros com a desculpa de que estão sendo autênticos – normalmente são aquelas que afirmam ‘não levar desaforo pra casa’! Pessoas agressivas, que mal cumprimentam os colegas, que dificilmente exibem um sorriso, não estão entre as mais agradáveis para se conviver em um ambiente de trabalho.

É desejável ser autêntico, claro. Mas sempre há uma maneira de dizer a verdade sem magoar, criar constrangimentos ou desconfortos. Pessoas que decidem ‘falar umas verdades’ com o dedo em riste perdem a razão exatamente pelo fato de se exaltarem quando deveriam manter o equilíbrio.

Quem não gosta de conviver com pessoas bem-humoradas? Elas elevam o astral do ambiente, descontraem, fazem todos rirem… São muito mais agradáveis do que aqueles que estão sempre ‘de mal com o mundo’, ‘de cara virada’, com ‘cara de poucos amigos’.

Mas há casos – muitos casos! – de pessoas tão bem-humoradas, tão descontraídas, tão brincalhonas, que acabam se tornando inconvenientes no ambiente de trabalho. São aquelas que colocam apelidos em todos, deixando as pessoas constrangidas, que fazem piadas desconcertantes em momentos inadequados, que expressam preconceitos de forma inadvertida. Não raro, essas pessoas são evitadas, deixadas de lado… todos saem de fininho quando ela se aproxima, pois todos temem ser vítimas de suas brincadeiras.

Brincadeira tem limite! É preciso saber o momento de parar. Percebeu que um trocadilho não soou bem, que uma piada foi mal colocada, que uma frase provocou desconforto? Não insista. Tente mudar de assunto com naturalidade. Há pessoas que percebem que já ultrapassaram o limite do tolerável com suas brincadeiras e, mesmo assim, insistem e continuam.

O mesmo acontece com as piadas. Contar piadas é muito arriscado, pois tendemos a adotar um comportamento vulgar e nada condizente com a imagem profissional que pregamos. Quase todas as piadas têm grande cunho preconceituoso. Piadas são contra gays, negros, judeus, mulheres, loiras, advogados, portugueses… não existe piada ‘a favor’, são sempre ‘contra’, por isso sempre podem contrariar alguém.

Há alguns temas especialmente espinhosos na sociedade contemporânea, pois estão em constantes discussões sobre preconceitos, inserção social e justiça. Por isso, temos que ter cuidados especiais quando formos tratar de temas como deficientes físicos, questões raciais, liberdade religiosa e opção sexual. É comum fazerem piadas contra gays e brincadeiras em relação a religiões, mas isso pode provocar muito mais desavenças, desconfortos e constrangimentos do que podemos imaginar.

Certa vez um colega de trabalho apareceu com um colar de miçangas coloridas e outro colega, querendo brincar, perguntou: “O que é isso, conta de macumba?” E o outro respondeu: “Sim, mas nós não chamamos de macumba, e sim de Umbanda. E o nome correto é ponto de Umbanda…”. Criou-se um silêncio constrangedor, o colega tentou descontrair, mas o desconforto permaneceu no ambiente. Todas as religiões enfrentam preconceitos das outras, sejam as afro-brasileiras, as evangélicas tradicionais, as pentecostais, o catolicismo, o judaísmo ou qualquer outra. Mas o importante, nesses casos, é primarmos pela tolerância e respeito.

Muitos de nós já enfrentamos situações de ‘saia justa’ por deixarmos escapar alguma brincadeira preconceituosa. Um vendedor contou que tinha marcado um encontro com um potencial cliente e, quando ele chegou, começaram a conversar amenidades. De repente o rapaz viu passar um menino com trejeitos afeminados e exclamou: “Olha pra esse rapazinho… Um gay! Andando desse jeito na rua… Isso, pra mim, é falta de pulso dos pais!” Ao que o potencial cliente perguntou: “Mas você tem preconceito contra homossexuais?” Ele, todo sem graça: “Não… não tenho preconceito, cada um na sua…” Mas o senhor continuou: “Fui criado de maneira extremamente conservadora, sou militar aposentado… mas um dia meu filho mais velho me confidenciou que é gay. Fiquei desapontado, achei que o mundo ia acabar. Passado o choque, decidi apoiar meu filho. E ele me disse que, mesmo sendo gay, me daria um neto… E aquele rapazinho que você viu passar é o meu neto. Ele também é gay!” O vendedor simplesmente não teve mais como consertar a situação. Não teve outra saída a não ser pedir desculpas. Tudo por causa de uma brincadeira mal colocada.

Mas é claro que não queremos dizer com esses exemplos que não devemos descontrair, brincar, zoar com os colegas de vez em quando. Claro que devemos! Isso faz parte da construção de um ambiente agradável. Vivemos na sociedade do ‘politicamente correto’, em que tudo o que dissermos pode ser usado contra nós. É, muitas vezes, uma sociedade hipócrita, que age com preconceitos velados, mas que prima por discursos vazios e comportamentos mornos. Temos apenas que saber a hora e a forma para brincar e descontrair, sem provocar mágoas e ressentimentos.

Texto adaptado do livro Etiqueta Social e Empresarial, de Adriane Werner – Editora Intersaberes.

1 COMENTÁRIO

  1. Muito bom este texto! Parabéns! Só uma observação é que não se usa mais a expressão “Opção Sexual”, visto que não é uma opção. usa-se o termos “Orientação Sexual” ou “Orientação Afetivo Sexual”. Mas bem legal e gostoso de ler!!
    Um grande abraço!
    Bárbara.

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