Cinema e a Mulher – Mutilação Feminina

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A prática tem raízes nas desigualdades de gênero, em tentativas de controlar a sexualidade da mulher e em ideias sobre pureza, modéstia e estética. É geralmente iniciada e executada por mulheres, que a vêem como motivo de honra e receiam que se não realizarem a intervenção,  as filhas e netas ficarão expostas à exclusão social. Mais de 130 milhões de meninas e jovens foram alvo de mutilação genital nos 29 países onde é mais frequente.

Entre estas, mais de oito milhões foram infibuladas, uma prática que na sua maioria ocorre no Djibuti, Eritreia, Somália e Sudão.

É sobre essa prática que trata o filme, embora o tema central seja as dificuldades encontradas por uma jovem que apesar de tudo, conseguiu superar toda a dor e sofrimento e se tornar uma top model famosa.

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Flor do Deserto (Direção: Sherry Hormann-2009)

Sinopse: Baseado no best seller Desert Flower, é autobiografia da modelo somali Waris Dirie, circuncidada aos cinco anos e vendida para um casamento arranjado aos 13 anos. A garota fugiu, atravessando o deserto por dias até chegar a Mogadishu, capital da Somália, onde passou o resto da adolescência sem ser alfabetizada. Ao trabalhar em um restaurante fast food, foi descoberta pelo fotógrafo Terry Donaldson que a levou para os Estados Unidos, onde se tornou uma modelo mundialmente conhecida, além de ser embaixadora da ONU no combate à mutilação genital feminina.

Ao dar um depoimento em uma entrevista sobre este filme, Waris Dirie conta uma das coisas mais difíceis de sua vida, que foi ter que seguir uma das crenças mais fortes de sua cultura – a circuncisão. Esse ato bárbaro e brutal, conhecida também como mutilação genital feminina, consiste na remoção ritualista de parte ou de todos os órgãos sexuais externos femininos, como o clitóris, o prepúcio clitoriano e, em alguns casos, inclusive os pequenos e grandes lábios. Em seguida fecha-se com uma costura (infibulação – fechamento parcial do orifício genital). Waris conta que fazendo estes procedimentos logo quando criança, se torna uma mulher “virgem e pura”, pelo menos até sua noite de núpcias, e é aceita pela sociedade na qual vive. Chegando à noite de núpcias o homem deve (com uma navalha) abrir a “costura” da região genitália antes de penetrá-la.

Waris conta que “Desmaiei muitas vezes. É impossível descrever a dor que se sente”

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Menina de quatro anos é circuncidada em Sulaimaniyah, no Curdistão iraquiano, em abril de 2009 (Foto: AFP)

 

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“É uma vergonha que uma tortura bárbara, cruel e inútil continue a existir no século XXI”. Dirie diz que sempre sentiu que aquilo não estava certo e quando se tornou uma modelo, pode começar a luta contra a prática. Aos 45 anos, ela é fundadora de uma organização que leva seu nome e embaixadora da ONU contra a mutilação feminina.

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“Não tem nada a ver com religião. Todas as meninas que são vítimas de FGM (mutilação genital feminina, na sigla em inglês) também são vítimas do casamento forçado. A maioria é vendida quando criança a homens mais velhos. Eles não pagariam por uma noiva que não é mutilada. É uma vergonha para nossas comunidades, para os países que permitem a prática. Os homens temem a sexualidade feminina, essa é a verdade”, explica Dirie.

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Estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que entre 100 e 140 milhões de meninas e mulheres vivem hoje sob consequências da mutilação – a maioria na África. A organização tem uma campanha contra a prática, que considera prejudicial à saúde da mulher e uma violação dos direitos humanos.

Fonte pesquisa: Wiki/G1/Cineclick

Cristina Figueredo
Amante de filmes

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