Em tempos de Temer e Dilma, é rei quem sabe empreender.

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Nos termos do dicionário Priberam da Língua Portuguesa, a palavra “empreender” significa intentar; levar a efeito; dar princípio a (uma empresa); cismar, ter apreensões. Eu costumava pensar que um empreendedor era aquela pessoa que tirava alguma ideia mirabolante da cartola, mas percebi que, na verdade, um empreendedor nada mais é que alguém que sabe quando, como e onde implantar uma ideia, muitas vezes até banal. Ou seja, para empreender não necessariamente você deve inventar um post-it que muda de cor de acordo com o assunto que traz escrito nele. Você simplesmente deve ter timing.

Outra coisa que entendi e está mais que comprovada: momentos de crise são oportunidades. E para notar estes momentos existe outra palavra muito importante: feeling.

Timing e feeling: duas características essenciais ao empreendedor. O timing porque quem quer empreender precisa ter a capacidade de identificar os momentos adequados e reagir no tempo adequado. O feeling porque é preciso sentir o espaço à sua volta e compreender as necessidades sociais, naquele momento. É a percepção sobre a situação vivida no momento atual. A combinação dos dois pode fazer com que uma ideia simples e trivial, no geral, se torne uma ideia desbravadora; daquelas que fazem todo mundo pensar assim: “Ué, como eu não pensei nisso antes?”.

Empreender é um dom? Eu creio que sim. Mas também acredito que se pode aprender a empreender, tudo depende de força de vontade. Em tempos de instabilidade política, pouca oferta de emprego e caos geral na sociedade brasileira, aquelas pequenas habilidades que temos podem se tornar chances de emergir e se tornar um grande sucesso.

O Brasil está repleto de exemplos de microempresas que se ergueram em meio à crise: aquela dona de casa, que faz ótimos salgados e decide colocar na porta de casa uma mera plaquinha e, de repente, se torna dona de buffet. Vejam só, para nós, que vemos de fora, parece de repente, mas, na verdade, não é. É um processo de investimento contínuo, esforço, aperfeiçoamento e muita briga interna. Quem empreende, aprende com os próprios erros, se reinventa, adapta seu negócio e insiste.

Comece a pensar em que você é boa, o que você sabe fazer muito bem e não utiliza frequentemente no seu dia a dia. Essa habilidade, aparentemente inútil, pode ser a sua tábua de salvação neste momento. Um negócio divulgado aqui e ali, nos grupos de WhatsApp da família, na sua timeline do Facebook ou, até mesmo, com a velha plaquinha na porta de casa; pode se tornar um meio de sustento e te trazer total liberdade financeira.

Como exemplo, cito aqui o Quintal de Casa Bistrô de Rua, um charmoso, pequeno e exclusivo restaurante, montado na calçada de uma casa em Brasília, por um casal em crise financeira. Eles iniciaram o negócio vendendo espetinhos (que é uma comida que vende muito no DF) e, aos poucos, o chef foi inserindo risotos no menu para ver como a freguesia se comportava. Então, deu resultado e hoje eles têm uma freguesia sólida e destaque na cena culinária do bairro em que estão instalados.

Portanto, qual é o talento que você esconde que pode te transformar numa empreendedora?

Referência bibliográfica: “empreender”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/empreender [consultado em 06-06-2017].

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