Mulher e Cinema: Nojoom – 10 anos, divorciada

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O casamento infantil é comum na história humana. Atualmente os casamentos ainda na infância são bastante difundidos em certas partes do mundo.

Weissberg, da revista americana Variety, sentencia: “Este é um filme destinado a chamar a atenção para a preocupante prevalência de casamentos de crianças no Iêmen”.

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Cartaz Nojoom 6 Nojoom – 10 anos, divorciada (2014) Direção: Khadija al-Salami

Sinopse: Aos dez anos de idade, Nojoom é entregue por seu pai a um homem adulto, para se casar contra a sua vontade. O marido passa a agredi-la e estuprá-la com frequência. A garota surpreende ao fazer o pedido de divórcio, mas nenhuma lei no Iêmen proíbe o casamento infantil, e os costumes locais permitem que o marido disponha do corpo da esposa como quiser. Assim, os tribunais locais se encontram num dilema religioso e moral.

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Cena do filme

História real

Em abril de 2008, Nujood Ali, uma menina de 10 anos de idade, obteve com sucesso um divórcio depois de ser estuprada sob essas condições. Seu caso levou a inúmeros pedidos para aumentar a idade legal para o casamento para 18 anos. Mais tarde, em 2008, o Conselho Supremo para a Maternidade e Infância propôs definir a idade mínima para o casamento em 18 anos. A lei foi aprovada em abril de 2009, votada para a idade de 17 anos. Mas a lei foi retirada no dia seguinte após manobra por parte dos parlamentares da oposição, as negociações para aprovar a legislação continuam. Enquanto isso, os iemenitas inspirados pelos esforços de Nujood continuam a forçar a mudança.

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Khadija al-Salami

A cineasta foi forçada a casar aos 11 com um homem 20 anos mais velho, Khadija se rebelou contra os valores da família, ousando deixar o marido e pedir o divórcio. Aos 16, ganhou uma subvenção para seguir o seu sonho e estudar nos Estados Unidos, onde se especializou em produção e direção de cinema.

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Iêmen: Foto ilustrativa

O Iêmen é um dos únicos países sem legislação a respeito da idade mínima de casamento e possui uma das taxas mais altas de mortalidade materna do mundo, na região é comum o casamento de meninas quando completam 8 anos de idade. Mesmo fazendo parte de uma série de convenções internacionais que proíbem explicitamente o casamento de crianças, o governo não é capaz de eliminar a prática.

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Nojood e Khadija, estas duas mulheres iemenitas e corajosas,  fazem a diferença frente a tamanha violência e discriminação em um estado onde o extremismo islâmico estabelece as regras. São vozes que ecoam para o mundo e que aos poucos tentam chamar a atenção e salvar outras possíveis vítimas de tamanha agressão.

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Cena do filme

 Newlyweds looking at wedding ring

O Brasil é o quarto país no mundo em casamentos de crianças e adolescentes (pesquisa realizada de 2013 a 2015 pelo Promundo em parceria com equipes da Universidade Federal do Pará e da Plan Internacional Brasil e contou com apoio da Fundação Ford.) – são mais de 1,3 milhão de mulheres até 18 anos casadas  –, atrás apenas de Índia, Bangladesh e Nigéria. Casadas até os 15 anos são 877 mil. 

Elas acham que a vida vai ser melhor morando com o marido. Mas o que elas próprias relatam é que ficaram decepcionadas. O controle que elas tinham dos pais, só passa para o marido”, diz Alice Taylor, coordenadora da pesquisa.

Outra razão para manter o relacionamento é o medo de arcar sozinha com uma gravidez precoce – 39% das meninas casadas tiveram o primeiro filho aos 15 anos. Em muitos casos, para fugir de abusos e maus-tratos da família ou da pobreza.

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Foto ilustrativa: Casamento na África Subsaariana

Legislação Internacional

Um mapeamento realizado pela World Policy Analysis Center, descobriu que 93 países autorizam legalmente o casamento de meninas com idade inferior a 18 anos, com consenso dos pais. Hoje, mais de 100 países fazem parte de uma resolução do Conselho de Direitos Humanos (ONU) em prol da eliminação do casamento infantil forçado, no entanto, muitos deles possuem exceções em relação a idade mínima – são casos em que a família autoriza ou disposições religiosas que estão acima da lei.

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Triste ver uma realidade onde a pedofilia é coberta por leis e religiões. Esta barbaridade legal e religiosa constitui um atentado contra a humanidade.

Depoimento real e legendado da menor Nujood Ali – personagem verídica do filme.

Fonte pesquisa: Wiki/em.com.br/Justificando/SopaCultural.

 

Cristina Figueredo
Amante de filmes

2 COMENTÁRIOS

    • Minha intenção foi justamente essa. Mostrar as pessoas o que acontece com essas pobres crianças. Como mulher, mãe e avó, essa crueldade me abala profundamente. Espero que com essa matéria eu possa ajudar de alguma forma. Obrigada Valquíria Dafre.

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