Mulher e Cinema – The Magdalene Sisters

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The Magdalene Sisters - Irmãs de Madalena

Essa é a trágica história de milhares de jovens – a maioria adolescentes – que foram enviadas a um convento para serem punidas por seus “pecados”. Vítimas da sociedade, elas eram humilhadas e castigadas fisicamente pelas madres que não toleravam desobediência.

O filme nos mostra como a mulher tem sido a maior vítima de dogmas religiosos em diferentes lugares e épocas.

The Magdalene Sisters (2002)
Direção: Peter Mullan
Elenco: Dorothy Duffy, Nora-Jane Noone, Anne-Marie Duff, Eileen Walsh

Sinopse: O filme é baseado numa história real de quatro jovens mulheres que são mandadas para um convento por seus familiares, para “pagar por seus pecados”. Essa punição é por tempo indeterminado, o que significa uma vida de trabalhos forçados na lavanderia do convento católico. Conhecidas como “As Irmãs Magdalena”.

Pela manhã, as moças se reuniam no refeitório, separadas das madres que ficavam em outra mesa. Elas tinham que se abster de prazeres carnais, incluindo comida e bebida. No entanto, as freiras se serviam de pães com geleia e outras guloseimas, enquanto as moças comiam alimentos de aparência esquisita.

Em uma das cenas, as jovens são expostas nuas e as freiras ficam comparando quem tem os seios maiores, qual delas tem mais pelos pubianos – enquanto riam e debochavam das jovens. Apanhavam por nada, eram humilhadas e maltratadas ao extremo.

A corrupção e hipocrisia reinam no lugar. A irmã Bridget recebe o dinheiro pelo trabalho das jovens e não distribui adequadamente. O discurso proferido pelas freiras, era que as jovens estavam ali para pagar seus pecados.

O convento era como uma prisão, e lá as jovens eram encerradas por tempo indeterminado, submetidas a castigos e humilhações físicas e psicológicas.

Convento de Magdalena

A instituição recebeu o nome inspirado em Santa Maria Madalena, que segundo a compreensão católica, se arrependeu de seus pecados e se tornou uma das mais fiéis seguidoras de Jesus Cristo.

Na Irlanda, tais asilos eram conhecidos como lavanderias de Madalena. Estima-se que 30 mil mulheres passaram por essas instituições apenas naquele país.

Sobre o filme

O nome original do filme, “The Magdalene Sisters” (Irmãs de Madalena), é uma referência à Maria Madalena, a prostituta que lavou os pés de Jesus Cristo. A Igreja Católica só assumiu o comando dessas instituições no século 20, transformando os asilos em lavanderias lucrativas.

Trecho da entrevista concedida pelo cineasta Peter Mullan, em Veneza:

O senhor reuniu em “The Magdalene Sisters’’ os piores casos de abuso e violência que colheu na pesquisa sobre as lavanderias de Madalena?

Peter Mullan: Não. Isso é o mais triste. Ouvi casos muito piores, envolvendo estupro e até assassinato, que acabei ignorando no roteiro para não criar uma indisposição ainda maior com a Igreja Católica. Como não há evidências nos relatos de morte, não queria que os religiosos pegassem no meu pé exigindo provas. Só lamento não ter inserido uma história de abuso sexual de uma sobrevivente.

O “L’Osservatore Romano’’, jornal do Vaticano, acusou a produção de “provocação rancorosa’’, enquanto representantes da Igreja Católica criticaram a direção do Festival de Veneza por premiar uma obra de “propaganda anticatólica’’. Até que ponto a reação dos religiosos correspondeu às expectativas?

Mullan: Não esperava muito mais do que isso por parte da Igreja. Até porque uma investigação severa sobre o que se passava nos asilos mostraria que o meu filme é quase um acampamento de férias, se comparado ao que realmente aconteceu. Freiras que viram “As filhas de Magdalena” disseram que a produção poderia ter retratado duas horas de violência contínua.

Mullan disse que um homem pagava as freiras para fazer sexo com as garotas em uma van. Ele fazia isso três vezes por semana, sempre com meninas diferentes.

“Houve casos de internas que prestavam favores sexuais em troca de absorvente higiênico. De tão traumatizadas e envergonhadas, algumas simplesmente paravam de menstruar’’, contou o cineasta.

Por que as jovens que conseguiram fugir ficaram de boca fechada, compactuando com a opressão religiosa?

Mullan: Porque era uma vergonha ser uma irmã de Madalena, que todos apelidaram de “Maggie’’. É escandaloso perceber que o motivo por trás do fechamento das lavanderias foi econômico e não humanitário. Os asilos começaram a dar sinais de enfraquecimento no final dos anos 70, com o advento das máquinas de lavar.

“Por muitos anos, a sociedade viu as jovens mulheres como uma ameaça aos rígidos códigos morais impostos pela Igreja. Por isso, justificavam a clausura das meninas como uma medida de proteção. Em suas mentes doentes, acreditavam precisar protegê-las de si mesmas.” Peter Mullan.

Em 2011, a comissão da ONU contra tortura solicitou ao governo irlandês que instaurasse inquérito para investigar as denuncias de maus-tratos.

Em fevereiro de 2013, o primeiro-ministro Enda Kenny apresentou desculpas, em nome do governo irlandês, às milhares de mulheres que foram internadas, forçadas a trabalhar e que viveram e morreram nestas instituições.

O relatório confirma que o governo irlandês foi conivente com o trabalho escravo e foi responsável pelo envio de ao menos 1/4 das mulheres às lavanderias.

Não há quem não se emocione e não se revolte com tanta humilhação e atrocidades sofridas pelas moças no convento. Filme triste e visceral que nos faz questionar sobre como uma instituição religiosa foi capaz de ganhar poder a ponto de deliberar sobre a vida das pessoas.

Fontes: uol/wiki/obvious/juorosco.blog/paulolopes.

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