Mulheres no poder: chega de preconceitos

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Desde o início da humanidade a política vem sendo um instrumento essencial para que nos organizemos e nos coloquemos como seres ativos e pensantes, o que é claro acaba por nos tornar diferentes de todos os seres vivos. Também temos que reconhecer que desde o início da humanidade são os homens que possuem a preferência para estar no poder e cuidar de assuntos que se referem a vida pública, pois estes são considerados mais aptos para tomar decisões que privilegiem a racionalidade e não a emoção, que rege as decisões da mulher de acordo com a tradição que possuímos.

Segundo o pensamento do filósofo moderno Hegel, as mulheres não poderiam governar como os homens “que agem sempre sabiamente”, mas poriam o governo em risco por tomar atitudes mais emocionais, por assim dizer. Diferentemente do pensamento hegeliano outro filósofo que influenciou por demasiado a tradição ocidental, conhecido como Platão, afirmava que as mulheres possuíam a mesma condição que os homens para governar, pois eram dotadas da mesma racionalidade e só precisariam ser instruídas assim como os homens.

Muitas vezes quando nos deparamos com mulheres a frente de uma organização, empresa, escola ou qualquer outra instituição percebemos que muitos ficam receosos sobre a forma como está atuará, se esta mulher que parece que aos olhos da sociedade sempre é frágil, conseguirá governar com pulsos firmes. Há alguns dias atrás me deparei com uma situação que me levou a refletir sobre a forma como muitos veem ainda as mulheres, como ainda permanece um pensamento antiquado e machista que percebe as mulheres como o segundo sexo, como disse Simone de Beauvoir. A colocação de uma mulher à frente da administração de uma instituição gerou polêmicas, pois muitos ficaram preocupados se ela agiria firmemente em suas decisões assim como o antigo administrador, afinal de contas ela era uma mulher! Sim! Esse tipo de pensamento ainda está presente em muitos apesar de as vezes não acreditarmos que isso ainda pode existir, esse preconceito contra a capacidade da mulher.

Não raramente nos deparamos com esse tipo de situação e muitas vezes nem sequer paramos para refletir, e até mesmo nós mulheres em alguns momentos nos pegamos fazendo julgamentos machistas contra nós mesmas e isso precisa de muita atenção, pois somos nós que devemos mostrar o quão somos capazes de sermos as melhores naquilo que fazemos, afinal possuímos capacidades que muitos homens não possuem e que talvez sejam o diferencial exigido para se governar. A força que habita e sempre habitou em cada uma das mulheres e indescritível, e a sua capacidade de cada vez mais superar-se é surpreendente, e nos torna capazes de sermos sim boas governantes, administradoras e ativas na vida pública para promover a diferença que muitos antiquados querem ver, mas ainda não conseguiram promover.

Jéssica Pacheco
Filósofa e pesquisadora política

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