Os Primeiros Passos Rumo ao Empreendedorismo Social

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Voluntariado em Escolas em Guiné Bissau - 2015

Uma história real

Segundo WEBSTER (1828), empreender significa, participar, tomar em mãos, começar a executar.

Guardo lembranças significativas de ocasiões de minha infância, nas quais tive a oportunidade de atuar voluntariamente em projetos sociais ao lado de minha mãe. Sem dúvidas, meus pais tiveram grande influência para o despertar da paixão pelo empreendedorismo social que move minhas ações ainda hoje.

Mas, antes de iniciar a narrar fatos atuais que nos ajudam a compreender princípios sobre o empreendedorismo, preciso contar episódios marcantes de minha adolescência e juventude.

Aos treze anos tive uma mudança abrupta e radical em minha vida. Após repetir dois anos a sétima série em escolas privadas, cursei pela terceira vez o sétimo ano numa escola pública.

Envergonhada por repetir novamente de ano e por ser a única entre quatro irmãs, a passar por esta situação, embarquei num universo desconhecido até aquele momento.

As escolas nas quais eu estudara anteriormente eram amplas, com quadras de esportes e grandes bibliotecas. Nós tínhamos bolsa de estudos, por seremos filhas da professora e por isso estudamos em excelentes colégios.

Meu contexto atual era numa escola recém-inaugurada no bairro no qual nós morávamos. O prédio ainda era novo, sem muros pichados ou paredes descascadas. A estrutura era simples, não havia quadra poli esportiva, nem amplos espaços de lazer e até mesmo nem uma biblioteca. Exatamente, o que me chamou a atenção desde o início do ano: uma escola sem uma biblioteca era algo incompatível, mesmo para uma adolescente repetente.

Determinada e com senso de propósito e missão, eu sabia exatamente o que deveria fazer durante aquele ano: organizar doações e montar uma biblioteca da escola. Havia espaço para a Biblioteca, só não haviam livros.

Em meio ao dia a dia escolar, durante aquele ano organizei um grupo de alunos da escola e juntos, mobilizamos doações de dezenas de livros para a Biblioteca da escola.

Conclui aquele ano alegre, por finalmente passar para o próximo ano, mas especialmente pela ação empreendedora promovida para benefício da escola. Pela primeira vez, após três anos consecutivos na sétima série, senti que havia realizado algo significativo e lamentei ao ter que mudar novamente de escola no final do ano.

Realizar com êxito aquela ação aparentemente difícil para uma adolescente de treze anos, foi um marco importante em minha trajetória pessoal de empreendedorismo social.

Atualmente, após ter viajado oito vezes para a África empreendendo muitos projetos sociais de cunho educacional e espalhado milhares de livros em diferentes locais, a lembrança da primeira ação de empreendedorismo social ainda é um marco importante em minha história.

Uma lição aprendida

Desde a existência da primeira família que viveu sobre a terra, houve a necessidade inata de empreender, participando da criação, cultivando e guardando o belo jardim. O trabalho é inerente ao ato de empreender e foi concedido por Deus ao ser humano como forma de expressar o caráter do próprio Criador, nas sociedades humanas.

Desde os primórdios a vida humana dependeu da ação do Criador ao prover todos os recursos necessários para reprodução, manutenção e desenvolvimento dos grupos humanos. E desde o princípio, dependeu também do trabalho empreendedor do ser humano ao transformar todos os recursos primários recebidos do Criador em benefícios diretos às suas vidas, famílias e comunidades.

Há propósitos eternos do Criador para cada vida. Em todos os acontecimentos decorrentes da atividade empreendedora do ser humano, Deus cumpre os Seus propósitos eternos e controla o fio condutor da história, para cumprimento de Seus empreendimentos eternos.

O apóstolo Paulo escreve na carta aos Colossenses 1:16 “Pois tudo, absolutamente tudo, nos céus e na terra, visível e invisível […] todas as coisas começaram nele e nele encontram seu propósito”.

Há propósitos eternos preparados pelo Criador para cada ser humano. Cada pequeno episódio vivenciado na trajetória da vida, contribui para a realização desses propósitos maiores.

Aprenda lições valiosas observando a sua própria história. Mesmo uma situação frustrante como cursar pela terceira vez a mesma série escolar, resultou num projeto inesquecível que revelou a minha paixão pela educação.

Os projetos que despertam naturalmente a sua atenção são indicadores que apontarão para a área na qual reside a sua verdadeira paixão! Invista nesta área para se engajar rumo ao empreendedorismo social.

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Juliana Pompeo Helpa
Juliana Pompeo Helpa Curitiba – PR Mestre em Educação por Princípios – Flórida Christian University/EUA, especialista em Gestão e Planejamento da Educação, Licenciada em Matemática, Bacharel em Ciências Contábeis, Cursou Teologia Básica. Autora de currículos e livros infantis publicados por editoras brasileiras. Capacitadora da AECEP. Gestora do Comitê de Missões e membro da diretoria da AECEP – Associação de Escolas Cristãs de Educação por Princípios. Idealizadora do Programa de Educação para a Vida, que ocorre atualmente no Brasil, Angola, Guiné Bissau e Moçambique. Gestora Educacional da Atuação Voluntária www.atuacaovoluntaria.org.br e Coordenadora de Educação Por Princípios do Ceduca/PR. Casada há 19 anos com Gilson Martins Helpa e mãe de Calebe e Tiago Helpa.

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