Por quê tenho dificuldade de ver que o amor acaba?

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Ai gente… Quem nunca?

Não só digo aos pacientes como para os amigos que por vezes precisamos encarar as coisas como elas são e estão. Digo que o triste no mundo era como a gente se agarrava a não sei o que. A gente faz isso para manter em pé um amor que é só uma lembrança bastante esquecida daquilo que foi um dia. Em outras palavras, eu disse que queria entender e ainda quero: o por quê eu, você, ele, ela; por que nós insistimos, além dos limites, em não aceitar que o amor, quando acaba, acaba?

Eu vejo isso naquela mesa de bar; vejo isso fora daquela mesa de bar. Vejo isso aqui consultório. Vejo em tudo que é canto. São tantas as histórias de pessoas que driblam, enfumaçam, envesgam as imagens dos amores que acabaram, dos casais que não dão mais pé… e de novo, o amor quando acaba, acaba… ok? Tem lá suas exceções…

Nascemos, crescemos e morremos acreditando que amar é ter. Que amar é vencer. Que errar é fracasso. Que um casal que se desfaz é como um golpe naquela imagem de perfeição que a gente tem da gente mesmo, e que é a imagem que fez com que o outro se apaixonasse pela gente. Mas, meninas percebam ainda mais, que o amor que a gente aprende na TV, nos filmes, nos livros e por aí, é um amor feito com trilha sonora de fundo, grandes momentos, grandes viradas, beijos iluminados pela lua e sem nenhum tédio, sem bocejo, um amor com final feliz e créditos subindo no fim.

O amor que pisa no chão é o amor que comporta os momentos de trilha sonora e luz da luz e sexo mágico e sonhos silenciosos a dois. É também o amor que sofre de tédio, que tem remelinha no canto do olho, cólica, alho em cubos e alho em fatias. É um amor que às vezes comporta o mau humor de um dia horrível no trabalho, é o amor que comporta um pouco de desatenção, de brigas sem motivo e de falta de sexo. Isso tudo é amar desde que isso tudo não seja o tudo.

Antes de encerrar, quero entender o motivo de não compreendermos rápido que o amor acaba. E que tudo bem, apesar de tudo mal. Dói e é um inferno, mas pensem como foi sempre assim. Nosso inferno é achar que, quando o amor falece, não há mais espaço para um novo amor. Ou pior ainda: nosso tormento é pensar que até existe a chance de surgir um novo romance, mas que, no fundo, no fundo, um novo romance não vale o esforço. Um novo romance, nesse caso, é apenas o início de um novo ciclo. Um ciclo composto por encantamento inicial, tédio no meio e dor no fim ou não né.

Nosso destino é gostar de alguém. É por ter medo de sofrer que a gente sofre.

Não façam do medo de uma dor futura a dor de agora, mas que seja eterno enquanto seja recíproco.

 

Cláudia Kobayashi
Responsável técnica de Psicologia
CRP 08/12304
Clínica Biografia Corpo e Mente

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