Respeito, Empresas e Pessoas.

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Humanize suas relações, mas respeite seus negócios.

Não sei se pela situação do país, do mundo ou se fui eu quem mudou, mas de um tempo para cá tenho visto muita coisa nova: novos movimentos, novas palavras, novos comportamentos.

Muita coisa do bem, o que realmente nos dá uma sensação de alívio, pois nos faz acreditar que é possível criar um novo mundo, onde todos serão mais solidários e assim viveremos melhor. Tenho observado inclusive, que muitos tentam estender essa “vibe” ao mundo empresarial, impondo um tom mais humano e social em relações que inicialmente seriam somente financeiras, o que deveria ser maravilhoso se esse novo olhar fosse uma melhoria conquistada, um pluss, a cereja do bolo. Só que não…

Está bem na moda, usar a palavra gratidão, e já estamos vendo isso em e-mails profissionais.

Também já vi uma pessoa cobrar “sororidade”, em um grupo de empresárias, quando uma participante teve um comportamento extremamente antiético.

Já presenciei inúmeras vezes, pessoas que cometeram erros enormes em seus negócios, sendo abraçadas por pessoas chorosas, que prometiam que tudo ia passar, e que bastava pensar positivo que o universo resolveria “quanticamente” a situação.

E quem nunca viu, ouviu ou recebeu propostas de parcerias, onde a troca consiste em “Troco SEU trabalho pela MINHA satisfação”, pois dinheiro é coisa secundária e o importante são os relacionamentos.

Quem me conhece, sabe o quanto sou “impactável” pela dor alheia. Sempre vejo primeiro o ser humano e mesmo tendo toda essa disposição, no meio empreendedor esse movimento novo me incomoda.

Nos meus negócios eu troco toda a gratidão, “sororidade”, parcerias e “qualquer outra coisa energizada”, pelo bom e velho “RESPEITO”.

De verdade, se eu te enviar um e-mail com uma proposta comercial que atenda às suas expectativas, vou adorar receber uma resposta com um agradecimento e aceite e troco a palavra “Gratidão, com mãozinha em oração”, por um “Já paguei o seu boleto. Obrigada pelo atendimento”.

Pode até parecer arrogante, mas não espero que meus clientes rezem pelo meu negócio, até porque Deus já me conhece. Eu preciso é aparecer para quem nunca me viu.  Por favor, troque orações e boas vibrações por depoimentos no meu site, recomendações no meu Facebook e indicações para sua rede de contatos.

Também não se intimide: pode chamar minha atenção caso eu não me comporte bem em um grupo, mesmo que seja de WhatsApp, afinal Grupos de Empreendedorismo não são irmandades nem tem fins religiosos e, portanto, o que vale é a ética e o respeito as regras daquele grupo. Se fiz posts indevidos, me avise. Respeite o meu direito de aprender com os meus erros e de me tornar um membro melhor deste e de todos os grupos que certamente participarei.

Também nunca tente me convencer que o Universo está a meu favor, e mesmo que eu gaste todo o dinheiro da empresa indevidamente, que eu tenha uma empresa malcuidada, ou que atenda meus clientes de forma amadora, pois se eu acreditar que sou abundante, vai chover dinheiro na minha cabeça. Respeite minha capacidade de melhorar: me diga onde estou errando e me permita acertar. Me dê a chance de prosperar!

E por fim, mesmo que você tenha dez milhões de seguidores, não me proponha parcerias se a minha contrapartida não for resultado financeiro. Desculpe, mas parcerias consiste em ganhar junto e não em perder acompanhado. Por favor, respeite minha inteligência.

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Mirtis Fernandes
Seu nome é Mirtis Fernandes, mas podem chama-la de Mi. Ela tem 45 anos, um marido, duas filhas, um neto, uma empresa de fato e uma empresa projeto. Já participou de 02 startups e adora o mundo da inovação e tecnologia. É uma virginiana com a lua em gêmeos, o que lhe confere uma personalidade bem peculiar, já que o antagonismo foi determinado pelos astros. Gosta de humor inteligente, poesia sem romance, gente “de todo tipo” e filme com final feliz. Tem uma simpatia automática pelas minorias e muita preguiça de gente preconceituosa. Sua trajetória profissional aconteceu principalmente no mundo da confecção, onde se orgulha de ter entrado como recepcionista e saído como Diretora Executiva. “Tive a oportunidade de percorrer praticamente todos os departamentos de uma Industria de Confecção, isso me garantiu conhecimento vivencial e transformei isso em um grande trunfo” Atualmente ela dedica seu maior tempo na criação e desenvolvimento de ferramentas de gestão para Pequenas e Médias Empresas, e diz que não tem interesse em ter uma empresa que só oferece tecnologia para empresários que já tem grana. Quer oferecer conhecimento e ferramentas para empresários que como ela, nasceram na periferia e nunca tiveram acesso a escolas milionárias nem cursos internacionais, mas que todos os dias reinventam seus negócios e se matam de trabalhar para garantir o mínimo de dignidade para família e comunidade onde vivem. “Se esses caras tiverem as ferramentas certas, o mundo vai virar do avesso e eu quero participar dessa festa!”

5 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pela matéria, eu mesma já passei por situações parecidas, mas agora vejo que o nosso trabalho tem um preço, o nosso tempo tem um preço, etc….

    Concordo plenamente, parceria boa é parceria aonde todos os lados saem ganhando…

    Abraço,
    Alessandra Batista (Colunista)

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