Sobre reizinhos e a falta de liderança em casa

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Filhos que não obedecem e desafiam os pais

7b3553c9-a103-47ec-b65d-025230bba3d4Famílias saudáveis são aquelas em que os filhos tem a permissão de serem apenas filhos e os pais podem desenvolver a função de educar, zelar e manter o bem-estar da família. Os problemas com filhos ocorrem, em muitas situações, quando a estrutura hierárquica da família se torna invertida e desta forma, como consequência, os pais passam a obedecer às ordens de filhos pequenos, ceder em todos os aspectos, permitir comportamentos agressivos e impróprios e admitir atitudes de chantagem e manipulação.

A chegada de uma criança, é sempre muito aguardada pela família, é natural que o amor dos pais transborde de tal maneira que se torna difícil impor regras e ordens. E por que isto é tão difícil para alguns pais?

Todo pai e toda mãe um dia foram crianças, ouviram diversos nãos, levaram broncas e alguns até foram punidos gravemente na infância. A punição infantil, para muitos pais é um tabu. Para eles, admitir que a própria criança interior ainda grita por socorro, que ainda não compreendeu que havia muito amor em seus pais, que sua educação talvez não tenha sido a mais apropriada, mas era aquela que os pais sabiam transmitir, é um desafio que pode ser superado.

Em meu consultório, ao observar tais pais é comum ouvir determinadas crenças acerca da própria infância e da infância que querem proporcionar ao seu filho:

  • “Meu pai era muito rígido, apanhava todo dia, não quero que meu filho sofra, portanto, deixo ele fazer o que quiser”.
  • “Minha mãe me criou sozinha, trabalhava o dia todo e eu ficava com a irmã mais velha durante o dia, na verdade não sei o que fazer com a minha filha, se coloco de castigo, se bato nela, se tento conversar, nada disso parece funcionar, quero que ela seja feliz e me sinto culpada quando brigo com ela”.
  • “Na minha casa nossa educação sempre foi transmitida a base de berros, percebo que eu também grito muito com meu filho e ele parece gritar mais ainda comigo quando faço isso e tenho percebido que perdi o controle na educação dele”.

A forma com a qual você lida com os filhos tem muito em comum com a forma que você foi criado pelos seus pais. Existem duas maneiras que um pai que não acolheu sua própria criança interior lida com a educação de seus filhos:

  • Transmitindo a mesma educação disfuncional que recebeu:

Muitos filhos foram punidos gravemente por seus pais autoritários e inconscientemente, no presente, repassam este modelo na educação: São os pais que batem, gritam alto, impõe medo aos filhos. O medo faz com que os filhos se afastem. Muitos destes filhos são como anjinhos em casa, mas na escola ou em outros locais onde esta criança não é punida violentamente ela se transforma. Com o tempo a criança incorpora em sua personalidade a seguinte mensagem: “Só mudo se for punido”, “só paro quando apanhar” e leva esta mensagem para a vida adulta. Isto não me parece algo bom a ser incorporado nos relacionamentos e na vida futura para o seu filho.

  • Negligenciando o poder parental na educação do filho:

c12ed4c7-5286-44f8-9b5d-943bc3e944c4Com este pai pode tudo, é aquele que percebe o mau comportamento da criança, mas seu medo é tão grande de impor regras que ele se afasta desta responsabilidade. Pode ser aquele pai que sempre diz “Não faça isto, não coloque a mão no fogão, não abra esta gaveta, não pule este muro” mas diz estas coisas sentado no sofá, olhando para o celular ou para a TV ou conversando com outras pessoas para se distrair negligenciando seu papel de educador. Este pai pode estar passando por problemas emocionais, muitos deles possuem traços depressivos despercebidos. A criança hiperativa pula, grita, bagunça e vira a casa do avesso numa tentativa inconsciente de tirar o papai ou a mamãe do sofá, obrigá-los a tomar uma atitude e se mexerem, acordarem para a vida. Por incrível que pareça, muitos sintomas infantis nada mais são que tentativas de salvar os pais, colocá-los nos eixos, é a forma que o amor infantil se desenvolve.

  • Fazendo-se de filho:

O pai deixa o filho decidir tudo: “Fillho, o que vamos comer? Onde você quer passas as férias? Filho, você acha que devemos fazer terapia?”. Estes pais não conseguem compreender que em casa os líderes são os pais. Nas grandes decisões o pai escolhe, o filho obedece. Quando o filho cresce e se torna pai ele escolhe, e seus filhos obedecem. É simples. Ou você se torna o líder da família ou desde cedo seu filho não compreenderá o que é hierarquia, não respeitará o professor, nem o chefe futuramente e poderá colher amargos frutos de uma educação disfuncional. É logico que isso não pode ser realizado de forma tirana, seu filho desde cedo deve escolher quais roupas ele gosta de vestir, quais brinquedos, cores prediletas, música que aprecia, ou seja, é importante dar abertura para o desenvolvimento da individualidade de seu filho e deixar ele provar e aprovar seus próprios gostos, mas ele deve sempre lembrar que o líder é você, o adulto é você, quem mostra as coordenadas e transmite as regras é você.

O que fazer nestas situações?

  • Se você é pai ou mãe e passa por alguma destas situações, acolha sua criança interior, diga a ela que tudo foi necessário em sua educação e em sua infância. Reconcilie-se internamente com seu pai e com a sua mãe, isto te liberta para a maternidade e a paternidade de forma surpreendente.
  • Ao invés de dizer “Não” o tempo todo para seu filho, aprenda a dizer “SIM”. O inconsciente da criança não conhece a negação. Quando você diz ao seu filho “Cuidado para NÃO sujar a roupa”, a criança processa – “Cuidado para sujar a roupa”. Ao invés de dizer não, diga – “Cuida da sua roupa”, “Fique limpo”, “Olhe que linda sua roupa, filha, cuide para que ela fique limpa”.
  • Seu filho não é uma máquina, não é um boneco. Muitas vezes ele terá maus comportamentos. Bons pais são aqueles que ensinam os filhos a não os repetir e sabem perdoar porque compreendem que os filhos são apenas crianças e estão em processo de aprendizagem.
  • Da próxima vez que seu filho fizer algo que você realmente não aprova, saia do sofá, largue o celular. Ao invés de gritar “Não faça isto” pela vigésima vez, proponha uma outra atividade que ele possa fazer em sua companhia. Isto tira o foco do problema, preenche uma lacuna de distanciamento entre você e seu filho e de quebra você terá uma criança que aos poucos irá se acalmar. Quando ela estiver calma, proponha conversar sobre o mau comportamento que ela teve anteriormente. O amor cura, seu filho necessita da sua atenção.
  • Quando seu filho errar, converse com ele, explique por que aquilo é errado e porquê não deve fazê-lo. A habilidade de transmitir valores é essencial para que os filhos absorvam estas mensagens de forma clara e possam desenvolver isto em suas vidas.
  • Crianças pequenas não compreendem bem estas conversas sobre os valores da família. Então aprenda a contar contos infantis com “moral da história” para os menorzinhos e em seguida faça uma associação com o mau comportamento que ele teve anteriormente. Deixe a sua imaginação solta e crie as próprias histórias que você irá contar a ela. Para finalizar mostre para seu filho que você o ama e que o mau comportamento não significa que ele seja uma criança má. Ensine desde cedo que um mau comportamento pode ser superado e que ela é uma criança boa e apta a aprender.
  • Se tiver dificuldade, procure atendimento especializado, a Terapia Familiar Sistêmica é uma ótima ferramenta para que você possa aprender a lidar com os desafios na criação de filhos pequenos.

 

Vanessa Francine Granero Pereira
Psicoterapia sistêmica – CRPPR -20113

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