A Afetividade deve ter papel fundamental na Educação

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Afetividade
A Afetividade deve ter papel fundamental na Educação

Qual é a importância que atribuímos à afetividade?

A afetividade está relacionada aos nossos sentimentos e emoções. Em cada atitude que envolve o processo cognitivo deve haver afetividade.

Pensar, refletir, agir, expressar ideias e realizar tarefas, tudo pode estar envolvido com relações afetivas que são o motivo pelo qual as pessoas realizam suas invenções, criações e inovações, e transformam sua realidade em algo que acreditam ser melhor para sua existência.

Por isto, pensar em uma escola inclusiva, para estudantes com altas habilidades/superdotação (AH/SD), estudantes com autismo, estudantes com alguma deficiência ou outras necessidades educacionais, é pensar na afetividade de forma ampla, acreditando que as barreiras sociais e os preconceitos irão acabar a partir do respeito mútuo e do amor nas atitudes das pessoas que estão envolvidas com as práticas educativas.

Durante o processo de aprendizagem, a admiração e veneração pelo aprender podem explicar o sucesso na educação do ser humano.

Vivenciar um fato, uma lembrança, uma atitude e pensar sobre esta vivência, pensar sobre o pensar, são ações reflexivas envolvendo sentimentos que irão compor o âmago do intelecto.

Somente torna-se possível avançar cognitivamente, se houver um vínculo afetivo que signifique a motivação em continuar realizando uma tarefa, uma ação ou uma atividade.

No contexto escolar, vivenciamos relações interpessoais que envolvem sentimentos e emoções. É importante que os profissionais da educação saibam lidar com os fenômenos psíquicos que se expressam por meio de emoções e sentimentos que podem ser internalizados na educação.

As relações afetivas pertencem à história genética de cada ser humano e fazem parte da evolução de cada pessoa. É importante que a história de vida conte com momentos que proporcionem bem-estar.

Na escola, não é diferente, porque a ênfase no conteúdo que deve ser ensinado e nas técnicas educativas que visam somente o aspecto cognitivo pode ser prejudicial para todas as pessoas inseridas no contexto escolar.

A falta de reflexão sobre o que é ensinado e como se ensina faz com que a equipe docente trabalhe de forma mecânica, sem refletir sobre a verdadeira importância de ensinar, e até mesmo sobre a responsabilidade que tem em suas mãos quando se está ensinando.

Ensinar por ensinar, sem reflexão, faz com que os seres humanos não percebam o verdadeiro sentido de sua própria existência, e este fato pode levá-los à falta de um olhar sensível para a educação. Ensinar é fazer com que as pessoas percebam que podem ser mais sensíveis e humanas.

A partir do autoconhecimento as pessoas podem superar suas limitações, seu egoísmo e a partir da alteridade compreender as necessidades e especificidades que cada pessoa pode apresentar.

Se o ensino é pautado somente no desenvolvimento cognitivo, não há sentido aprender. E o amor pelo conhecimento, pelas pessoas que ensinam e aprendem?

O investimento em uma prática transformadora é baseado em sentimentos nobres e em emoções que nos motivam! Não adianta a razão sem a vivência do amor.

Em um dos meus livros, ressalto a importância das escolas proporcionarem um ambiente onde se enfatize não só o desenvolvimento cognitivo e do raciocínio lógico para resolver atividades em sala de aula.

É fundamental possibilitar um ensino criativo e envolvente, pautado em práticas educacionais onde os vínculos afetivos sejam considerados na educação, para que todas as pessoas sejam respeitadas e se sintam incluídas no contexto escolar.

Referências:

  • Piske, F. H. R. (2013). O desenvolvimento socioemocional de alunos com altas habilidades/ superdotação (AH/SD) no contexto escolar: Contribuições a partir de Vygotsky. Dissertação (Mestrado em Educação), Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 166 páginas.
  • Piske, F. H. R. (2014). O desafio de promover práticas educacionais para atender a alunos superdotados. In IV Seminário Internacional de Educação de Pinhais (pp. 1-11). Piske, F. H. R. (2014b). Criatividade e inovação na educação de superdotados. In F. H. R. Piske et al. (Orgs.), Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD): Criatividade e emoção (pp. 265-276). Curitiba: Juruá.
  • Piske, F. H. R. (2015). Aluno (a) com altas habilidades/superdotação (AH/SD): Quem é essa criança? In V Seminário Internacional de Educação de Pinhais (pp. 1-15).
  • Piske, F. H. R. (2016). Alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD): Como identificá-los? In F. H. R. Piske, T. Stoltz, J. M. Machado, & S. Bahia (Eds.), Altas habilidades/Superdotação (AH/SD) e Criatividade: Identificação e Atendimento [Giftedness and Creativity: Identification and Specialized Service] (pp. 249-259). Curitiba: Juruá.
  • Piske, F. H. R. (2018). Altas habilidades/superdotação (AH/SD) e criatividade na escola: o olhar de Vygotsky e de Steiner. (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Paraná. Curitiba.

Fernanda Piske – Fundadora do Instituto Criafahs – (Criatividade, Afetividade e AH/SD).

Blog: https://www.educacaodesuperdotados.com/

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4 COMENTÁRIOS

  1. É interessante como os saberes se encontram e se tocam ao longo das linhas de suas práticas e teorias. Identifiquei-me com o texto e mesmo sendo de outra área (psicanálise e teologia), percebo que trazemos as mesmas verdades, como os vários ângulos de um mesmo prisma. Não tenho nenhuma dúvida relação à importância da afetividade e, à priori, nem me parece lúcido que alguém tenha, porque a afetividade é amor em pequenas doses, e quem, em sã consciência, não gosta de carinho? Parabéns pelo artigo. Excelente.

  2. Parabéns Fernanda. Ótima colocação sobre afetividade. Concordo que sem vínculo efetivo a aprendizagem não se efetiva completamente. Obrigada

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