Empatia – Colocar-se no lugar do outro

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Empatia

Se não o fizer, a natureza, sábia o fará posicionar-se.

Empatia, ou seja, colocar-se no lugar do outro pode parecer algo simples, quando dito em palavras. Mas, é inevitável pensar que ao longo da história da evolução de uma sociedade, da humanidade, seja no campo na tecnologia, ciência, e na própria cultura, o modo de acessarmos a realidade, obvio, diante de todo o aparato da internet na qual chegamos a frações de segundos, a qualquer ou pelo menos quase toda parte do mundo, ainda tenhamos a dificuldade de nos colocarmos, efetivamente na dor do outro.

E quando reflito sobre estas questões, que não são inovadoras, nas quais muitos já pensaram, e estão pensando neste momento, me abre inúmeras janelas frente ao mundo, mesmo que seja o mundo visto por mim, diante as noticias dos jornais escritos e falados, das redes sociais e, até do meu vizinho que divide o apartamento ao meu.

Estas janelas me mostram uma sociedade humana que evolui a cada instante, é necessário e esperado que assim seja, afinal aqui estamos para que isto ocorra (talvez seja uma das razões para que estejamos neste planeta), e assim descreve a história da humanidade como determinada pelos estudos arqueológicos e registros históricos.

Entretanto, ainda nos falta a conexão essencial, que é sair de dentro de nós mesmos para avistarmos o universo além do que somos.

Talvez sair de nós mesmos, possa ser, também, encararmos quem somos, seria olharmos de fora para nós mesmos, enxergar nossas falhas, frustrações, egoísmos internos, que não queremos comprovar em nós, quem sabe até o que não somos e desejamos ser.

Ater-se a isto seria muito dolorido, seria desprovermos de conceitos, preconceitos e emaranhados de um redemoinho infinito sem fim do que fomos formatados ao longo da vida.

Como entendermos todos estes fios que fomos e nos foram traçados para que fossemos o que somos? Difícil toda esta compreensão sem uma devida reconexão a essência mais pura do que entendemos como ser humano, não é mesmo?

Para tal como uma criança que acaba de perceber a sua existência no ambiente a qual está inserido e, que se dá conta que é preciso chorar para ter a atenção dos pais, aqui nos vemos em pleno século de tantas evoluções, nos conflitando para amar ou odiar.

Mesmo que o grito seja para o amor, ainda odiamos pelos mesmos motivos: amar, defendemos causas nas quais acreditamos serem verdades, nos atracamos uns aos outros.

E as causas são as mesmas, o outro não assimila dentro das nossas verdades, tal como as vemos e as ratificamos.

E ao que nos parece tão complexo, não conseguimos dizer ou agir, vamos seguindo o curso da vida, ora dizendo frases que amenizam aqueles que estão ao nosso redor, ora fazendo o que mais fácil parece, que é o julgamento.

Este último, acredito, atende a demanda global, porque nos isenta de estendermos a mão, de fixarmos o olhar, e mais, seria preciso controlar o relógio que a todo tempo nos impulsiona ao turbilhão dos afazeres da sobrevivência diária, logo, em sua maioria, justifica e culpa.

Diante de tudo isto, nos omitimos e somos engolidos pelas famigeradas ideologias, pelas destruições de vidas, em massa, por não termos lutado por políticas que se façam dignas à segurança de uma nação, da infância à velhice.

Surpreendemo-nos quando muitos estão nas ruas mendigando um prato de comida e água, quando barragens ameaçam nossa sobrevivência, mananciais e soterram nossos pares.

Segundo estudos, nosso planeta formou-se há 4,56 bilhões de anos e a vida surgiu na sua superfície um bilhão de anos depois, e dizem, que a terra poderá suportar vida durante pelo menos outros 500 milhões de anos.

Bem, será que até lá, ainda estaremos discutindo o sexo dos anjos? Quiçá, ainda teremos tempo para entendermos que não haverá possibilidades de evolução se assim continuarmos a nos classificarmos entre os bons e os maus, os brancos e negros, os desta ou daquela outra religião, e assim por alguns outros, afora, com seus devaneios que nos manipulam e nos segregam?

Não, não mais precisamos que o outro, o mundo desabe em nossas cabeças, para nos despertamos uns aos outros, na dor ou na alegria, é improrrogável, cuidarmos uns dos outros, a natureza em sua infinita saberia, dita-nos estes sinais que, compreendamos, aceitemos ou não, ministra todo o pulsar da economia, da política, das religiões, da cultura, das ideias, da comunicação e tudo o que dela depende para existir.

Disse Neil deGrasse Tyson, divulgador científico, escritor e astrofísico americano que “estamos todos conectados; uns com os outros, biologicamente. Com a Terra, quimicamente. Com o resto do universo, atomicamente.“, brilhante sabedoria, temos muito o que aprender.

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Telma Vidigal
Coordenadora e professora Assistente I no curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Ponte Nova-MG. Exerceu por 14 anos atuação profissional como supervisora Pedagógica em escolas públicas e, atuou também, como especialista da educação básica no Complexo Penitenciário de Ponte Nova. Trabalhou por 12 (doze) anos na Rede Salesiana de Ensino, sendo 09 (nove) anos como coordenadora Pedagógica e 03 (três) anos como Diretora Executiva. Foi analista pedagógica na Superintendência de Ensino de Ponte Nova-MG, Coordena Fóruns, Jornadas e Semanas Acadêmicas na FUPAC-Ponte Nova. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: educação-aprendizagem-rural, educação-natureza-vida, trabalhadores, pessimismo-realismo-interdisciplinaridade e educação. Foi redatora do Jornal Folha de Porto Firme durante 11 anos, em Porto Firme-MG. Escreve artigos para a revista Conexões do Saber pela Faculdade Presidente Antonio Carlos-FUPAC, direcionados à educação. Recebeu em 2018 O Prêmio Malala Yusafzai através do Movimento Educacional do 3° setor: Educação é o Alvo - Belo Horizonte, Minas Gerais.

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