Fé em D’us X Negócios – quando a fonte de lucro anula a fé

2
60
Fé como negócios

Oportunismo e fanatismo religioso subvertem a verdade Bíblica. Esse esquema, põe de lado a Escritura, passa por cima da revelação e confunde os princípios da piedade, transformando-os em negócios lucrativos.

A justificativa de práticas espirituais como fonte de lucro, vem sendo difundida grandemente no meio cristão. Baseadas em conceitos e interesses pessoais, essas práticas conotam como negócios enriquecedores.

Situações como esta, tem gerado repúdio aos que prezam pela originalidade e exegese das Escrituras. Imaginando que não podem ter outro caminho que os leve a D’us, muitos têm inclusive esfriado sua fé por não dar conta de tamanha heresia.

O que nos preocupa, é que muitas dessas práticas que deveriam ser consideradas como forma de oportunismo, são taxadas como loucura.

Dízimo
Coleta de dinheiro
Recentemente, apareceram certos tipos de mau caráter que atribuindo a si mesmos, com grande presunção, o magistério do Espírito tem angariado multidões.

Suas principais características são:

  • Pouco-caso de toda leitura da Bíblia;
  • Zombam da simplicidade dos que ainda seguem os princípios bíblicos;
  • Ensinam um investimento na terra para conquista no céu, baseado em doações em dinheiro e bens;
  • Ignoram a piedade, a humildade e insistem na ganância e muitos outros.

O que não quer se calar em nós, é a questão:

“Qual Espírito é esse por cuja inspiração eles são levados a alturas sublimadas, a ponto de terem a ousadia de desprezar, como infantil e rasteiro, o ensino da Escritura?”

Será que tem mesmo um “Espírito”, ou o caráter humano oportunista?

Como o evangelho não é fonte de lucro, mas inspiração empática, sabedoria altruísta e anúncio de “Boas Novas”, a que então se atribui o uso das escrituras para justificar negócios milionários? O fanatismo de alguns? Ou Capitalismo cristão?

Ainda que “digno seja o trabalhador de seu salário” (I Tm. 5:18), não existe nenhuma justificativa para enriquecimento baseado em falsas promessas, indução ou artimanhas capitalistas para tal feitio. Não na Bíblia!

Muitas denominações, seitas e afins, alegam que o Espírito de Cristo é quem os inspira tal ação. Porém consideramos absurdamente burlesca esse tipo de certeza uma vez que, Cristo e os apóstolos jamais acumularam bens ou riquezas:

[…] Quando estavam andando pelo caminho, uma pessoa declarou a Jesus: “Eu te seguirei por onde quer que andares”. Mas Jesus lhe replicou: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça”. Entretanto, a outro homem fez um convite: “Segue-me!” (Lucas 9:57-59)
[…] Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas (2 TM. 4:3-5).

Os Apóstolos de Cristo e todos os fiéis, na Igreja Primitiva, foram iluminados por esse mesmo Espírito. O fato é que nenhum dos Apóstolos ou fiéis aprenderam desse Espírito a desprezar a Palavra de D’us ou a negociá-la.

Ao contrário, cada um deles foi antes tomado de profunda reverência (para com a Escritura), como seus escritos o comprovam muito luminosamente. Na verdade, assim foi predito pela boca do Isaías:

“O meu Espírito que está sobre ti, e as minhas palavras que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca tua descendência […]” (Is 59.21)

Os fanáticos cometem abominável sacrilégio quando separam estes dois elementos que o Profeta uniu por meio de um vínculo inviolável: os que usam a Bíblia como fonte de lucro, e os que atribuem tudo a deidade sem se responsabilizar pelos seus atos.

Em nenhum instante fazemos apologia à miséria. Cremos que inclusive a fartura e riquezas podem sim, glorificar a D’us. O que criticamos é o exagero, a generalização das práticas interpretativas hereges por muitos adeptos e fanáticos.

No episódio do Templo em que Jesus critica os “mercenários” e “vendedores” que montavam suas barracas e vendiam as oblações e sacrifícios, podemos perceber esta questão:

“Tendo Jesus entrado no pátio do templo, expulsou todos os que ali estavam comprando e vendendo; também tombou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos comerciantes de pombas.
E repreendeu-os: Está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração’; vós, ao contrário, estais fazendo dela um ‘covil de salteadores’. Então levaram a Jesus, no templo, cegos e aleijados, e Ele os curou. […] (Mateus 21:12-14)

Não são as conquistas dos homens que nos incomodam. É o usar da Bíblia como negócios e atribuir o enriquecimento à Bênção Divina, quando esses são oriundo de charlatanismo, engano, mentiras.

Confundem os mais indoutos, criam expectativas materialistas e submetem a essência ao circunstancial.

João Wesley (1703-1791) – foi um reverendo anglicano e teólogo britânico. Ensinou aos homens dos seus dias: ― “Trabalhe o mais duro que você pode, economize o tanto quanto você pode; doe o tanto quanto você pode!”Lição esta que pode ser aplicada em nossos dias na demonstração do equilíbrio e bem-estar social.

A religião, desde os primórdios dos tempos teve como objetivo possibilitar ao ser humano a construção de um sentido de vida. Em especial a religião cristã, esta, jamais teve como princípio o hedonismo, e muito menos o oportunismo.

Logo toda a ocasião de interesses privados e fraudes é de caráter 100% humano.

É certo que, em termos históricos, estamos recheados de histórias tristes e de feitio criminoso, mas jamais as Escrituras trouxe qualquer apologia a tais crimes. Insistimos: São comportamentos humanos e baseados em interesses egoístas!

E é dever nosso criticar e condenar todo erro e infâmia.

Bailley, em Friends of Jesus, disse:

“Os cristãos podem discutir indefinidamente sobre a correta definição do capitalismo, e se pode ser visto como algo benigno ou uma ameaça. Sem dúvida, se trata de uma conversa necessária, apesar de não chegar no cerne da questão.
O ministério de Jesus não era focado na formação de uma sociedade de debates e negócios. Seu foco foi na construção de um movimento, uma família.”

Estamos distantes de traçar um panorama histórico este a relação da fé em D’us, a apostasia e fanatismo religioso. Mas percebemos que esses temas precisam ser melhores observadas e criticados, pois tem alterado o caráter e a santidade da Palavra de D’us!

Muitos atribuem à Bíblias características racistas, preconceituosas, quando seu objetivo é dar sentido à vida. Mas se levarmos em consideração seu constructo e arcabouço histórico-cultural, ficará muito mais fácil de compreender as Escrituras. Em seu sentido homilético.

Contudo, quando violamos o sentido exegético, as heresias surgem e o oportunismo ganha espaço para transformar a essência da vida, em uma grande Wall Street cristã.

Em meu artigo “Paradoxismo Cristão e capital – Qual o verdadeiro lugar do lucro e da espiritualidade?”, venho dissertando mais sobre este assunto.

Clique aqui e acesse este artigo na íntegra

Siga-nos em nosso espaço de filosofia e antropologia cultural.

Sendo assim, ficamos mais uma vez com uma reflexão, baseada na inspiração do irmão Baiano:

“O Evangelho é vida e não negócio! D’us não procura sócio, procura adorador!”
(adaptado – fonte: internet)

Até a próxima pessoal!

Fiquem comigo!

Da amiga de sempre, Chris Viana

 

2 COMENTÁRIOS

  1. A Palavra diz que o dinheiro é a raiz de todos os males! E ele em toda a história tem sido causa de guerras, brigas, divórcios, etc! Então temos que ser diligente e ter sabedoria no que diz respeito a ele!

    • Já tivemos um tempo, onde a falta do sujeito era ter uma casa, uma familia, um lugar para ser feliz juntos. Hoje os tempos são bem diferentes. O interesse capital é hedonista, a ideia da familia é completamente diferente e os bens são muito mais fastfood e estéticos. Gasta-se muito mais com bottox e silicones. Esse olhar para si, demonstra a grande cratera que existe na sociedade do descarte, do sem sentido, do imediato e banal. Com isso o vazio se alastra. O lugar da religião parece retrógrado. Por conta desse interesse capital, até o sentido da fé parece ser baseado em negócios cada vez mais lucrativos.
      Desta forma, o dinheiro em si não parece ser tão ruim, pois as pessoas são capazes de loucuras para tê-lo. Como ele é grande fonte de gozo, querem mais e mais gozarem no que ele pode comprar. O problema é o mau uso do dinheiro. As relações de abuso e poder e a desigualdade social são exemplos desse mau uso.
      A fé ja é diferente. Vc se coloca no lugar de um ser que depende dos cuidados de seu criador. Ai já nao é gozo: é satisfação. Talvez precisamos tirar a fé deste lugar analógico.
      Otima participação Renata. Fica com a gente!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here