Índia e Nepal – Dois países e muita Espiritualidade e Contradições

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Taj Mahal - Índia

Localizada na Ásia, a Índia é o segundo país mais populoso. Os idiomas mais utilizados são o inglês e árabe, dentre outros muitos dialetos encontrados de acordo com a região que se visita.

Logo ao Norte temos Nepal, onde a população é extremamente religiosa e também temos a maior montanha do mundo o Everest.

Índia e Nepal – Dois países e muita Espiritualidade e Contradições, uma mistura de crenças e superstições, onde as mulheres são extremamente submissas aos homens.

Índia

O clima é quente e de monções. No período entre junho e outubro deve-se evitar as viagens, pois é um período crítico no qual pode haver grandes inundações.

Os indianos não possuem hábitos de limpeza, os quais são dificultados pela escassez de água pura. É muito difícil encontrar água mineral para beber, então aconselha-se a reservar um espaço na mala para levar despachada.

A alimentação é baseada em vegetais, grãos e legumes, tudo temperado com diferentes tipos de pimenta e especiarias.

As pessoas exalam o cheiro das especiarias consumidas. Nas ruas, vários tipos de animais passeiam em meio ao trânsito caótico e desorganizado.

A vaca é sagrada e muitos outros animais possuem seu lugar na sociedade. A tecnologia não é utilizada a favor da população, mesmo porque, a população não tem acesso.

Possuem uma divisão de castas, onde o mais rico não pode se casar com uma mulher mais pobre do que ele, ou que pertença a outra casta. Se insistir nessa união, ele desce de casta e muitas vezes a família o isola.

As mulheres trabalham muito, mas a riqueza é do homem. Se ele, por algum motivo, achar que ela não serve mais como esposa, coloca ela na rua, sem nada, e ninguém dá emprego. A família não a quer mais. Elas ficam nas ruas vivendo de doações e esmolas.

O tuc tuc é um meio de transporte muito eficiente, mas o guia só deixou a gente entrar em um, marcando a placa do automóvel e seguindo a gente logo atrás. Não consegui ver perigo. Diz ele que alguns somem com os turistas e os deixam na rua a pé sem nada.

Para se andar nas ruas é aconselhável comprar roupas de lá. As mulheres usam o Sare. Usar roupas acidentais chama a atenção de todos, e eles nos param para ficar perguntando de onde a gente é.

O melhor mesmo é se misturar no meio do povo para sentir como é a vida de um indiano.

Mas onde está a riqueza da índia?

Por serem excessivamente religiosos, são tementes a todas as superstições e os conhecimentos de astrologia são passados de pai para filho. Para se organizar um casamento, é necessário antes consultar o astrólogo.

Se ele diz que o casamento vai dar certo, eles se casam. Se diz que não vai dar certo, ainda que seja da vontade deles, o casamento não acontece.

A alimentação, que não inclui animais de espécie alguma, já permite que os “canais” se abram para que eles tenham uma sensibilidade mais apurada.

A falta da tecnologia faz com eles desenvolvam seus sentidos para sua própria sobrevivência e a preocupação com o invisível, os deuses e rituais é muito maior do que com a condição que eles vivem.

A atenção é voltada totalmente para o que não se vê. Não há assaltos e nem homicídios. A meu ver, eles não dão valor para luxo. Até admiram, mas não é o objetivo.

Os rios são sagrados, especialmente o Ganges. Apesar de ser uma fonte de vida, a poluição no rio é tanta que traz diversas doenças a quem utiliza suas águas. As pessoas falecidas são cremadas e seus restos mortais são jogados no rio.

Muitas vezes os corpos não chegam a se queimar totalmente e então eles jogam o que sobrou, como partes de corpos inteiros.

Os pertences dos mortos vão junto. Animais e pessoas consomem suas águas, tomam banho, lavam roupa.

Acredito que a mortalidade só não é maior com a poluição do rio, porque as pessoas já possuem anticorpos.

Numa conversa informal com um guia de lá, tive a experiência dele saber sobre meu passado, presente e futuro, só de olhar as linhas de minhas mãos.

A precisão foi tanta que fiquei assustada.

Eles olham para o céu e sabem o nome das estrelas, constelações e se guiam por elas.

Apesar de estarem divididos entre muçulmanos e hindus, não há discussões religiosas. Eles convivem com todas e todos os deuses criados para adoração.

Mahatma Gandhi é a prova que uma revolução pode ser feita de paz e cada indiano tem essa consciência.

Esse exemplo para o mundo é um orgulho do povo; é um amor que foi plantado, mas ainda têm um longo caminho a trilhar no que se diz respeito à humanidade do próprio país, como o reconhecimento da mulher como um ser igual ao homem.

Talvez paz e amor seja o legado da Índia à humanidade, pois em 1653 ficou pronta a construção que representa a maior prova de amor já vista: Taj Mahal.

O Imperador construiu para servir de túmulo à sua amada, que faleceu no parto de seu 14º filho.

O acesso à construção principal é através de grandes portais. Ao passar por um dos portais é possível perceber um sentimento diferente.

Ao consultar o guia, ele me diz que algumas pessoas percebem o sentimento de amor que ficou no ambiente.

Os jardins e espelhos d’água dão sensações de como é estar no paraíso, paz, que imagino ser exatamente o desejo do Imperador que construiu.

Séculos depois, um ser como Mahatma Gandhi surge reforçando que a paz pode ser a base forte de um país. Quem a possuir no coração, que siga seu exemplo.

Nepal

Uma boa opção a se visitar em conjunto com a Índia, já que as horas de voo são bem cansativas, seria uma extensão ao Nepal. Onde as cidades são um pouco mais organizadas, mas todos são muito religiosos.

Há o Templo das Ratas, onde as ratas são adoradas e cultivadas livremente. Durante o dia elas quase não aparecem, mas não fiquei lá à noite para ver.

Há um local na Colina do Vale Katmandu, que temos o Templo do Macaco.

Apesar de ser Budista, há muitos Hindus que vão lá por ser um dos locais mais sagrados de peregrinação. Tibetanos e seguidores vão ao culto do chá. Ficam lá tomando só chá o dia todo e meditando.

Nesse local há uma grande Estupa, uma construção de formato circular e que só podem entrar pessoas ascensionadas de sétimo grau.

Perguntei ao guia como eles sabiam quando uma pessoa era ascensionada ou não. Ele me respondeu que as pessoas que guardavam suas entradas podiam ver pela aura.

Apesar do lugar também não ser muito limpo, devido a muitas oferendas e animais por lá, o clima era muito agradável, pois tinha som ambiente de mantras e muito incenso de excelente qualidade.

Um nepalês veio atrás de mim para mostrar como funciona uma Cuenca. Fui até a loja dele, muito pobre aliás, com prateleiras de tábuas e paredes e divisórias feitas com lençóis de tecido.

Fiquei muito desconfiada, mas estava com uma amiga e combinei com ela que se algo errado acontecesse, iríamos sair gritando.

Ele pegou a Cuenca (uma bacia feita à mão de 7 metais e dentro havia alto relevo escritos em árabe), colocou água dentro e começou a passar em volta um bastão.

Esse bastão fazia um ruído e a água começou a tremer e pular com a vibração dessa bacia.

Disse ele que essa água servia para curar doenças de pele simplesmente passando com a mão.

Podia-se também beber a água e a pessoa ficaria energizada. Meu maior espanto foi quando ele começou a bater essa cuenca em mim.

Ela vibrava e ecoava no meu corpo todo. Ao final de 5 minutos de atendimento, ele me deu um diagnóstico: Eu precisava dela para curar um caroço no meu seio esquerdo.

De fato, antes de eu viajar, eu estava com cirurgia marcada e acabei indo viajar antes da cirurgia. Fiquei muito assustada com tamanha precisão, em 15 minutos de conversa, com uma pessoa que nem me conhecia.

Havia uma outra cuenca toda torneada e bonita para vender também, mas ele falava assim: “Essa é para você, aquela é para turistas”.

Acabei comprando a Cuenca, aquela que era para mim, e trouxe para fazer o que ele falou, afinal de contas não precisava injetar e nem tomar nada.

Quando voltei de viagem e retomei meus exames para fazer a cirurgia, o médico não entendia o que havia acontecido. Eu não precisava mais operar.

Eles também possuem um rio onde se fazem os funerais. Ao lado do rio há um local com curandeiro.

O guia conta que quando uma pessoa fica doente, primeiro ela vai ao médico. Se o médico diz que não tem mais jeito, ele vai para o curandeiro.

Prédio do curandeiro

Se o curandeiro diz que também não tem mais jeito, ele já tem a data do falecimento. Nesse dia, a pessoa é colocada na beira do rio e a família espera morrer.

Após 4 horas do falecimento, eles o colocam numa cama de bambu, sem roupas, cobrem com muito capim seco e colocam fogo.

A diferença da Índia é que no Nepal eles só jogam no rio quando o corpo está totalmente queimado.

Somente os homens vão ao funeral, porque dizem que as mulheres choram muito e prendem a alma dos falecidos na terra. Nós, turistas, ficamos do lado oposto do rio, do funeral.

Lá o clima já não é tão quente como na Índia. A alimentação já contém alguma coisa animal, mas bem pouco. Os condimentos são ainda muito fortes.

Convém dispensar qualquer meia pensão, porque são alimentos que não temos o hábito de comer. Se consumir, pode pegar um piriri daqueles.

E aí, você iria visitar o doutor, ou o curandeiro?

Não há seguro viagem que pague isso!

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