Interseccionalidade: Você sabe o que significa?

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Interseccionalidade
Interseccionalidade: Você sabe o que significa?

Uma reflexão a partir do vídeo TED “A urgência da interseccionalidade”, da jurista e feminista americana Kimberlé Crenshaw

Interseccionalidade – Um tema muito relevante para a nossa sociedade, porque é capaz de evidenciar a realidade dos diversos preconceitos em especial o de gênero e o de raça.

O conceito de interseccionalidade foi elaborado pela Kimberlé Crenshaw em 1989, com o intuito de evidenciar as consequências estruturais e dinâmicas da interação entre dois ou mais eixos da subordinação.

Em outras palavras, a autora demonstrou que políticas públicas e leis que tratavam das minorias por generalizações não cuidavam de pessoas que acumulavam características discriminatórias e as desigualdades só aumentavam.

Para exemplificar: como uma política pública para uma mulher, branca, nascida com privilégios pode ser a mesma de uma mulher negra, nascida em um território popular?

Você percebe claramente que o fato de ser mulher estabelece apenas uma igualdade, que se refere ao gênero? A partir da análise da interseccionalidade outros atributos sociais podem ser identificados.

As abordagens generalizadas camuflam as diferenças tornando-as invisíveis. Aí que mora o problema! Por que passamos a legitimar o ilegítimo, que nesse caso são os direitos.

Crenshaw nos propõe um debate sobre a garantia de direitos humanos, pois existem situações em que mulheres e homens são protegidas por esses direitos, mas como ele é abrangente, outras mulheres não! Deixando-as mais vulneráveis e em situações de violação de direitos.

Daí vem outra abordagem que é necessária trazer para essa reflexão que é o preconceito estrutural. Temos uma sociedade plural! No entanto com base racista e machista.

Todos nós somos frutos desta estrutura social e educacional que nos conduz a práticas e ações às vezes determinadas pela nossa formação. Por isso, independente de gênero ou raça trazemos comportamentos discriminatórios. Precisamos estar atentos e nos reeducarmos!

Todos nós temos um marcador social. Seja ele de raça, classe, geração, identidade de gênero, sexualidade, entre outros. E estes marcadores, nos colocam em posições sociais orientando as nossas pautas do que acreditamos ser importante e necessário na sociedade.

Por isso, vou trazer mais uma definição para nos ajudar a refletir e nos posicionar frente a essa temática, que é o Lugar de Fala!

Possivelmente você já escutou essa expressão, principalmente, quando há questionamentos se alguém “pode” ou não “pode” falar sobre determinado assunto.

É necessário esclarecer que todas as pessoas têm um lugar de fala garantido! Vivemos em uma sociedade democrática e o direito a livre expressão, sempre com respeito às escolhas individuais e consideração constitucional, ainda nos é garantido!

Então, é possível e necessário refletirmos criticamente e dialogarmos sobre os diferentes temas e com as pessoas que os representam.

Mas precisamos estar cientes que falamos a partir do grupo e lugar que estamos. Se nesse momento, existir acumulo de marcadores sociais, e eu estiver em um lugar socialmente privilegiado, devo utilizar desse privilégio para lutar contra opressões.

Há um equívoco sobre representatividade e lugar de fala, que por vezes leva a posições extremistas para as quais somente mulheres podem falar de gênero, só negros podem falar de raça, e assim consequentemente.

Exercemos o nosso lugar de fala quando refletimos sobre algo, a partir da nossa localização social e não quando falamos sobre algo por alguém de outro grupo social.

Dito tudo isso, gostaria de convidar você a assistir ao vídeo “A urgência da interseccionalidade”, da Kimberlé Crenshaw e levar consigo os seguintes pontos de reflexão:

  • Somos iguais na humanidade, mas vivemos desigualdades sociais cruéis;
  • Por sermos mulheres, possuímos marcadores sociais distintos e a Interseccionalidade é uma forma de analisarmos os preconceitos de forma mais real. Sempre olhando para as interseções, pois não basta ser mulher, a cor, a classe social, a idade, o território, a formação, entre tantos outros elementos demonstrarão os desafios, dores, necessidades e potencialidades de cada uma;
  • Quando tenho consciência do meu lugar de fala, já compreendo que sei a partir da minha realidade e não da realidade do outro, mas isso jamais será um fator para que eu não fale, apenas para que eu respeite e entenda.

Cito a seguir as referências de leituras que usei para essa reflexão, que foram de mulheres negras e intelectuais Brasileiras que infelizmente são apenas 3% de doutoras e pós doutoras no país dentro do percentual total de mulheres acadêmicas.

Fontes:

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