Preciso falar sobre isto: Quando viver passa a ser o meu maior desafio!

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Viver maior desafio
Numa manhã qualquer, não menos importante que todas que já vivi, acordei e olhei em volta do quarto e percebi por uma fresta da janela, um raio de sol que se atrevia a invadir a cortina com blackout, como se dissesse com seu pequeno fecho de luz, o quanto tem poder perante ao vazio que, permiti, instalar em meu peito.

Tentei não perceber, voltar a dormir e esquecer o mundo que borbulhava lá fora, buzinas, cachorros latindo, gente tagarelando, liquidificador acordando todos os vizinhos, crianças correndo e a mente…ah a mente inquieta com pensamentos atordoados.

Entretanto aquele fecho de luz insistia em dizer que era hora de acordar, não somente levantar-se da cama, mas colocar os pés firmes no chão e sentir a vida que estava em mim.

Por um tempo fiquei a observá-lo, se movimentar conforme o suave fluxo do vento que batia à cortina, era leve, afetuoso, como os pés de uma bailarina no mais lindo espetáculo, porém, naquele instante havia somente eu como público e, que já começava a encantar-se com sua coragem, determinação e entusiasmo diante daquele cenário quase já não tão sombrio.

E com sua beleza tão inocente e tão forte, minha mente foi se deliciando com sua luz, e por um momento senti que era preciso acolhê-lo em todo o quarto, não era justo perder toda aquela energia que emergia da natureza, e com certeza, havia me escolhido para que tivesse a oportunidade deste mais belo presente.

Levantei-me e com uma força que já não havia há muito, abri a cortina, a janela e senti a brisa tocar em minha face.

Sim, senti a vida percorrer por todas as minhas veias e em meu ser, respirei fundo, e como mágica, senti que havia uma alma, latente dentro de mim, que precisava viver, sair do casulo e voltar a ser aquela borboleta que vivia plena em sua liberdade e voltar a voar para seus projetos de vida, de sonhos, de amor, de família, de estudos, de trabalho, ler um bom livro, dar risadas de coisas simples, ouvir uma música ou simplesmente para agradecer a minha existência.

Aquele fecho de luz, tão aparentemente frágil, estava a todo tempo dentro de mim, precisava apenas de um toque divino, de um instante de oportunidade para voltar a brilhar e dizer a mim mesmo o quanto sou importante, o quanto posso ser inspiração na vida daqueles que estão a minha volta, o quanto sou privilegiada por ter uma vida, respirar e ter a chance de recomeçar.

São tantas as adversidades pelas quais passamos, são tantas decepções, incompreensões, trapaças e julgamentos, abandonos em diversos âmbitos da vida, que aos poucos vamos nos fechando como pequenas ostras, nos tornando prisioneiros do mundo em nós mesmos, talvez como mecanismo de defesa, vamos nos sentindo inferiores a tudo e a todos.

E sem nos darmos conta, perdemos o sentido da vida e, dos sorrisos, da alegria e da sutileza do quanto somos importantes, independente de quais sejam os nossos problemas.

De repente, nos vemos falando que não acreditamos mais em nada, sejam nas amizades, em nossos potenciais e no ser humano.

Meus Deus! Onde eu estava quando me permiti sentir todos estes sentimentos? Quem ou quais pessoas tiveram este poder sobre mim?

Neste instante, não mais darei poder a qualquer pessoa que seja para tornar a minha vida um caos e amortecer-me com tamanha dose de infelicidade e solidão.

Sim, diante desta lamúria que me encontrei esqueci-me do meu criador, aquele que me desenhou com traços peculiares e primorosos e, para tanto, não me deixou dessecar no abismo, no qual, me encontrava.

E como sou a sua criação mais bela, mesmo naquele quarto escuro, achou-me, enviou a aquele fecho de luz para que não definhasse o fio de vida que havia em mim.

Agora percebo que muita circunstância poderia ter sido evitada, se eu tivesse tido um pouco mais de fé, se não tivesse deixado de viver pelo que a sociedade impera como verdades absolutas e soberanas.

Não! Não sou fraco ou desprotegido, sou um ser que pode e posso quebrar paradigmas da hipocrisia que impõem a mim e a minha existência.

E aqui parafraseando Clarice Lispector, ratifico suas palavras à minha vida: O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.

Só o que está morto não muda!

Eu posso, eu quero e vou viver!

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Telma Vidigal
Coordenadora e professora Assistente I no curso de Licenciatura em Pedagogia da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Ponte Nova-MG. Exerceu por 14 anos atuação profissional como supervisora Pedagógica em escolas públicas e, atuou também, como especialista da educação básica no Complexo Penitenciário de Ponte Nova. Trabalhou por 12 (doze) anos na Rede Salesiana de Ensino, sendo 09 (nove) anos como coordenadora Pedagógica e 03 (três) anos como Diretora Executiva. Foi analista pedagógica na Superintendência de Ensino de Ponte Nova-MG, Coordena Fóruns, Jornadas e Semanas Acadêmicas na FUPAC-Ponte Nova. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: educação-aprendizagem-rural, educação-natureza-vida, trabalhadores, pessimismo-realismo-interdisciplinaridade e educação. Foi redatora do Jornal Folha de Porto Firme durante 11 anos, em Porto Firme-MG. Escreve artigos para a revista Conexões do Saber pela Faculdade Presidente Antonio Carlos-FUPAC, direcionados à educação. Recebeu em 2018 O Prêmio Malala Yusafzai através do Movimento Educacional do 3° setor: Educação é o Alvo - Belo Horizonte, Minas Gerais.

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