Sou mineira, mas meu coração não é de ferro!

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Tragédia em Brumadinho
Tragédia - Brumadinho - MG

Tragédia anunciada! Mas, o raio não cai duas vezes no mesmo lugar, não é?! Mentira!

Sou mineira, mas meu coração não é de ferro. Brumadinho está em luto. O meu coração e o de todos os mineiros está despedaçado.

O homem tem desafiado as leis da natureza. A vida humana está banalizada. Os lucros são mais importantes do que tudo. Afinal, a economia depende disso.

Precisamos das mineradoras, dos empregos que elas geram, dos impostos que elas pagam…

Até que ponto seremos tão irracionais, covardes, omissos?

Quantas vidas mais serão necessárias para que acordemos?

O progresso só é sustentável quando respeitamos o meio ambiente.

Sou mineira de Congonhas, onde fica a maior barragem de rejeitos da América Latina, com capacidade 100 VEZES maior que a de Brumadinho.

Nossos corações estão em luto! Nossos pensamentos, confusos: raiva, revolta, dor, desespero, medo… Muito medo!

Será necessária mais uma tragédia para que sejam tomadas providências verdadeiramente sérias para preservar a vida humana?

A cidade de Congonhas está mobilizada, solidária à devastada Brumadinho.

Campanhas de todas as formas para socorrer àqueles que precisam; despedida precoce de amigos, parentes, conhecidos, que trabalhavam no Córrego do Feijão.

“Desaparecidos” é um nome menos chocante para tratar os nossos mortos.

Sim! Estamos falando de centenas de pessoas mortas.

Mas eu estou viva! E a minha voz não vai ser calar: chega.

A vida é que vale a pena!

Eu sou mineira, mas meu coração não é de ferro…

10 COMENTÁRIOS

  1. Arma de destruição em massa, esse é o verdadeiro nome dessas barragens das mineradoras! A barragem de Congonhas, da mineradora CSN, citada na matéria pela doutora Renata Adriane, tem a capacidade de matar mais de 1.500 pessoas em em menos de cinco minutos depois de rompida!
    Arma de destruição em massa esse é o verdadeiro nome!

  2. Renata, muito pertinente sua indignação! Suas palavras me representam. O que aconteceu não é um acidente, é um crime!
    Pena, que o presidente eleito é defensor da flexibilização das leis ambientais. Além disso, muitos políticos de Minas Gerais tiveram suas campanhas financiadas pelas empresas mineradoras. A lei continuara sendo a do lucro.
    Infelizmente, não vejo luz no fim do túnel. Outras barragens romperão.

    • Olá, Daiana! Vamos nos unir! A nossa voz não pode se calar. Independente das escolhas que o povo brasileiro já fez, a toda hora é possível mudar. Se não mudamos no amor, mudamos na dor!
      A vida vale mais. Vamos juntas!

  3. Triste assistir a esta tragédia anunciada! Quando aconteceu Mariana deveriam ter tomado medidas drasticas sem olhar a nomes. Mas o poder
    e a ganância foi maior.
    Estar a falar de qem está no poder a 27 dias!! Me desculpem,só pode ser piada de mau gosto. Deixe-me se de políticas e preconceitos nesta hora de dor e olhem para onde se pode encontrar uma solução!

  4. Acompanho com tristeza as reportagens sobre a tragédia de Brumadinho. Sabemos que não dá para acabar com a atividade minerária, mas deve haver alguma forma de se construir barragens mais seguras. É inaceitável que isso possa acontecer novamente. Por quê não são feitas avaliações constantes para evitar uma tragédia como essa? Espero que haja mais fiscalização e punição aos responsáveis.

    • Obrigada por se manifestar, Glacilene! Precisamos nos unir e cobrar do poder público que toda e qualquer atividade econômica aconteça com segurança. A vida uma não pode ser ceifada como se não fosse importante. Estamos vivos! E não podemos mais aceitar essa omissão.

  5. Excelente texto Renata com a humanidade que lhe é peculiar. Eu como uma profissional da área ambiental sei bem como as questões ambientais são tratadas com tamanho descaso pelos empreendedores. Quantas e quantas vezes escutei de gerente, coordenador e diretores a palavra “vamos correr o risco”, pode deixar vamos pagar a multa ou se for necessário para a produção vamos poluir o rio sim. Leis ambientais foram flexibilizadas sem o menor pudor. Minha monografia em direito ambiental trata justamente sobre esse tema. Todos os envolvidos tem culpa: poder público, mercado financeiro e empresas. O prejuízo é compartilhado e até quando? Basta de mortes. Queremos o artigo 225 da Constuição garantido e preservado. Vamos fazer nossa parte.

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