Transtornos Mentais e Comportamentais sob a óptica cristã – Parte II

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Transtornos Mentais e Comportamentais

Série Mal do Século XXI – Transtornos Mentais e Comportamentais sob a óptica cristã.

No capítulo anterior, descrevi os conceitos básicos dos transtornos mentais. Eles podem ser graves ou discretos. Nos segundos, os sintomas são mais imperceptíveis.

O sujeito funciona bem em todas as áreas, se mostra interessado e se envolve em várias atividades, se relaciona bem com os outros, comporta-se satisfeito com a vida de um modo em geral, e não apresenta grandes problemas e preocupações.

No outro extremo, temos sujeitos que apresentam pensamentos distorcidos, falha na comunicação, dificuldades de discernir a realidade, problemas de relacionamento, dificuldade de ajustamento social ou tendência a se envolverem em situações que ponham em risco sua integridade física, ou a de terceiros.

Os profissionais de saúde mental chamam de psicopatologia, o que o senso comum denomina doença mental, insanidade ou colapso nervoso.

A Associação Psiquiátrica Americana – APA, se utiliza do termo transtorno mental em seu Manual de Classificação de Transtornos Mentais – DSM-V. Faremos uso deste termo com mais frequência.

Como a maioria de nossos leitores não está familiarizado com tantos termos e tipos de transtornos, faremos deste espaço um local para familiarização de alguns destes termos, os sintomas da psicopatologia, as cousas gerais, além de estratégias interventivas aos pacientes e familiares.

Causas de Transtornos Mentais

Estresses e Predisposições

Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental Americano, dado a um instante de tempo qualquer, cerca de um a cada cinco adultos sofre de algum tipo de transtorno psiquiátrico. A gravidade vai desde uma crise de ansiedade a um quadro de esquizofrenia grave.

De algum modo esses transtornos atingem tanto homens como mulheres. As mulheres sofrem mais depressão e fobias, enquanto os homens têm mais problemas de toxicomanias e personalidade antissociais. As causas diferem de uma pessoa para outra e dependem do tipo de transtorno.

Embora não haja um caso igual a outro, os transtornos mentais geralmente decorrem de uma combinação de estresses que a pessoa está enfrentando no momento e de influências passadas que criam predisposição para o transtorno.

Os estresses atuais fazem parte da construção da vida capitalista. Quando este é associado aos estresses biológico, psicológico e social, os sintomas se tornam agravantes.

As predisposições, ao lado condições socioeconômicas aparecem como grande agente majorado.

Figura 2 – Suicídio, drogas e álcool

Principais Transtornos Mentais e Comportamentais – Tabela 1

Principais Transtornos Mentais e Comportamentais – Tabela 1

Pecado e Responsabilidade

Para alguns conselheiros e escritores cristãos, tal como Bruce Narramore, os transtornos mentais, são causados, principalmente, por pecados intencionais e conscientes que os indivíduos cometem e a pecaminosidade inata que faz parte da natureza humana.

Para Narramore, (1989), a responsabilidade tem duas possibilidades: ou ela pertence ao próprio indivíduo, ou pertence a própria pessoa.

Portanto, quando uma pessoa está totalmente transtornada, o problema pode vir de seus próprios atos pecaminosos e/ou de sua natureza pecaminosa; o responsável final pode ser ainda outro indivíduo.

Ele pode ser vítima, ou seja, sujeitado por um constructo biopsicossocial a uma relação de falta de direcionamento, ou escolher, por si próprio, de forma consciente, caminhos que lhe trarão péssimos resultados, levando assim esse sujeito a “perder o alvo” do equilíbrio e da sanidade mental.

Suicídio

Às vezes, as pressões da vida aumentam tanto que alguns indivíduos decidem colocar um ponto final em sua existência. Muitos ruminam suas intenções suicidas por muito tempo.

Esses atos suicidas são repentinos, impulsivos e aleatórios (embora haja alguns exemplos trágicos, como epidemias de suicídios de adolescentes, que ocorrem quando um suicídio atrai tanta atenção que faz com que outros adolescentes decidam fazer algo semelhante – Collins, 2004).

É provável que a maioria das pessoas que intentam ou realmente realizam o suicídio não tenham transtorno mental.

Por que será que essas pessoas recorrem a autodestruição?

Vamos a algumas razões:

  • Fugir da solidão, do desespero, de problemas com os pais, da depressão, de fracassos escolares ou profissionais, de dificuldades financeiras ou conflitos com outras pessoas;
  • Castigar os sobreviventes, fazendo com que sofram e se sintam culpado;
  • Atrair atenção;
  • Manipular os outros (ameaça de suicídio);
  • Juntar-se a um ente querido que já morreu;
  • Evitar algum castigo;
  • Punir-se por determinada culpa;
  • Não ser um peso para os outros;
  • Evitar sofrimento e/ou efeitos de uma doença terrível ou crônica;
  • Desejo de se tornar um mártir.

Algumas destas causas citadas nem mesmo parecem lógicas. Não existe nenhuma garantia, por exemplo, de que um suicida irá se encontrar com um ente querido que morreu, nem mesmo se chamará a atenção de quem se intenciona ou se transformará em um mártir de fato.

Contudo, os suicidas não têm pensamentos lógicos. Ainda que mergulhados em meio a muitas crises, algumas pessoas agem de acordo com bom senso e com altruísmo para vencer as angústias.

Já os suicidas parecem ter uma percepção da realidade baseada na fantasia e ideais utópicos.

Nem mesmo a roleta russa faz sentido. Os suicidas desta estirpe flertam com o perigo. Para eles a morte soa como algo remoto e improvável. Muitos brincam com armas carregadas e de “rachas” por causa da adrenalina.

Não podemos entender estas percepções e razões para este tipo de comportamento enquanto não compreendermos as razões sob a óptica dos envolvidos na questão.

O que parece ilógico e tolo para um observador externo, pode parecer muito mais justificável sob a vista do sujeito em ação.

No próximo capítulo, falaremos mais sobre os efeitos dos transtornos mentais, como evitá-los, e quais os possíveis aconselhamentos às famílias em questão.

Espero vocês em breve!

Chris Viana, é Psicóloga Comportamental Focada em Esquemas de Personalidade, Teóloga e Pesquisadora Antropocultural.

Em caso de Intenções Suicidas ligue: 188 – Centro de Valorização da Vida

cvv
Centro de Valorização da Vida – CVV

Referência Bibliográfica

  • Centro de Valorização da Vida
  • BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.
  • Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders – DSM-5. 5th.ed. Washington: American Psychiatric Association, 2013. DSM-IV-TRTM – Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. trad. Cláudia Dornelles; – 4.ed. rev. – Porto Alegre: Artmed,2002.
  • CID-10 Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 10a rev. São Paulo: Universidade de São Paulo; 1997. vol.2. 6. Organização Mundial da Saúde.
  • Dalgalarrondo, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais – 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
  • Colins, Gary R. Aconselhamento Cristão: ed. Século 21. Trad.: Lucília Marques Pereira da Silva. São Paulo: Vida Nova, 2004.
  • Shorter, E. (1997). Uma história da psiquiatria: da era do asilo à era do Prozac. Nova Iorque: John Wiley & Sons, Inc, p. 277.
  • Narramore, C. Psychology For Living Fall .2015. 57 No. 1

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