Uma experiência teatral que provoca emoções, memórias e questionamentos sobre identidade e relacionamentos
Dois de Nós apresenta no palco emoções e reflexões sobre identidade, relações e mudanças que surgem quando o “nós” começa a transformar o “eu”.
Eu fui ao teatro esperando assistir a uma peça. Voltei para casa carregando perguntas sobre relacionamentos, tempo e identidade.
Além disso, pensei sobre aquilo que sobra quando o “nós” começa a engolir o “eu”.
Estive no TUCA – Teatro da PUC-SP para viver a experiência completa da peça Dois de Nós.
Ali houve bastidores, espetáculo e bate-papo com o elenco.
Sempre faço questão de reforçar.
O que escrevo nasce da minha forma de sentir o mundo.
É o meu olhar. Minha lente. Meu jeito de atravessar o que vejo.
Portanto, o convite é simples: caminhar comigo por essa experiência.
A ansiedade começou antes da cortina abrir
Quando comprei o ingresso, uma frase estava em destaque quase ameaçador.
Não é permitida a entrada após o início do espetáculo.
Aquilo me deu um leve pânico.
Eu não queria perder nada.
Cheguei cedo, bem cedo.
Essa decisão mudou totalmente minha experiência com Dois de Nós.
Os bastidores começavam 1h30 antes da peça.
Fui recebido por um colaborador do teatro com uma educação marcante.
Isso me fez pensar que gentileza deveria ser o padrão no Brasil.
Havia atenção, cuidado e pequenos gestos que já colocavam a gente no clima.
Enquanto aguardávamos, dava para sentir o ambiente.
Havia expectativa no ar, conversas baixas e olhares curiosos.
O público era majoritariamente feminino.
Muitas mulheres acima dos 50 anos estavam presentes.
Ainda assim, havia uma energia quase adolescente.
Era a mistura de nervosismo e empolgação de quem viveria algo especial.
Quando o passado volta — e você nem percebe
Entramos no teatro e fui atravessado por uma memória antiga.
Eu criança, minha mãe me levando para assistir peças infantis.
Senti a mesma sensação no estômago.
O mesmo cheiro do teatro voltou.
Aquele friozinho bom reapareceu.
O teatro tem esse poder de transportar no tempo.
Fomos acomodados em duas fileiras.
Gustavo, da produção, deu as primeiras orientações.
Então aconteceu o momento que mudou o clima do grupo.
Entrou Antonio Fagundes.
Não o personagem.
O ator.
Ali, a poucos metros, sem a barreira da televisão.
Era possível sentir a respiração acelerada de uma senhora ao meu lado.
Mãos trêmulas mostravam a emoção.
O público ainda processava o que estava acontecendo.
Fagundes fez um quebra-gelo simples.
Perguntou de onde as pessoas vinham.
Em seguida, entregou algo muito maior.
Ele falou da origem do teatro na Grécia.
Comentou rituais e cumprimentos aos artistas.
Explicou a evolução das salas teatrais.
Foi uma aula de história do teatro.
Tudo foi contado de forma leve e íntima.
Ali percebi que não era apenas uma visita guiada.
Eu estava diante de alguém que vive o teatro como missão.
A coxia: onde a mágica se prepara
Seguimos para a coxia.
Para quem ama teatro, é como entrar na engrenagem do encantamento.
Cabos e estruturas estavam por toda parte.
O silêncio era concentrado.
Fagundes explicou os três sinais do teatro.
Esse ritual quase nunca é percebido pelo público.
Ele falou com o brilho de quem respeita cada etapa da arte.
Depois dividimos os grupos.
Parte foi aos camarins.
Outra ficou com Thiago Fragoso, que contou “piadas”.
Quando chegou minha vez, encontrei Alexandra Martins nos recebendo.
Ouvi uma senhora comentar baixinho que imaginava algo maior.
Sorri ao ouvir.
O imaginário cria palácios.
Porém, o teatro vive de espaços reais e humanos.
O palco visto de dentro muda tudo
Subimos ao palco.
As luzes acesas estavam sobre nossas cabeças.
O calor delas era real.
Quase físico.
Ficamos de frente para a cortina fechada.
Quando ela se abriu, vi a plateia de um ângulo inédito.
A cabine técnica estava lá no fundo.
Pequena, mas comandando luz e som.
Ali entendi algo essencial.
O teatro é um pacto coletivo.
Muita gente trabalha para que uma história respire por 90 minutos.
Tiramos fotos com o elenco.
Para quem ama artistas, palco e processo, isso é um presente.
A peça começa — e o riso toma conta
A apresentação começou rigorosamente às 20h.
Ninguém entrou depois.
Foi um respeito raro com quem estava pontualmente.
Dois de Nós é classificada como comédia.
Entretanto, é do tipo que ri enquanto cutuca feridas.
O texto de Gustavo Pinheiro é inteligente e afiado.
Ele traz observações profundas sobre a vida a dois.
No palco estavam gigantes.
Christiane Torloni, Antonio Fagundes e Thiago Fragoso.
Minha grande surpresa foi Alexandra Martins.
Eu sabia o que esperar dos outros três.
Dela, fui surpreendido.
Presença, timing e força.
Espetacular.
A plateia não se conteve.
A peça foi interrompida três vezes por aplausos espontâneos.
Gargalhadas ecoavam continuamente.
Porém, no meio do riso, vinham falas que faziam engolir seco.
O que a peça me fez pensar
Enquanto ria, eu pensava.
Quantas vezes a gente se adapta até não se reconhecer?
Dois de Nós fala disso.
Fala da rotina que vira silêncio.
Fala do amor que existe, mas não resolve tudo.
Mostra a identidade se diluindo.
A peça não julga.
Não aponta vilões.
Mostra duas pessoas tentando entender o que aconteceu.
O “nós” um dia foi forte.
Agora precisa ser revisto.
Quando o teatro vira espelho espiritual
Enquanto eu ria e me emocionava com Dois de Nós, outra camada surgiu.
Formou-se uma leitura espiritual.
A peça fala de relacionamento e desgaste.
Entretanto, olhando mais fundo, fala de reforma íntima.
Quantas vezes percebemos que mudamos, mas agimos como antes?
Quantas relações acabam por falta de crescimento emocional?
Os personagens estão presos a padrões antigos.
Eles tentam dialogar com uma realidade nova.
Isso não é só sobre casal.
É sobre a alma humana.
Saí pensando que todos os dias podemos reescrever nossa história.
Sempre existe a chance de fazer diferente.
A peça me lembrou de três verdades.
Ninguém é o mesmo de cinco anos atrás.
O outro não é obrigado a continuar sendo quem era.
Crescer dói, mas ficar parado dói mais.
Lições de empreendedorismo que surgem do palco
Pode parecer curioso.
Porém, saí da experiência com uma leitura forte sobre empreendedorismo.
Depois do espetáculo havia produtos à venda.
Canecas autografadas e livros estavam disponíveis.
Isso revelou uma estratégia clara.
A experiência é o produto principal.
O resto é extensão.
Eles não vendem apenas ingressos.
Vendiam memória.
Autoridade gera desejo.
Bastidores também são conteúdo.
Marca pessoal é ativo poderoso.
Valor não se explica.
Valor se sente.
Nesse quesito cabe uma nova matéria somente sobre isso.
Arte, alma e negócios — tudo conectado
Saí do teatro com três camadas de aprendizado.
Artística, espiritual e empreendedora.
Percebi que a peça falava de relacionamentos.
Contudo, também falava de evolução.
Pessoal, emocional e profissional.
Talvez a grande mensagem tenha sido está.
A vida, como o teatro, sempre oferece um novo ato.
Cenas da peça
Ficha Técnica
- Texto: Gustavo Pinheiro
- Direção: José Possi Netto
- Assistente de Direção: Antonio Fagundes
- Elenco: Antonio Fagundes, Christiane Torloni, Thiago Fragoso e Alexandra Martins
- Figurinos e Cenários: Fábio Namatame
- Desenho de Luz: Wagner Freire
- Produção: Antonio Fagundes
- Produção Executiva: Alexandra Martins
Informações Gerais
- Gênero: Comédia
- Duração: 90 minutos
- Classificação: 12 anos
- Local: TUCA – Teatro da PUC-SP
Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes
Capacidade: 672 lugares - Temporada: até 31 de maio de 2026
Sexta 21h | Sábado 20h | Domingo 17h
⚠️ O espetáculo começa rigorosamente no horário e não é permitida a entrada após o início.
Não foi só uma ida ao teatro. Foi uma viagem pela arte, pela memória, pelo riso e pelas perguntas difíceis que moram dentro das relações humanas.
“Dois de Nós” fala de casais. Mas, no fundo, fala de todos nós.
FAQ – Perguntas Frequentes
- Sobre o que é Dois de Nós?
Reflete sobre relacionamentos e identidade. - É só comédia?
Não. Mistura humor e reflexão. - Qual o foco central?
Transformação pessoal dentro das relações. - Gera identificação?
Sim, de forma intensa. - Traz mensagem espiritual?
Sugere crescimento interior. - É atual?
Extremamente atual. - Impacta emocionalmente?
Sim, alternando riso e introspecção. - Ensina algo além da arte?
Sim, sobre experiência e valor. - O texto é profundo?
Muito, sem ser pesado. - Vale a experiência?
Sem dúvida.
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