O mito do capitalista explorador e a realidade de quem sustenta empregos, salários, impostos e riscos num Estado que consome mais do que devolve
Empresário não é vilão, mas foi transformado em bode expiatório de um sistema que ignora riscos, investimentos e responsabilidades assumidas por quem empreende, gera empregos e sustenta uma máquina estatal cara, ineficiente e desigual.
A falácia do vilão capitalista
Durante décadas, construiu-se a narrativa de que o empresário seria o vilão do capitalismo.
Entretanto, essa ideia ignora fatos econômicos, sociais e tributários objetivos.
Na prática, o empresário assume riscos patrimoniais, jurídicos, trabalhistas e fiscais diariamente.
Além disso, responde por empregos, salários, benefícios e estabilidade financeira de famílias inteiras.
Empresário não é vilão, pois sem ele não há geração de riqueza, renda, arrecadação ou crescimento econômico sustentável.
Ainda assim, o discurso simplista prefere apontar culpados fáceis, desviando o foco do verdadeiro problema estrutural.
O trabalhador e o peso invisível dos impostos
Tomemos como base um trabalhador formal que recebe R$ 4.000,00 mensais, casado, com esposa e dois filhos, sendo o único provedor (formal) da família, pois a esposa muitas vezes trabalha como diarista ou na informalidade para complementação da renda.
A renda parece razoável, mas o consumo revela uma carga tributária silenciosa e constante.
Despesas mensais e impostos embutidos:
| Água |
R$ 150,00 |
Tributos aproximados: 25% → R$ 37,50 |
| Energia elétrica |
R$ 300,00 |
ICMS, PIS, COFINS: cerca de 40% → R$ 120,00 |
| IPTU |
R$ 110,00 |
Imposto direto: 100% imposto |
| Telefonia e Internet |
R$ 250,00 |
Carga média de 40% → R$ 100,00 |
| IPVA |
Anual – R$ 800,00 Mensal – (R$ 66,67 |
Imposto direto: 100% imposto |
| Combustível |
R$ 600,00 |
Tributos médios de 45% → R$ 270,00 |
| Mercado e hortifrúti |
R$ 1.500,00 |
Tributos médios de 30% → R$ 450,00 |
| Educação privada |
R$ 1.000,00 |
Impostos indiretos estimados: 20% → R$ 200,00 |
| Total apenas destas despesas |
R$ 3.976,67 |
Média R$ 1.364,17 |
Total de impostos pagos pelo trabalhador
Somando tributos diretos e indiretos, esse trabalhador paga aproximadamente:
- R$ 1.364,17 em impostos por mês
- Equivalente a 34,10% do salário bruto
Ou seja, mais de um terço do trabalho mensal financia o Estado.
Empresário não é vilão, pois quem retém grande parte da renda do trabalhador não é o empregador.
O custo real de um funcionário para o empresário
Agora, observe o outro lado da equação: o empregador.
Para pagar um salário bruto de R$ 4.000,00, o empresário precisa arcar com encargos obrigatórios.
Encargos sobre a folha de pagamento:
| INSS patronal |
20% → R$ 800,00 |
| FGTS |
8% → R$ 320,00 |
| FGTS adicional (rescisório) |
3,2% → R$ 128,00 |
| RAT (1% a 3%) |
média 1% → R$ 40,00 |
| Sistema S (SESI, SENAI, SESC, SENAC) |
5,8% → R$ 232,00 |
Benefícios e direitos trabalhistas provisionados
| 13º salário |
1/12 → R$ 333,33 |
| Férias + 1/3 constitucional |
R$ 444,44 |
Custo total mensal do funcionário
|
Item |
Valor (R$) |
| Salário bruto |
4.000,00 |
| Encargos sociais |
1.520,00 |
| Férias provisionadas |
444,44 |
| 13º salário provisionado |
333,33 |
| Custo total mensal |
6.297,77 |
O funcionário recebe R$ 4.000,00, mas custa R$ 6.297,77 ao empresário, sem incluir Benefícios como Seguros e Planos Funerários, Vale Transporte, Vale Alimentação, Vale Refeição, Assistência Médica entre outros.
Percentual real do custo trabalhista
- O custo adicional representa 57,44% sobre o salário.
- Mais da metade do valor não vai para o trabalhador.
Esse montante financia o Estado e suas estruturas.
Empresário não é vilão, pois ele não define essas regras.
Fiscalizações, riscos e insegurança jurídica
Além dos custos, o empresário enfrenta:
- Fiscalizações constantes
- Multas elevadas
- Legislação trabalhista complexa
- Insegurança jurídica
- Ações oportunistas
- Sindicatos predatórios
- Passivos trabalhistas imprevisíveis
Mesmo cumprindo a lei, permanece vulnerável.
Quem realmente se beneficia do sistema?
Enquanto trabalhador e empresário lutam para sobreviver, o Estado cresce.
- Salários públicos elevados
- Benefícios vitalícios
- Estruturas inchadas
- Baixa eficiência
- Retorno social insuficiente
A conta recai sobre quem produz.
Empresário não é vilão, mas sim um dos principais financiadores do sistema.
Onde está o verdadeiro vilão?
O vilão não gera empregos.
Não assume riscos.
Não investe capital próprio.
O vilão consome recursos alheios e entrega pouco em troca.
Referências de consulta
- IBPT – Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação
https://www.ibpt.org.br - Receita Federal do Brasil
https://www.gov.br/receitafederal - DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística
https://www.dieese.org.br
FAQ – Perguntas Frequentes
- Empresário explora o trabalhador?
Não. Ele remunera conforme regras impostas pelo Estado. - Quem paga a maior parte dos impostos?
Empresas e consumidores, indiretamente. - O salário pago é o custo real?
Não. Encargos elevam o custo em mais de 57%. - O empresário define os tributos?
Não. Apenas cumpre a legislação vigente. - O trabalhador percebe quanto paga de impostos?
Geralmente não, pois são embutidos no consumo. - O Estado devolve em serviços?
De forma limitada e ineficiente. - Empreender no Brasil é arriscado?
Sim, devido à carga tributária e insegurança jurídica. - Quem sustenta a máquina pública?
Empresários, trabalhadores e consumidores. - Reduzir impostos gera desemprego?
Não. Pode estimular investimentos e contratações. - Empresário é vilão social?
Não. É agente econômico essencial.
- Gerson Ricardo Garcia
- Jornalista MTb 9460-PR – Ceo da aEmpreendedora
- Pesquisador Científico ORCID – (Open Researcher and Contributor ID) nº 0009.0009-2525-3817
- LinkedIn: Gerson Ricardo Garcia
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