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Qualidade de vida Europeia

Qualidade de vida Europeia

A política do desenvolvimento humano no velho continente

Qualidade de vida Europeia, assim como no resto do mundo, é medida pelo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), criado em 1990 pela ONU.

Antes dessa data, o único instrumento de medida da qualidade de vida dos países era o PIB (Produto Interno Bruto), ou seja, a renda per capita da população. Porém, dada a péssima distribuição das riquezas, principalmente nos países considerados de 3º mundo, essa classificação não retratava a realidade objetiva da população.

Portanto, a partir de 1990, a ONU acrescentou outros dois fatores para uma melhor classificação. São eles: o nível de escolaridade e a expectativa de vida da população; e criou um valor de medida que vai de 0 a 1, ou seja, quanto mais próximo do 1, mais alta é a qualidade de vida.

A própria instituição das Nações Unidas considera que o IDH, assim concebido até o momento, ainda não é fiel à realidade objetiva. Mas, fazendo uma análise generalizada, podemos dizer que os países europeus têm o IDH bem elevado, estando 13 deles na TOP 20 de todos os países do mundo.

Com um IDH de 0,957, a Noruega lidera a lista dos países com maior qualidade de vida do mundo. Com suas reservas de petróleo, controladas pelo governo, o país reverte o lucro para a sua população investindo grandes somas no sistema de saúde e educação públicos.

Em seguida vem a Suíça, que por ser um dos mais importantes e históricos paraíso fiscal do mundo, o país famoso pelos seus Alpes, relógios e neutralidade político socioeconômica, ganha o segundo lugar, junto com a Irlanda, em qualidade de vida com um IDH de 0,955.

Entre potencias industriais, como a Alemanha (5º lugar no ranking europeu, 6º lugar no ranking mundial), e investidores de países precários, como a Suécia (6º lugar), temos também a Bélgica (11º lugar), que por ser o centro político europeu, atrai muitos investimentos internacionais.

Na tabela mundial, o Brasil se encontra em 84º lugar, perdendo para a Bósnia (73º), Sri Lanka (72º), Iran (70º), Cazaquistão (51º), entre outros países considerados politicamente e socialmente problemáticos. (Fonte: Human Development Report Office 2020).

Mas o que realmente representa qualidade de vida? Na vida do dia a dia, nas nossas relações, nos nossos pensamentos e nas nossas emoções? Por que tem tanta gente em depressão chorando sob lençóis de seda? Por que o índice de suicídios é tão alto nos países com um IDH superior?

Qualidade de vida não é somente ter uma certeza material, que seja na saúde ou no bolso, é uma relação íntima do que temos por fora com todo o mundo que temos dentro de nós mesmos. Em poucas palavras: não, o dinheiro não traz felicidade. No máximo nos dá aquela falsa segurança de estabilidade material que pode ser refletida no nosso estado emocional por um período mais ou menos curto.

Como podemos justificar esse processo de desiquilíbrio psicofísico em sociedades tão materialmente e socialmente desenvolvidas?

Peguemos o país mais central e um dos mais ricos como a Suíça, por exemplo, e fazendo um pequeno estudo de como a sociedade se desenvolve desde a infância de seus habitantes, podemos tirar algumas somas sobre esse fenômeno.

A partir dos 4 até os 6 anos de idade as crianças iniciam a escolarização obrigatória frequentando a pré-escola. E até aqui nada de especial. Aos 6 anos iniciam a escola elementar, e aqui também pouco muda. Porém, quando iniciam o 1º grau do ensino fundamental, a dinâmica tende a tomar outra direção de ano em ano.

Conforme os anos se passam, os alunos são etiquetados segundo o rendimento escolar e divididos em classes separas: os mais inteligentes são colocados na Classe A os médios, na B e assim por diante, condicionando, desde cedo, o destino formativo da criança.

Terminado o 1º grau, a obrigatoriedade escolar também termina. Portanto, os alunos etiquetados como os “mais inteligentes” são levados a continuar sua formação no 2º grau sempre considerando o rendimento escolar, e os que tiverem notas mais altas frequentam colégios mais prestigiosos.

Porém, o que acontece com os alunos de “segunda, terceira, quarta categoria”? Esses alunos, com apenas 14 ou 15 anos de idade, iniciam uma formação profissional na área que discernirem ser a mais adapta a eles. Profissões como encanador, eletricista, pedreiro, cozinheiro, etc.

Dentro desse sistema, existem leis não escritas, pensamentos não expressos e palavras não ditas. Existe a ideia do esquema social onde o vértice da pirâmide governamental especula sobre a falta ou excesso de determinadas mãos de obra especializadas ou profissionais de diversas áreas. Ou seja, a questão é: o que teremos para os próximos 25 anos no nosso território?

Partindo desse fato (mais ou menos justificável) fica mais simples pintar um quadro social de uma nação e compreender (em partes) seu total desiquilíbrio sócio emocional, formado por adultos bem pagos, porém extremamente frustrados; com uma população que vive dentro da “caixinha” completamente condicionados desde tenra idade.

Certamente essa é somente uma análise superficial daquilo que podemos considerar a ponta do iceberg, pois está bem claro para todos que o que determina qualidade de vida e estado emocional de uma população depende de diversos fatores.

Estando eu imersa nesse universo e procurando abrir o melhor caminho para meus filhos nascidos na Suíça e em idade escolar, pude observar de perto como funciona esse sistema e encontrar alternativas para crescer adultos que estejam fora dessa “caixinha” e que possam trilhar seus caminhos com total autonomia e consciência.

Na “minha” sociedade ideal nada falta aos seus cidadãos, o respeito recíproco faz parte do Ser Interior de cada um, existe um grande senso de responsabilidade individual e coletivo; e acima de tudo, o Ser é mais importante que o Ter.

Cresçamos com esse sonho (talvez utópico para alguns) oferecendo para as futuras gerações o direito de construir algo que permita a eles de correr atrás da própria felicidade que não significa necessariamente ser o melhor, ganhar prêmios, ostentar bens materiais; significa fazer algo que ama para o próprio sustento, se aceitar e ser aceito sem julgamentos.

Como dizia o filosofo e fundador da pedagogia Waldorf, Rudolf Steiner: “A nossa mais elevada tarefa deve ser a de formar seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmos, encontrar propósito e direção para suas vidas.”

Vídeo Qualidade de vida na Europa

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Karla Rossette

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