Legado de Serviço, Saúde e Liderança Pública
Borges Da Silveira – O Ícone do Paraná representa a síntese rara entre vocação, competência técnica e compromisso social.
Sua trajetória transcende cargos e mandatos, consolidando-se como um exemplo de liderança ética, visão estratégica e dedicação permanente ao bem comum, especialmente na área da saúde pública e do desenvolvimento regional.
Texto de – Antônio Pellizzetti
Borges Da Silveira – O Ícone do Paraná
Há homens que passam pela vida como quem cumpre uma agenda: horários respeitados, tarefas concluídas, páginas viradas sem deixar vestígios.
E há outros que atravessam o tempo como quem grava o próprio nome no solo da história, deixando marcas que não se apagam com o vento das décadas.
Luiz Carlos Borges da Silveira pertence, sem dúvida, a este segundo grupo. Nascido na Lapa, em 21 de abril de 1940, cresceu sob o olhar atento e formador de Darcy e Maria Helena.
Foi no ambiente familiar que aprendeu, ainda cedo, que servir não era um conceito abstrato nem um discurso elegante, mas um gesto concreto, cotidiano, quase silencioso.
Servir significava estar presente, assumir responsabilidades e compreender que o bem comum começa nas pequenas escolhas. Talvez por isso tenha escolhido a Medicina. Talvez por isso jamais tenha conseguido separar o bisturi do compromisso social.
Formado pela Universidade Federal do Paraná, Borges da Silveira percebeu, ainda jovem, que curar corpos era apenas parte da missão. Para que a saúde fosse plena, era preciso cuidar das estruturas, organizar sistemas, planejar políticas públicas e enfrentar desigualdades históricas.
Ele entendeu cedo que a doença, muitas vezes, nasce da ausência do Estado. Foi em Pato Branco que sua trajetória ganhou contornos de destino. Ali, o médico recém-formado não se limitou ao consultório.
Enxergou uma cidade em crescimento, uma região carente de estrutura e uma população que precisava de mais do que atendimentos pontuais.
Nunca me esqueço — amigo que fui e sou de Borges da Silveira — de um episódio revelador de sua forma de pensar. Disse-me ele certa vez: “Pellizzetti, fui aprovado no vestibular da Universidade Federal porque eu era bom em matemática. Usei a regra de três em várias questões, e foi isso que me levou à aprovação.”
Era o retrato de um homem prático, racional, que via soluções onde outros viam obstáculos. Em Pato Branco, ajudou a construir a Policlínica, que se tornaria referência nacional. O hospital não era apenas um prédio de concreto e corredores brancos; era um símbolo.
Um símbolo de que o interior também podia ser centro, de que a excelência não precisava migrar para as capitais para existir. A região passou a enxergar naquele médico um líder natural — alguém que escutava antes de decidir, decidia antes de agir e assumia, sem hesitação, o peso das consequências.
Sua liderança não se impunha pela voz alta, mas pela coerência rara entre palavra e prática. A política veio quase como consequência. Vice-prefeito, deputado federal por três mandatos, líder respeitado no Congresso Nacional, Borges da Silveira levou para Brasília a experiência de quem conhecia o chão batido das cidades pequenas e os corredores silenciosos dos hospitais públicos.
Na Câmara, destacou-se não pelo discurso fácil ou pela retórica inflamada, mas por uma capacidade cada vez mais rara: articular, planejar e insistir. Insistir quando o projeto era bom. Insistir quando o interesse público exigia paciência.
Quando José Sarney o convidou para o Ministério da Saúde, o Brasil enfrentava desafios imensos. O sistema era fragmentado, as campanhas de prevenção careciam de alcance e a confiança da população precisava ser reconstruída.
Foi nesse cenário que nasceu uma das imagens mais fortes da saúde pública brasileira: o Zé Gotinha. Um personagem simples, quase infantil, mas carregado de futuro. Por trás da mascote havia uma convicção profunda: saúde também se constrói com comunicação, empatia e prevenção.
Vacinar não era apenas aplicar uma dose; era educar, convencer, acolher. Milhões de crianças vacinadas depois, o boneco transformou-se em memória afetiva nacional — e em prova concreta de que políticas públicas podem ser humanas, próximas e eficazes.
Mas Borges da Silveira não se encerra no cargo de ministro. Sua atuação espalha-se pelo ensino, pela criação de escolas técnicas integradas à comunidade agrícola, pelo incentivo à ciência e pela defesa obstinada do desenvolvimento regional. Sempre guiado pela mesma lógica: não há progresso real sem inclusão, nem crescimento duradouro sem educação.
Em 1990, era o candidato natural ao Governo do Estado do Paraná. Ainda assim, optou por apoiar José Carlos Martinez, assumindo a coordenação da campanha. O adversário era Roberto Requião. Martinez chegou ao segundo turno impulsionado pela chamada “onda Collor” e esteve muito próximo da vitória, mas acabou derrotado.
Mais uma vez, a decisão de Borges da Silveira revelou seu perfil: mais preocupado com projetos e alianças do que com vaidades pessoais. Passou por partidos, conselhos, secretarias e universidades sem jamais perder a identidade essencial: a de servidor público, no sentido mais literal e profundo da palavra.
As condecorações que recebeu — nacionais e internacionais — não cabem numa única prateleira. São medalhas, comendas e títulos que reconhecem uma trajetória rara.
Ainda assim, talvez o maior reconhecimento seja invisível: o respeito silencioso de quem foi atendido, vacinado, educado ou simplesmente ouvido por políticas que levaram sua assinatura.
Hoje, ao se falar em Borges da Silveira, não se fala apenas de um médico ou de um político. Fala-se de um ícone construído na soma de gestos persistentes. De um homem que compreendeu que o Brasil não se muda de um dia para o outro, mas se transforma quando alguém decide cuidar — de gente, de ideias e de futuros.
Ele é um vencedor. Não porque venceu eleições ou cargos, mas porque venceu o tempo, deixando um legado que continua a trabalhar mesmo quando seu nome não é citado.
Lição:
“Quem planta árvores sabendo que não se sentará à sua sombra já entendeu o verdadeiro sentido da grandeza.”
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