Híbridos – Conto de Luiz Amato

Híbridos – Conto de Luiz Amato

Para um simples observador, o local parecia um hospital escola

Híbridos – Todas as estruturas, tanto externas como internas, eram de um material similar ao plástico de cor cinza e alta resistência.

O asseio nas dependências era total. Roupas, quando necessárias, apresentavam um branco imaculado.

Sim, enganaria quaisquer espectadores de passagem, mas a falta de estradas ou caminhos de acesso e a localização no meio do nada, deixava claro que estavam enganados.

CURW-1. Essa era a sigla do Centro Avançado de Pesquisas, operado pelos ertulianos ¹, na quarta lua do planeta Wons.

Um “consórcio” de raças, eram os mantenedores da operação. Arcadianos, Andrômedos, Macesus, Noifileicos, Reptilianos, Sendensus-Ertulianos e Zardinideos.

Durante anos eles usaram um planeta, distante a milhares de anos-luz, como fonte de material genético, para as mais complexas experiências, que lá se desenrolavam.

Mas uma desagradável descoberta, levara-os a uma situação incomoda. O resultado genético obtido para a melhoria das raças, não servia para nenhuma delas. Era uma conclusão definitiva. Providências foram tomadas.

A reunião dos líderes do consórcio, se estendia, na sala habilitada para a presença de todos.

O arcadiano Dorpht, tomou a palavra:

– Como foi possível que nos enganássemos dessa forma? Tínhamos o controle total das operações, dos resultados. Toda nossa intelectualidade e conhecimento foram usadas no projeto.

 

Gropo, dos macesus, pediu a palavra:

– A minha lógica diz que temos um “contra” entre nós. Alguém que transformou o nosso resultado favorável aos nossos inimigos, em especial os homolanos. Devemos declarar guerra a esse grupo.

 

Manifestações de apoio se fizeram presentes.

– Eu entendo a necessidade de uma resposta, mas temos uma urgência a resolver – Laniva, representante dos andrômedos levantou-se – O que faremos com os híbridos?

Silêncio geral. Ela continuou:

– Nós fizemos um juramento, quando decidimos usar a transluzdição ², para colher material genético naquele planeta. Todos os habitantes transluzdisidos e os híbridos resultantes, nunca sofreriam nenhum mal.

 

Gropo esmurrou a mesa – Por infelicidade eu fui voto vencido nessa discussão.

Laniva desconsiderou o comentário – Então senhores. O que faremos?

– Não adianta mais argumentos. Temos que tomar uma decisão – interveio Dorpht – para isso nos reunimos.

– O centro será mesmo destruído? Isso se faz necessário? Tenho minhas dúvidas.

Sim Momh, tudo deve ser apagado, para que não sobre possibilidades de aproveitamento pelos nossos inimigos – o reptiliano concordou.

A discussão prolongou-se. A promessa seria quebrada, se não fosse a postura de Dorpht.

No final, uma solução foi acordada. Os híbridos seriam conduzidos ao planeta de sua origem genética e lá deixados.

Laniva fora a última a aceitar o acordo. Ela contestara que não deveriam só deixá-los e partirem. Era necessário introduzi-los na vida planetária.

– Eu entendo sua preocupação, afinal são quase uma centena de híbridos, com as mais diversas idades e aparências, mas estamos de mãos atadas. Temos uma possível guerra à frente.

 

Diante dessa perspectiva, ela concordou.

Todos os preparativos para a viagem foram elaborados. Uma nave transporte foi solicitada. A tripulação seria exclusiva de ertulianos com o comando do experiente Gevort.

Na data prevista, todos os híbridos embarcaram. Seria uma longa viagem.

Os primeiros dois terços da jornada transcorreram tranquilos. Nenhum tipo de incidente, seja com a nave, tripulação ou os passageiros, ocorrera.

A equipe de ertulianos, responsável por cuidar do bem-estar dos híbridos, desenvolveu um forte laço de confiança. Dao-tera e sua esposa Vea eram adorados por todos.

Brincadeiras, canções e até teatro, dentro da possibilidade de movimentação de alguns, eram parte do cotidiano. Rrerrendovarr e sua companheira Arrarr participavam de todas as atividades.

Avenga, um híbrido fêmea, de constituição física igual aos ertulianos, porém de pele escura, era o contato com o restante da tripulação.

Ela se preocupava com o desembarque, como seriam os primeiros dias em um planeta desconhecido e com densa população.

– Você tem conversado com todos, sobre o que fazer quando lá chegarem?

– Sim comandante, mas é difícil crer que todos terão chances. Que poderemos com o tempo nos integrar.

– Essa situação foi considerada, Avenga, e infelizmente nada podemos mudar.

– É isso o que me preocupa. A constituição genética do nosso grupo é de alta variedade.

Ele não respondeu.

– Outra coisa. Pelo que me foi informado, todos os habitantes do planeta se alimentam pela boca, o que não é comum para mais da metade dos nossos.
Pode ter certeza que se formos deixados sem nenhuma ajuda, a maioria não conseguirá.

Faltavam poucos dias para chegarem. A tensão se fazia presente.

Gevort descansava em sua cabine, quando um forte solavanco, seguido de um estrondo jogou-o ao chão. De pronto se levantou, correndo para a ponte de comando.

– Senhor estamos sendo atacados. Vejo quatro naves…

O navegador não completou a frase, uma explosão eclodiu na sala.

Era um ataque maciço. A nave aguentaria? Até quando?

Não existia uma razão lógica para o ataque. Era provável que fossem as chamadas “bestas espaciais”, uma raça errante, que tinha como padrão destruir o que visse pela frente.

Em um último esforço, o comandante conseguiu acelerar ao máximo, salvando o transporte de destruição total.

Na ala dos híbridos o estrago fora grande. Vários haviam morrido ou estavam gravemente feridos.

Em um canto Rrerrendovarr chorava, embalando o corpo sem vida de Arrarr.

Dao-tera olhou o cenário, desolado. Pedindo para que sua esposa e Avenga ajudassem os que padeciam, correu para a ponte.

Encontrou Gevort caído morto. Toda a tripulação capaz, fora dizimada.

As estruturas estalavam. Não tinham rumo.

Ele foi até a sala de backup. As informações obtidas do computador eram pessimistas. Nas condições atuais a nave não suportaria trinta horas.

Com dificuldade de operação, conseguiu solicitar ao sistema algum local próximo, que os suportassem, para um possível pouso de emergência.

Após angustiantes segundos, ele leu na tela:

“O mais próximo é o planeta Eah-R27. Tempo estimado para alcança-lo, vinte e nove horas. Suporte de vida para todos em torno de 95% positivo. Mudar o curso”?

Ele pressionou sim.

“Acionando os sistemas secundários”.

A nave deu uma forte guinada à direita, acelerando.

Durante as próximas horas, ele, sua esposa e Avenga, tentaram minimizar o sofrimento dos feridos. Mais vidas se perderam.

Estavam próximos, a tensão era alta entre os sobreviventes.

Num ato de quase insanidade Dao-tera puxou a esposa para perto, reproduzindo uma cena muito conhecida por todos que, entre espantos e assombros, aplaudiram.

Era chegada a hora. Eles entraram na órbita do planeta.

A nave estremeceu, partes laterais foram arrancadas. Estavam aterrissando. Todos foram jogados para os lados.

Dao-tera caiu próximo a Rrerrendovarr, salvando-o de sumir por um buraco no piso. Vea continuava deitada.

Equilibrando-se chegou perto dela, porém um braço remoto da nave, que rasgara a parede lateral, atingiu seu peito atravessando-o.

O transporte aterrissara próximo a uma grande concentração de água doce e muitas árvores. Dos quase cem híbridos, pouco mais de uma dúzia sobreviveram, incluindo Avenga.

Da tripulação de ertulianos, apenas Vea sobreviveu.

Sem saber, eles seriam o início da colonização do planeta.

Rrerrendovarr, único sobrevivente com quatro fileiras de dentes, fez questão de honrar Dao-tera, e batizar o novo planeta com seu nome: Terra.

FIM

 

¹ Ertulianos – Raça de seres espaciais, com características físicas parecidas com os humanos.

² Transluzdição – decompor um objeto ou pessoa em nível nuclear pela ação da luz, transportando-o de um local para outro.

 

Foto de Luiz Amato

Luiz Amato

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