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A Bienal do Livro, um mundo a parte conectado à realidade

A Bienal do Livro, um mundo a parte conectado à realidade

26ª Bienal do Livro em São Paulo – Muito mais que uma feira de exposição de livros, é um convite a liberar a imaginação

A bienal do Livro pode ser considerada um mundo à parte pela diversidade que encontramos circulando por aqueles corredores.

Quem é amante de livro sabe quão emocionante é entrar nesse mundo paralelo, de magia e fantasia. Ao subir as escadas o frio na barriga já vai aumentando, pois sabemos que há muitas surpresas atrás daquelas portas de vidros.

Quero começar a descrever o lado real, palpável, esse lado que vivemos aqui fora e tendemos a dar mais importância, falo da estrutura da feira. Tão organizada quanto suntuosa, tudo grande, exagerado! Assim como o número de público. Eu olhava para a fila que estava se formando ao meu lado e parecia sem fim.

Tudo bem sinalizado, balcões de informações, placas gigantescas indicando os corredores, uma praça de alimentação com muitas mesas, cadeiras, food trucks abastecidos com muita comida. (Hoje vou usar muito várias vezes porque tudo ali estava bem exagerado).

Ninguém pode sair reclamando que faltaram batatas frita ou hambúrguer.
Vários banheiros, bebedouros a disposição, diversos lounges, com pufes coloridos, almofadões e bancos.

Estrutura já foi apresentada, agora deixe–me passar para as pessoas que fazem a mágica acontecer. Enquanto estamos passeando com nossos familiares e amigos, aquela turma dos bastidores está suando a camisa literalmente para dar o melhor.

Imagine só, inúmeras mesas, cadeiras, banheiros balcões de informação sem um pessoal altamente treinado e capacitado para nos atender.

E atender não só aqueles que estavam passeando, mas a toda imprensa, expositores, editores e autores

Bienal do Livro - Praça de Alimentação

Bienal do Livro – Praça de Alimentação

Perdi a conta de quantas vezes fui pedir informação no balcão sobre determinado lugar e quantas vezes foram necessárias e mulher me atendia com um baita sorrisão.
Mas não havia sinalização suficiente? Então por que me perdia tanto? Calma que já vou contar.

Corpo de bombeiros, seguranças, pessoal da limpeza, expositores, palestrantes autores, quem servia os lanches, os doces (brigadeiros vindos de outro mundo mesmo, só pode) todos muito atenciosos.

E o lado ruim Bienal do livro? Falo agora ou depois de contar a parte mais fantástica de todas?

O lado ruim foi à conexão da internet. Eu, que já estava totalmente envolvida pela melhor parte, totalmente inebriada, e aqui está à explicação para eu ter me perdido tantas vezes.

Deixava minha imaginação me guiar, andava de um stand a outro sem ficar pensando em marcar pontos de referencia, só querendo desfrutar e compartilhar ao vivo com todos vocês. Mas não foi possível.

Eu saía do estado de euforia, querendo que vocês estivessem ali comigo vivenciando cada momento, para o estado da frustração.

Havia muitas filas para entrar nos stands, filas para pagar, mas isso não irei considerar como algo ruim porque é algo de se esperar. Se você não quer pegar filas em locais com muitas pessoas, fica em casa, sorry

Mas confesso, embora a falta de conexão com a internet tenha gerado alguns minutos de impaciência e mau humor, logo voltei para um mundo repleto de cores, palavras sorrisos.
Eu passava por cada stand preparado para nos receber, cores, sons, tudo escolhido para nos encantar.

Tive a honra de entrevistar algumas autoras, algumas delas em seu dia de estreia e com livro esgotado, que alegria e fundadoras de editoras que compartilharam suas histórias, cheias de experiência.

Essa foi a melhor parte de todas, conhecer pessoas, suas histórias, observar como famílias, amigos, colaboradores estavam ali, andando pelos corredores, cheios de sacolas, uma distancia que no dia a dia nem pensariam percorrer, de um modo leve, e faziam a mesma cara que eu fiz quando sentei no banquinho com a réplica da estátua do Carlos Drummond de Andrade.

Bienal do Livro - Praça de Alimentação

Bienal – Banquinho com a réplica da estátua do Carlos Drummond de Andrade

Nesta edição da Bienal, muitos stands apostaram na tecnologia, como o da Skeelo que me proporcionou uma viagem para dentro dos livros digitais através dos óculos virtuais, em uma volta de 360 graus. Uma experiência única. Como neuropsicopedagoga pude perceber cada sentido captando as informações. Ligando a teoria dos livros científicos sobre aprendizagem à experiência. Fenomenal.

Sem falar do stand Family Search que possibilitava seus usuários acessarem dados para saberem informações de sua ancestralidade.

Outros stands apostaram em apresentações musicais, palestrantes e momentos de autógrafos.

Interatividade

Interatividade

Interatividade, como nos stands infantis como o da Estrela, em outros tantos como Submarino, canetas Bic, Editora Buzz, etc. foi a aposta que convenceu.

Quando passei pelo stand do Prêmio Jabuti, chamei a Amanda, atendente para fazer uma entrevista para que ela falasse desse importante premio, mas pude ver, que tão grande quando os stands da Rocco, Turma da Monica, Editora Madras, Qualys, a exposição reservada para Portugal, era o cansaço dessa moça.

A Amanda me olhou nos olhos e disse: posso sim. A senhora pode voltar daqui uma hora, estou aqui desde as oito e já estou um pouco confusa. Falarei com muito prazer, mas daqui uma hora. Eu falei que não voltaria, porque já tinha recebido dela o que precisava.

Ali, a Amanda me fez olhar novamente para toda aquela suntuosidade e perceber que tudo aquilo tinha sido feito por pessoas. Pessoas que sonharam, idealizaram aquele mundo, buscaram meios para realizar, uniram forças, habilidades, criatividade para oferecem o espetáculo que vivenciei esses dois dias de Bienal.

Sinto muito se vê veio buscar informações sobre a exposição, mas assim como a Amanda não me falou sobre o prêmio Jabuti, mas me ensinou o valor dos sonhos e realizações, quero chamar sua atenção para o que de fato mais brilhou nessa feira, PESSOAS!

Pessoas que transbordam suas historias, expectativas, convicções, garra, coragem, determinação para tornar nossas vidas mais fáceis, através de cores, musicas, dança, livros, artigos. Pessoas que não se calam e não se paralisam. Pessoas reais, realizando o extraordinário.

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