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Azeite de Oliva e a Colheita das Azeitonas

Azeite de Oliva e a Colheita das Azeitonas

Azeite de oliva faz bem à saúde

Azeite de Oliva e a Colheita das Azeitonas são comemorados em março, no Brasil, porque é considerado o último mês da colheita no ano.

As oliveiras são árvores consideradas sagradas desde a Idade Antiga.

Pois já no período neolítico o homem aprendeu a extrair o óleo da azeitona.

Na mesma época, descobriram suas qualidades curativas.

Além disso, nesse mesmo tempo o ser humano criou a primeira lamparina, que era de pedra e o óleo de oliva era o combustível dela.

Aliás,  a oliveira nasceu no sul do Cáucaso, nas planícies altas do Irã e no litoral mediterrâneo da Síria e Israel, crescendo depois para o restante do mediterrâneo.

Azeite de Oliva e a Colheita das Azeitonas

Olívia – Deusa das Oliveiras

Segundo o professor de Etimologia, Antônio Sandmman do curso de Letras da Universidade Federal do Paraná, o nome Olívia significa deusa das Oliveiras. Pois, na Idade Antiga, alguns povos cultuavam essa entidade, apesar dela não ser tão conhecida.

Jesus, antes de ser crucificado, meditou no monte das oliveiras.

Especialistas dizem que os melhores azeites de oliva são de Espanha e Portugal. Mas que o Brasil não fica atrás.

Aliás, são necessários cinco quilos de azeitonas para produzir um litro de azeite.

Assim, uma oliveira produz em média de 15 a 50 quilos de azeitonas por ano, ou seja, de três à dez litros de azeite.

As primeiras mudas para o cultivo das oliveiras, no Brasil, chegaram no século XVI.

Além do interior do Rio Grande do Sul, outro lugar que se destaca com as oliveiras é a Serra da Mantiqueira também por causa do seu clima ideal, ou seja, frio.

Em 29 de fevereiro de 2008, foi extraído na cidade chamada, Maria da Fé, em Minas Gerais, o primeiro azeite extravirgem brasileiro.

A cidade, que era famosa no final do século XIX pela plantação de batatas, observou as oliveiras ganharem espaço nas fazendas e estimular outros setores da Economia a partir dos anos 30, quando o português, Emílio Ferreira dos Santos, adquiriu um sítio no município, trazendo apenas seis mudas de oliveira.

As primeiras azeitonas foram colhidas em 1960, e 14 anos depois, em 1974, foi fundada a Epamig, firma que completa 50 anos de pesquisa e tecnologia.

Em 2009, surgiu a Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira- Assoolive – que usa da tecnologia desenvolvida pela Epamig para a fabricação de azeite de oliva.

A Associação criou, em 2022, o Selo de Origem Certificada que comprova a qualidade dos azeites de seus produtores associados.

Como foi comprovado acima, hoje, a Serra da Mantiqueira é uma excelente produtora de azeitonas e azeite de oliva.

Na Mantiqueira, cerca de 60% da produção de azeite está localizada em Minas Gerais, 30% a 35% em São Paulo e o restante no Rio de Janeiro.

Como já foi citado, lá existe a Assoolive – Associação dos Olivicultores do Contrafortes da Mantiqueira – que reúne ao todo 37 produtores de azeite.

Outra atividade interessante é o Turismo Rural nas propriedades onde há oliveiras.

Há, 14 fazendas de oliveiras, da Assoolive, que fazem parte do turismo rural com:

  • Visitação das plantações;
  • Palestras sobre oliveiras, azeite de oliva, etc.;
  • Degustação de azeites;
  • Gastronomia;
  • Hospedagem em plena natureza;
  • Atividades lúdicas e culturais.

Outros produtos feitos através das oliveiras:

  • Azeitonas em conserva;
  • Artesanato na madeira de oliveira;
  • Remédios;
  • Folha de oliveira para chás terapêuticos;
  • Afrodisíacos;
  • Cosméticos como: cremes contra rugas, xampus, condicionadores, sabonetes, desodorantes e perfumes.

Benefícios do azeite de oliva:

  • Tem propriedades anti-inflamatórias;
  • Evita doenças do coração;
  • Diminui o risco de diabetes;
  • Estimula o cérebro;
  • Ameniza a artrite;
  • Fortalece os ossos;
  • Diminui a depressão;
  • Evita úlcera;
  • Desacelera o envelhecimento;
  • Combate algumas bactérias;
  • Melhora o funcionamento do intestino.
Azeite de oliva

Oliveira com fruto (azeitona)

Para tornar a matéria didática entrevistei os produtores de azeite de oliva da associação dos olivicultores dos contrafortes da Mantiqueira:

  • Qual é o maior desafio de plantar oliveiras no Brasil?

Sempre que fazemos a transferência de uma planta de seu habitat original para outro, mesmo que semelhante, enfrentamos inúmeras dificuldades. O Brasil é um pais continental e possui as mais diferentes condições climáticas e de solo.

O maior desafio da nossa olivicultura é mitigar estas diferenças pela escolha de variedades adequadas, promover um condicionamento do solo (fisico/nutricional) que permita um bom crescimento vegetativo da oliveira. Condições climáticas de umidade e frio são fundamentais.

O envolvimento das Universidades e Instituições Governamentais é extremamente importante para garantir o desenvolvimento e crescimento da atividade no Brasil.

  • Alguns políticos querem transformar março no mês oficial das azeitonas e do azeite de oliva, no Brasil, quais os benefícios que isso pode trazer aos produtores?

A colheita e extração do azeite no Brasil ocorre no período de janeiro a abril, variando em função da região, Sudeste ou Sul.

O mês de março marca a coincidência da extração nas duas regiões, portanto, um bom mês para ser considerado para representar as azeitonas e o azeite de oliva no Brasil.

  • Como descobrir se um azeite de oliva é falsificado?

Um bom azeite de oliva extravirgem deve ter aroma agradável, amargor e picância ao paladar. Caso contrário não é um azeite de oliva extravirgem e sim um óleo como os demais vendidos no mercado.

Importante sempre buscar no contrarrótulo da garrafa informações sobre os parâmetros da análise físico química do produto (acidez, peróxido, etc.).

  • Quais as diferenças do azeite de oliva da Serra da Mantiqueira para os azeites produzidos em outras regiões brasileiras e também em outros países?

A Serra da Mantiqueira dentro da Região Sudeste apresenta ótimas condições de clima e solo para o cultivo das oliveiras. Por ser uma região de montanha, cada propriedade apresenta microclima próprio, dando aos azeites características diferenciadas das demais regiões.

Vale ressaltar que no Sudeste temos outras formações de relevo que permitem o cultivo das oliveiras, como Serra do Espinhaço e Serra do Mar no Espirito Santo. Temos no Sudeste “Olivais de Montanha”.

  • Como funciona a Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira?

A ASSOOLIVE é a Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira e Sudeste, que reúne trinta e dois pequenos e médios produtores de azeites nacionais da melhor qualidade, concentrados nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Segundo o presidente Moacir Batista do Nascimento Filho, a Associação foi criada em 2009, visando a união dos produtores num objetivo comum, o fortalecimento do setor e valorização do azeite brasileiro.

“Temos orgulho de fazer parte da construção da história do azeite no Brasil, o mais rico produto funcional que a natureza nos oferece através do plantio. Com muita paixão, responsabilidade e rigor com a qualidade, queremos que o azeite dos Contrafortes da Mantiqueira seja reconhecido e apreciado nacionalmente por suas características únicas e especiais”, completa.

Especialmente na Mantiqueira as azeitonas são produzidas em pomares com “terroir” especial – índice de chuva, altitude e temperatura – para a colheita de frutos saudáveis, resultando num azeite de baixa acidez e excepcional aroma e sabor, que atende ao paladar mais exigente.

A safra do azeite, acontece anualmente entre fevereiro e abril e o grande diferencial é o seu frescor, pois é extraído, engarrafado e em seguida já chega à mesa do consumidor, diferentemente do azeite importado de outros países.

Cada “terroir” atribui ao azeite características particulares, ou seja, uma mesma variedade de azeitonas produzirá azeites diferentes de acordo com a sua origem.

Nos contrafortes da Mantiqueira algumas espécies da fruta trazidas da Espanha, Grécia e Itália se adaptaram bem, resultando nas principais atualmente cultivadas, produzindo azeites do tipo monovarietal ou blends: Arbequina – Koroneiki – Grappolo – Arbosana e Coratina. A azeitona Maria da Fé é a única essencialmente brasileira desenvolvida na cidade do mesmo nome, em Minas Gerais.

Mais informações sobre a ASSOOLIVE e os azeites nacionais, através do site www.assoolive.com.br.

  • Como funciona o turismo rural nas fazendas dos produtores?

Olivoturismo – Algumas fazendas que recebem visitantes – nomes e cidades.

Catas Altas da Noruega – MG, Fazenda Estância do Pinheiro – azeite “Olivais de Catas Altas da Noruega “. Rossini – Santo Antônio do Pinhal SP- azeite Rossini. Sabiá- Santo Antônio do Pinhal SP- azeite Sabiá. Oliq – São Bento do Sapucaí SP – azeite Oliq Essenza – Santo Antônio do Pinhal SP- azeite Mantikir Casa Mantiva- Consolação MG – azeite Casa Mantiva Serra que Chora- Itanhandú MG – azeite Serra que Chora Gamarra – Baependi MG – azeite Gamarra Fio de ouro- Maria da Fé MG- azeite Fio de Ouro Olivas de Quelemém- Maria da Fé MG – azeite ZET 1244 – São Bento do Sapucaí SP- azeite 1244 Verde oliva – Delfim Moreira MG – azeite Verde Oliva Verolí – Sapucaí Mirim MG – azeite Verolí Miralua – Gonçalves MG – azeite Miralua Trapia – Baependi MG – azeite Trapia Soul Mantiqueira- Aiuruoca MG- azeite Soul Mantiqueira Vila Moura – Acuruí, distrito de Itabirito MG – azeite Vila Moura

Azeite de Oliva e a Colheita das Azeitonas

Azeitonas

Também entrevistei a doutora em Ciência dos Alimentos, Amanda Neris:

  • O que é um azeite extravirgem e quais os benefícios dele para a saúde?

Sobre os azeites brasileiros – Degustação e Percepção olfativa e História do azeite. O histórico da olivicultura no Brasil pode ser apresentado de várias formas, sendo os imigrantes europeus a chave principal.

Eles trouxeram as primeiras mudas de oliveiras quando vieram para o Brasil.

Nos anos de 1800, foram para o Rio Grande do Sul, e de lá temos os primeiros registros do plantio de oliveira, e do primeiro estado brasileiro a incentivar a produção de azeite.

Em 1935 um outro marco na olivicultura brasileira foi a chegada de José Emídio Ferreira à cidade de Maria Da Fé – MG, que ao observar a região, percebeu que era um terreno propício para o desenvolvimento de algumas plantas, e em uma de suas cartas para a Família que ainda estava na Europa, prestes a vir para o Brasil, solicitou que trouxessem algumas sementes e plantas especificas, dentre elas, as tais, mudas de oliveiras.

Em 1947, ocorreu a primeira colheita de frutos em larga escala, na cidade de Livramento.

E assim foi o início da olivicultura no Brasil, com uma generosa parcela de contribuição do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais.

Com o passar dos anos, o momento histórico em que vivemos, é marcado por Tecnologia, onde os produtores de azeite tratam todo o universo ligado a esta agroindústria com muitas especificidades tecnológicas, e com estímulo ao desenvolvimento de ciência para aplicação no dia a dia dos Pomares e Lagares (lugar onde ocorre a transformação da azeitona em azeite).

E dentre o desenvolvimento destas ciências estão perguntas como o que alterar no processo de elaboração para que o azeite tenha características sensoriais que o consumidor deseja experimentar, e também o que o consumidor brasileiro consegue perceber durante o consumo de azeites de oliva.

O questionamento quanto a percepção do consumidor de azeite de oliva brasileiro, se dá principalmente pelo fato de que, geralmente, não encontramos em azeites tradicionalmente comercializados no Brasil, atributos sensoriais como frutado, amargor e picância, que são essenciais para a classificação de um azeite com a palavra EXTRAVIRGEM escrita no rótulo.

Já as etapas do processo de elaboração do azeite foram apresentadas com a explicação da moagem, termobatedora, centrifuga e filtro, com o posterior envase. Estas etapas são cuidadosamente verificadas pelo mestre lagareiro para que o produto final tenha a “cara da empresa”, que demonstre a ideologia e todo o carinho de cada produtor.

A percepção sensorial do consumidor, ou seja, o que nós consumidores percebemos no azeite de oliva extravirgem, foi apresentado por alguns atributos sensoriais que remetem aos odores frutado, herbal, e gustativo de amargor e picância.

E é legal destacar que dentro do azeite só tem azeitonas, mas durante o processo de elaboração, no lagar, é possível desenvolver o que nós chamamos de “evolução odorífera” e o azeite passa a ter um buquê sensorial com a possibilidade de identificarmos couve, rúcula, pera dentre tantas outras possibilidades.

Entre em contato para mais informações sobre este assunto, pelo Instagram: @lucianamallon

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