Benzedeiras – Benzer, Rezar e Curar

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Livro Benzedeiras - Autor Victor Augustus Graciotto Silva

A arte de benzer remonta de muitos anos, passada de geração em geração, muitas vezes dentro da mesma família, a arte de benzer é para uma vida toda.

O chamado, uma vida de dedicação ao próximo, hoje quase em extinção, é difícil encontrar uma benzedeira, a medicina tomou a frente, e as benzedeiras foram se tornando mais escassas, difíceis de localizar.

Não se encontra uma benzedeira na lista telefônica, ou na internet, elas costumam ser discretas, se acha uma benzedeira através de algum conhecido, através do boca a boca.

Lembro desde pequena de ir na benzedeira, minha avó me levava lá em Presidente Castelo Branco, cidade pequena, pacata, com uma benzedeira das boas.

D. Maria, lembro bem dela, do lugar do benzimento, uma casinha a parte da casa principal, cheia de mistérios, quadros e imagens de santos espalhados por todo lado, flores, ervas, cheiro de vela queimando, que ao mesmo tempo que assustava, dava segurança, proteção.

Ir na D. Maria era sempre bom, saia de lá mais leve, minha avó dizia que benzer era bom, mesmo se o caso não fosse de doença, era para espantar mau olhado, a inveja, o quebrante.

Maria vinha com as rezas, os galhos de arruda, os óleos, unguentos, rezava baixinho, mandava eu voltar outras vezes, tirava as coisas ruins de mim.

Maria não aceitava pagamento, aceitava oferendas que minha avó levava, presentes, nada de dinheiro, D. Maria não podia cobrar, não fazia parte do chamado, a coisa toda tinha que ser de bom grado, ela só queria ajudar o próximo.

Até esses dias atrás eu estava tentando achar uma benzedeira para levar meus filhos, fui até Castelo, mas D. Maria já faleceu, e se passou o chamado adiante, eu não sei, porque benzedeira na cidade já não tem mais.

Fiquei triste, nostálgica pela lembrança daquele lugar, que era tão comum na minha infância, que me era tão familiar, mas a casa, também não existe mais.

Mas se as benzedeiras estão escassas, vemos por aí uma fila de terapeutas holísticos, que vem para curar também, através do reiki, massagens, óleos, são as benzedeiras do futuro, que usam de sua energia para curar o outro, um novo olhar sobre o benzer.

Temos as constelações familiares, as meditações, rezas xamanicas, roda de vivência, entre tantas outras maneiras de cura energética.

Todos têm em comum o ideal de cura espiritual, visto que neste meio se acredita que as doenças são provenientes de fatores psicossomáticos que levam a uma doença física. Adoecemos o espirito e depois o corpo físico. Então nada mais justo que curar primeira o interior para então chegar na cura do corpo físico.

Os meios de cura são muitos, mas o despertar para a cura é o mais difícil, entender que precisamos estar despertos para compreender tudo que nos envolve é o mais árduo.

O despertar da consciência é um processo lento e individual. São degraus na evolução, que subimos pouco a pouco.

Entender e curar a alma é a chave da vida.

Engraçado eu estar em busca de uma benzedeira, e me esbarrar no livro Benzedeiras – do Victor Augustus Graciotto Silva, o livro me chamou atenção na livraria, o encontrei por acaso durante um encontro do clube do livro amigos de palavra, e que surpresa ao descobrir que esse livro foi escrito por um amigo de infância, aqui de Maringá.

Bom por acaso… acho que não… acho que o livro veio parar na minha mão na hora certa, tudo tem seu tempo.

O livro é um retrato das benzedeiras, seus cantos, suas rezas, suas histórias, o curar através de várias maneiras.

O Victor pesquisou e encontrou várias benzedeiras na cidade de Curitiba e através deste livro fez um relato sobre cada uma delas, suas peculiaridades, seus cantos, suas rezas, suas curas, suas histórias.

Em nome do Pai
Eu te apresento o João
Que vos retira todo olho grande
Quebrante, perseguição
Com os poderes de Deus e a Virgem Maria
(Benzedeiras)

Um livro lindo, cheio de retratos e textos sobre essa arte de benzer. Vale a pena mergulhar nesse mundo rico de misticismo, pluralismo espiritual e cheio de fé.

Livro Benzedeiras
Imagem Ilustrativa

 

Autor Victor Augustus Graciotto Silva
Editora Máquina de escrever

 

 

 

Obs.: Se alguém souber de uma benzedeira em Maringá, favor me passar o contato.

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