Cultura e personalidade: Como construímos a ideia de feminino e masculino?

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Construção do feminino e masculino

No mês das mulheres, nada melhor do que debatermos sobre a formação da cultura e personalidade em nossa sociedade!

O dia internacional das mulheres é uma data extremamente ambígua e debatida! Por um lado, temos o retrato comercial: momento de compras e presentes, geralmente flores e chocolates e por outros movimentos de luta por direitos e igualdade feminina.

Não importa qual lado deste debate você se encontra, porque neste momento quero olhar a questão da personalidade feminina pelo âmbito cultura e descobrir se a cultura influencia nossa personalidade – ou seja, podemos ter ou não traços de nossa cultura – ou se a cultura é decisiva para a formação das personalidades.

Todas nós que vivemos em sociedades, possuímos cultura. Cultura é um termo que todos compreendem, mas é de difícil definição.

Vamos considerar aqui que cultura é o conjunto de hábitos, costumes, língua e formas de viver criados por um povo. Assim, podemos refletir se este conjunto influencia – ou formam – as personalidades femininas em cada sociedade.

Margaret Mead (1901-1978) é uma antropóloga norte-americana que debate justamente esta questão da personalidade, investigando a maneira como um indivíduo recebe a cultura e as consequências que isso acarreta na formação da sua personalidade.

Desta forma, ela reflete sobre o processo de transmissão da cultura e forma como compreendemos o que é “das meninas” e o que é “dos meninos”, debatendo assim os aspectos dominantes da personalidade versus a cultura.

Para conseguir um entendimento sobre o que é feminino Mead sai dos Estados Unidos e mora na Oceânia para comparar três sociedades da Nova Guiné (os Arapesh, os Mundugomor e os Cambuli), na comparação ela percebe que as personalidades masculina e feminina não são de origem biológica, ou seja, o que consideramos de meninas ou de meninos não é natural e sim um produto social.

Por exemplo, os Arapesh (independente do sexo) são delicados, sensíveis e prestativos – características que consideramos femininas – enquanto os Mundugomor são todos e todas agressivos e tendem a rivalidade – características que atribuímos facilmente como masculinas.

O que isso significa? É a cultura de cada sociedade molda as personalidades!

Para comprovar a teoria, Margaret Mead descreve a cultura dos Chambuli, que, ao contrário de do que estamos acostumados, consideram que a mulher é naturalmente empreendedora, dinâmica, solidária com os membros do seu sexo e extrovertida; em contrapartida o homem é, sensível, menos seguro de si, muito preocupado com a sua aparência, tendente a invejar os seus semelhantes.

São as mulheres Chambuli que detêm o poder econômico e que asseguram o essencial da subsistência do grupo, ao passo que os homens se consagram a sobretudo a atividades cerimoniais e estéticas, que os põem muitas vezes em competição uns com os outros.

Margareth Mead foi pioneira ao propor que as características masculinas e femininas não se limitavam às diferenças biológicas, mas que refletiam as influências culturais.

Fornecendo assim um legado repleto de argumentos científicos que iriam apoiar as revoluções sexuais, culturais e de direitos, principalmente dos anos 60.

Concluindo, foi devido as teorias culturais de Mead que hoje nós mulheres podemos ter a liberdade de escolher ter as personalidades que queremos da forma em que queremos!

Para finalizar, deixo com vocês uma frase para vocês refletirem principalmente considerando que é o mês das mulheres e que como mulheres somos livres:

“As crianças do futuro precisam ter mente aberta. (…). Deve-se ensinar às crianças como pensar, e não o que pensar.” — Margaret Mead

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