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Do que se trata confiança… lealdade ou fidelidade!?

Do que se trata confiança… lealdade ou fidelidade!?

Sei lá, o que eu entendo disso tudo é que existe entre uma coisa e outra algo chamado ÉTICA!

Quando eu tinha 18 anos, era a Garota do Xerox no Gabinete do Vereador Jamil Achôa, que me acolheu na pior fase da minha vida; havia perdido meu pai aos 17 e minha mãe após cinco meses, sofreu um atropelamento que a manteve na UTI do Nove de Julho por nove meses. Como Garota do Xerox, eu rodava a Câmara Municipal de São Paulo – CMSP todinha, fiz grandes amigos, que mantenho até hoje (sorriso)! O Vereador na época era 1°Secretário; tinha 53 cargos, mas mesmo assim, eu adorava fazer de tudo um pouco! Eu ia depositar e retirar dinheiro para os assessores, entregava correspondências em outros gabinetes, até que comecei a datilografar, ASDFG ÇLKJH… (sorriso)!

Passei a datilografar requerimentos, ofícios, projetos e etc.! Era a primeira a chegar e a última a sair, talvez porque, como filha única, não tinha muito o que fazer em minha casa sozinha, mas acho que não, eu sempre fui uma work a lover (sorriso)!

Certo dia, havia datilografado uns 100 requerimentos, época de eleições, quando a Senhora Catarina, uma poderosa, que havia participado da construção da CMSP (sorriso). Estou brincando! Uma Senhora conhecida e influente, me disse, leve os projetos para a mesa do DOUTOR Jamil; eu, simplesmente obedeci; porque eu sempre fui OBEDIENTE… (sorriso)! Ao entrar na sala coloquei os requerimentos sob a mesa, quando Doutor Jamil os segura e me diz: – Filha quantos desses projetos você datilografou? -Eu disse todos Doutor. Daí ele me questiona: – Então porque ao final das páginas estão as letras FV e não KRG? … Eu disse: Porque eu achei que essas letras eram fixas. Ele então me explicou que aquelas letrinhas no canto dos documentos, correspondiam as iniciais de quem datilografou os mesmos, para futuras avaliações.

Sai da sala, fui para casa, e no outro dia OBEDECI.! Comecei a colocar as iniciais de meu nome, nos documentos que datilografava, até que fui questionada pela Flavia Vasconcelos, porque as letras foram mudadas; .eu somente OBEDECI às ordens do Vereador… disse! Ela nada me respondeu e eu também não falei mais nada, a única coisa que mudou foi que ela mesma começou a datilografar os requerimentos e projetos mais importantes. Muitos anos se passaram e eu me tornei uma assessora, ensinei logo de cara a Juliana que tudo que ela datilografasse colocasse suas iniciais! Depois de seis anos, lá estava eu com apenas 24 anos, participando de plenários, reuniões e deliberações importantes nos diversos Gabinetes daquele lindo prédio da CMSP…! Sim eu tinha um cargo de confiança, muita coisa deliberada OU NÃO, passava por mim! Ao final de três mandatos, Doutor Jamil, uma pessoa a quem sou e serei eternamente grata me disse: – Filha eu não serei reeleito, estou lhe indicando ao Vereador Alex Freua Netto.

Bom, nesses 12 anos, muitos projetos, contatos e deliberações, foram discutidos e nem TODOS foram colocados em práticas, nem todos os contatos foram assertivos naquele momento, porém, EU NUNCA compartilhei com o Doutor Alex, nenhum desses planos e ideias que Doutor Jamil teve. Por que? Oras, porque sob a MINHA perspectiva, eles não me pertenciam, simples assim! Eram planos, desejos do Doutor Jamil!

Fico pensando se minha lealdade ou fidelidade ou ainda ética, foi o que me levou a sair do gabinete do Doutor Alex! A opção de usar dessas informações como MINHAS, para manter meu emprego, nunca me passou pela cabeça! Hoje depois de tantos anos, falando sobre isso com meus filhos, ouço em alto e bom tom. “que se eu tivesse compartilhado algumas poucas informações com o Doutor Alex, talvez eu ainda estivesse lá, e quem sabe até como Vereadora (sorriso)!” . E eu respondi para eles sem medo de errar; – Estou feliz onde estou, não por tudo que conquistei, mas por tudo que não abri mão! Fica a pergunta quando formamos uma parceria e a mesma não dá certo, isso nos dá o direito de lançar mão da confiança, da lealdade ou fidelidade, ou ainda de alguma vantagem ou conhecimento adquirido no tempo vigente da mesma? Quando mudamos o cenário, e trazemos a história para o MUNDO empreendedor a postura muda?

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1 Comentário

  • Corina Ramos
    23 de fevereiro de 2017, 17:12

    Ótimo depoimento que traz um grande e complexo dilema da vontade do ato humano, bem do tipo que as universidades americanas estudam hoje como conteúdo curricular. Há um binômio implícito no texto que, por coincidência, acenei com ele quando escrevi “Educação: duas ruas e uma esquina” aqui na Revista. A liberdade no modo de agir, e, a segurança que todos queremos ter, se encontram na esquina porque as ruas seguem em direções opostas. Quando há o aumento de nosso grau de liberdade – as letrinhas podem mudar nos ofícios datilografados, ou digitados, devido a novas informações e até por consentimento do chefe. Mas há o risco de diminuir a nossa segurança, pois surge a competição entre as “iniciais” no papel, e, nos cargos que se sucedem, podendo conduzir à perda de funções mais tarde. A ética é um ato humano de vontade. Sempre exerceste a tua liberdade por um ato de escolha de não compartilhar com outras pessoas o que foi tratado na outra gestão, mesmo diminuindo a segurança de manter teu cargo devido a isso. Parabéns! Outros poderiam buscar mais segurança e abririam mão de sua liberdade humana.

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