Empreendimentos da alma – investimos no temporal ou eterno?

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Melancholy 2012 - Bronze by Albert Gyorgy - Romênia

Passamos a vida estabelecendo metas, elaborando projetos. Investimos em objetivos materiais. Mas para além da matéria, em que focamos nossa breve existência? Qual empreendimento pretendemos: temporal ou eterno?

[…] Lança teu pão sobre as águas, e depois de muitos dias acharás.” (Eclesiastes 11:1)

Desde os primórdios dos tempos o homem empreende. Com a descoberta do fogo e da roda, o homem primitivo deu a largada para o processo de evolução e inovação de sua trajetória.

Um salto para o que será séculos mais tarde caracterizado como revolução técnico científica.

Neurocientistas comprovaram que a evolução foi possível a partir do desenvolvimento do lobo temporal dos humanoides, onde ocasionou o processo de abstração de ideias e desenvolvimento intelectual nessas espécies de mamíferos mais evoluídas.

Sabe-se que é nesta mesma região cerebral, que envolve o hipocampo e a amígdala, que ocorre o processo denominado de “sincronização” por muitos cientistas, e inclusive citado por Jung em um de seus ensaios sobre o inconsciente coletivo.

Entendemos que a natureza colocou essas estruturas neurais à nossa disposição para que por meio delas, e de modo normal, pudéssemos ter acesso aos processos espirituais.

Mas qual seria então a relação entre esses processos neurais, empreendimento e avanços técnicos científicos?

Antes que as ciências naturais e exatas pudessem proporcionar uma explicação empírica acerca desses processos, da evolução intelectual do homo sapiens, todo saber e descobertas se atribuíam aos deuses (ou a D’us).

O fogo por exemplo, para os gregos antigos, era arquétipo de Prometeu, cocriador dos seres humanos ao lado de Epimeteu.

O fogo foi caracterizado ainda como totem para muitas culturas primitivas. Não compreendendo as manifestações e fenômenos naturais tais como as tempestades, enchentes, terremotos, deslizamentos de terra, vulcões, fogo, calor e frio, etc.; esses fenômenos eram então atribuídos aos gênios e às divindades.

Já a roda, na sua iconografia, tipificava a eternidade da sabedoria, e era utilizada como símbolo da deidade por muitas sociedades herméticas.

A possibilidade de compreender esses conceitos e processos, instigava uma série de questionamentos, que englobavam várias dimensões do saber, incluindo o estudo acerca da cosmogonia.

Para os antigos filósofos, o maior “investimento” da existência estava neste suposto saber. Esta era a razão.

O dilema da morte, fator conclusivo desta cosmogonia, revelava os resultados acerca desses investimentos.

Por exemplo, a perpetuação desse suposto saber, que ocasionaria a ideia da imortalidade, seria o fim que traria ou não este resultado.

O que ele poderia levar para o além? Se a matéria era finda, o que seria o imortal?

Encontramos a elaboração de um problema crítico, que veio a influenciar muitas religiões da antiguidade remota.

Na busca pela compreensão desse investimento/ resultado para além da vida material, restava o que se propagaria para além da matéria extinta: a alma, a razão a consciência.

As diferentes formas de conceituar esses processos emblemáticos da perpetuação da consciência através da alma passaram a ter caráter religioso.

Foge-nos o espaço descrever todo esse processo. Contudo, não podemos descartar a possibilidade que todo o investimento material seria feito a partir do sentido que se daria a existência, baseado na contextualização sócio histórico-cultural.

Entretanto, por mais divergente que sejam os dogmas das religiões, todas tendem a um ponto em comum: somos seres para a morte.

Mas seria a morte o fim?

A ideia da perpetuação da alma, da continuidade da existência para um além-túmulo passou a ter muitas significâncias. A intelectualização de um lugar de recompensa passou a ser difundido em muitas dessas religiões.

A lei da “semeadura” passaria a ter caráter universal.

Para Gautama Buda a ideia da eternidade seria: “todo momento contido em si mesmo”.

Essa crença de um possível eterno retorno, também é referido em outras escrituras, incluindo a Bíblia dos cristãos.

Para o apóstolo João (E.C), o “espírito (do homem) é quem vivifica, a carne (matéria) para nada se aproveita.”

Podemos a partir disto, elaborar uma assertiva:

“todo investimento material tem caráter temporal, mas os espirituais – caráter eterno”.

Talvez seja essa a razão de Cristo ter ensinado aos seus discípulos a maior visão de empreendimento encontrado nas Escrituras:

“Não acumuleis para vós outros tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde ladrões arrombam para roubar.

Mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde a traça nem a ferrugem podem destruir, e onde os ladrões não arrombam e roubam.

Porque, onde estiver o teu tesouro, aí também estará o teu coração.” (Mt. 6:19-21)

É certo que desejar, investir em uma a vida material confortável, tranquila, feliz também é mérito realista e de caráter cônsono.

Mas sendo a matéria transitória, e a alma sempiterna, em que de fato se tem investido?

Uma coisa sabemos:

“o que o homem plantar, isso colherá!”

Em nosso aqui agora, temos a oportunidade para esse investimento. Em vida é feita a escolha. Uma decisão de caráter pessoal.

Mas, para aqueles que tem visão futurista, um viés para a eternidade, é preciso estabelecer objetivos e executar ações que remontem a esta eternidade, e isso em vida.

Se tratando de criar chances e obter recompensas, nosso cérebro nos oferta a mesma oportunidade. Tal como o desenvolvimento material, o espiritual é possível.

A diferença que insiste é apenas uma:

“De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos leva. (NT – King James).

Contudo, nossas marcas ficam, como pegadas que poderão ser seguidas. Nossas conquistas podem até passar para outras mãos, mas nossas criações, nossas ações mais precisas, tem nossa patente.

Sempre restará a lembrança de uma boa ação, de algo que fizemos ou delegamos a alguém.

Cada gesto nobre, gera outra resposta nobre. E ainda que não sejamos gratificados, nossa memória será imortalizada por aqueles que foram atravessados por nossa benevolência.

Me lembro de um tempo, ainda como servidora pública em uma autarquia do governo, gastei algumas horas com uma colega, para ouvi-la em seus muitos dilemas e cristalizações espirituais.

Ao questioná-la sobre o que desejava realmente em meio a tantos dilemas, ela quase que em um ritual respondeu:

Quero ter oportunidade de fazer o bem, amar e ser amada”.

Confesso, que ela foi quem me inspirou a escrever esse texto. Essa semana, ao me procurar em uma de nossas páginas na íntegra, postou uma narrativa acerca de seu sucesso nessa empreitada da vida.

Resumo: saiu da zona de conforto, descristalizou-se, passou a viver uma vida altruísta, voltado a prática do amor ao próximo.

Resultado: seu marido a qual ela amava profundamente, e era tão distante, aprendeu a lhe dar o valor devido, a resposta esperada, e juntos, cuidam de outros casais.

Esse processo de resiliência só foi possível, por conta de um investimento real e altruísta: Quando fazemos pelo outro, o universo se encarrega de nós.

Obrigada nobre amiga K.

Com carinho,

Da amiga Chris Viana.

10 COMENTÁRIOS

    • Obrigada Josiane pelo seu carinho e cuidado. Sua participação é fundamental para nosso aprimoramento. Fico demasiadamente feliz em atravessa-la com minhas humildes palavras. Não palavras voltadas para uma razão ou fé específicas, mas como mônada em meio a vastidão de subjetividades. Fica com a gente.
      Grande abraço, da amiga Chris Viana.

  1. Minha querida Chris, primeiramente parabéns pelo texto, muito bom.

    Efim, desde o começo aprendemos com as culturas sobre as recompensas, sejam bênçãos ou maldições. Afinal a vida é sim um plantio e quem põe a mão no arado e olha para trás não poderá ser aprovado segundo a visão cristã que vai tratar muito dessa questão da recompensa, ao mesmo tempo que Deus nos mostra a liberdade ele nos da uma condição de escolha, é como dizer: “vai lá e faça, mas depois não diga que eu avisei”.

    Muitos se movem pela fé em que acreditam e também, àqueles que não acreditam em nada, fazem porque encotraram uma significação, um sentido de estar aqui, o ministério da vida é entrigante, nao há de fato como saber como surgirmos a nao ser que nos direcionamos para alguma linha de pensamento e se a vida já é um mistério, imagina a morte.

    Com relação a nossos investimentos sobre o temporal e eterno, digo que sem um nem existiria outro, afinal se estamos postos a condição em todo o tempo, quem decide aonde esta nosso coração é nós mesmos, Cristo numa conversa com o jovem rico pediu que ele largasse tudo para dar os pobres e ele saiu calado, se olharmos aquele contexto e outros, Cristo não queria de fato condicionar os homens a uma mesma regra, aquele rico disse a Cristo que ele era justo e nada havia trangredido na lei, porém Cristo queria mostrar a ele que ele era imperfeito, nao tinha a ver com a riqueza, mas sim com o reconhecimento de estar em constante transformação, Cristo poderia ter falado isso para o rico Zaqueu assim como outros, mas o foco Dele nao era nos acúmulos e sim no coração.

    Acrditos que os empreendimentos da vida devem se dar nessas duas escalas, é possivel que muitas pessoas cresçam na igreja e saibam a bíblia de cor e mesmo assim perderem a salvação por serem fanáticos ou religiosos demais. Eu acredito no amor, o que Cristo me mostra é amar de forma incondicional, mesmo que não consigamos muitas vezes, vejo que quando nos entregamos a isso como uma regra de fé ou de humanismo, estamos guardando tesouros no céu, precisamos empreender para alcançar grandes voos, mas que isso nao nos torne maiores que ninguém, e sim, que possamos alcançar a graça de fazer o bem.

    Abraços Chris.

    • Nobre amigo Isaac. Belas e sábias palavras enriquecem e ornamentamno jardim do saber. Recebe-lo em nosso espaço é empreender o coração. Muito obrigada pelad consideraçoes.
      Fica com a gente sempre.
      Grande abraço,
      Da sempre amiga,

  2. Nossa sábias palavras e que o posicionamento delas porque só o conhecimento pode libertar a Mente Cativa obrigado por nos compartilhar de tal sabedoria Cris Vianna

    • Ola Roseli, que prazer em tê-la no rol de nossos amigos leitores em A empreendedora. Este espaço se destina a um público que atravessa a jornada da vida criando oportunidades. Em especial à mulheres modernas, corajosas, protagonistas de suas histórias, como tu.
      Muito obrigada pelas suas palavras.
      Fica com a gente!
      Com carinho, amiga de sempre,

  3. Emocionada aqui Chris, quanta honra poder dizer a tenho como amiga.Tenho certeza que havia propósito de Deus naquele encontro.Vc é alguém incrível, abençoada, que rompeu o casulo (penso que com muita dificuldade) e alcançou lugares altos. Que vc continue alçando vôos cada vez mais altos e que eu possa continuar seguindo por vôos ainda baixos, prq ainda preciso experimentar mais de Deus, que Ele seja a nossa direção e o amor, o vento sob nossas asas, o que nos move.Bjs minha amada amiga.

    • Uau. Você por aqui!!
      Oportunidades são joias raras. Não podemos perde-las. Meu muito obrigada por tornar minha jornada mais feliz e imemorável. Fica com a gente, nobre amiga.
      Beijooooos.

  4. Querida Cris; apesar do pouco tempo em que nos conhecemos e sermos colegas de trabalho; temos em comum a mesma fé : Jesus!
    E sabemos o quão é difícil estar ali estagiando mas aprendendo e usufruindo da oportunidade que Ele nos deu. Realmente não se leva nada desta vida,para sermos felizes precisamos compartilhar com quem precisa de um sorriso; uma escuta; um abraço ou algo que acharmos necessário para fazer alguém feliz. Mas nunca se esqueça minha amiga ” O temor do Senhor é o principio da sabedoria! Deus nos ama demais e tem um propósito para cada um de nós. Coloque -se sempre a disposição Dele porque Ele usa quem Ele quiser. :1 Coríntios 1 : 26 a 29:Irmaos;reparai na vossa vocação, visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne,nem muitos poderos,nem muitos de nobre nascimento, pelo contrário,Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes,Deus escolheu as coisas humildes do mundo,e as desprezadas, e aquelas que não são,para reduzir a nada as que são,a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.

  5. Que grandiosas palavras Aline.
    Como é bom saber que laços podem se estender para alem de uma jornada cotidiana. Te-la junto a nós neste espaço fortalece esses laços ainda mais. Fique sempre muito a vontade em se expressar, em amar e a contribuir para um mundo mais justo, pacifico e acolhedor. Bom te-la conosco. Volte mais vezes.
    Grande abraço.

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