Romance Entre Vidas revisita tragédia do Rio Turvo para refletir sobre luto, fé e o valor da existência
O que fazemos, afinal, com a oportunidade de estar vivos?
Entre Vidas traz a resposta à pergunta que atravessa cada página do romance de estreia de Mario Salerno Junior, publicado pela Ipê das Letras. Inspirada em um dos acidentes mais dolorosos da história do interior paulista, a obra transforma um fato real em uma profunda reflexão sobre memória, espiritualidade, perda e continuidade da vida.
O livro parte do trágico acidente ocorrido em 1960, no Rio Turvo, interior de São Paulo, quando um ônibus escolar que transportava jovens músicos de uma fanfarra caiu de uma ponte.
O desastre vitimou 59 estudantes e marcou para sempre famílias, amigos e toda uma comunidade. Décadas depois, esse episódio retorna não apenas como lembrança histórica, mas como ponto de partida para uma narrativa sensível sobre aquilo que permanece quando a vida, aparentemente, se interrompe.
Uma história entre o passado e o presente
A trama acompanha Júnior, um adolescente de 17 anos que passa a ter sonhos intensos e extremamente vívidos, carregados de emoções e detalhes que ele não reconhece como parte de sua experiência atual.
Aos poucos, esses fragmentos revelam algo perturbador e transformador: as lembranças pertencem a outra existência. Em uma vida anterior, Júnior foi Valdir — um dos jovens que perdeu a vida no acidente do Rio Turvo.
Essa descoberta inaugura uma jornada interna profunda. O protagonista passa a questionar quem realmente é, de onde vêm seus medos, afetos e sensações, e qual o sentido de carregar memórias de uma vida que terminou de forma abrupta.
A narrativa se constrói, então, como um delicado mosaico entre passado e presente, alternando capítulos que mostram quem foi Valdir — sua família, seus laços afetivos e seus sonhos no interior paulista — e quem é Júnior, agora confrontado com a consciência de já ter morrido.
O impacto de reconhecer a própria história
Ao revisitar lugares, reencontrar pessoas ligadas à antiga existência e vivenciar situações raras e emocionalmente intensas, Júnior enfrenta experiências que desafiam qualquer noção comum de identidade. Entre elas, estar diante da própria sepultura e conviver com duas figuras maternas que, em tempos distintos, geraram o “mesmo” filho.
Essas cenas, longe de serem exploradas de forma sensacionalista, são tratadas com sobriedade e humanidade, reforçando o tom intimista do romance. Em Entre Vidas, a reencarnação não surge como espetáculo místico, mas como um processo de consciência, reparação e amadurecimento do ser.
O foco está menos no fenômeno e mais nas consequências emocionais e éticas de saber que a vida pode continuar — e que cada existência carrega responsabilidades, escolhas e aprendizados.
“Quantas coisas sentimos — e não sabemos de onde vêm?
Quantas sombras carregamos — sem entender sua origem?
O invisível, às vezes, fala mais alto do que gostaríamos de ouvir.”
(Entre Vidas, p. 46)
Espiritualidade acessível e reflexões universais
Dividido em capítulos curtos, o livro combina sensibilidade e profundidade, adotando um tom quase confessional, que aproxima o leitor da experiência do protagonista.
Embora dialogue diretamente com o espiritismo — especialmente com ensinamentos de Allan Kardec e Chico Xavier —, Entre Vidas não se limita a um público específico.
Temas como luto, laços familiares, escolhas, propósito, culpa, perdão e a busca por sentido após perdas irreparáveis atravessam a narrativa.
A espiritualidade surge como ferramenta de compreensão e acolhimento, não como imposição doutrinária, tornando a obra acessível a leitores de diferentes crenças — ou mesmo sem vínculo religioso.
♦ 21 de janeiro: fé, diversidade e respeito — uma leitura necessária
A mensagem central de Entre Vidas ganha ainda mais força quando contextualizada no dia 21 de janeiro, data que marca o Dia Mundial da Religião e, no Brasil, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
A escolha da data convida à reflexão sobre o papel da espiritualidade como ponte — e não como barreira — entre as pessoas. No romance, a fé não aparece como um elemento de separação, mas como um caminho de acolhimento, entendimento do sofrimento humano e respeito às diferentes formas de interpretar a vida, a morte e a continuidade da existência.
Ao abordar a reencarnação com sensibilidade e sem proselitismo, Mario Salerno Junior propõe uma visão em que o diálogo inter-religioso é possível justamente porque se apoia em valores universais: empatia, amor ao próximo, responsabilidade moral e respeito às escolhas individuais.
Em tempos de crescente intolerância religiosa, a obra se coloca como um convite à escuta e à convivência pacífica entre diferentes crenças.
Mais do que discutir doutrinas, Entre Vidas reafirma que espiritualidade, em sua essência, deve promover compreensão, jamais exclusão.
Uma pergunta que ecoa além do livro
Mais do que contar uma história, Entre Vidas provoca uma reflexão silenciosa e persistente: o que fazemos, todos os dias, com a chance de estar vivos?
Ao transformar acontecimentos reais — com nomes alterados para preservar identidades — em literatura, o autor convida cada leitor a olhar para a própria trajetória como uma travessia contínua de aprendizado, crescimento e transformação pessoal.
É uma obra breve em extensão, mas profunda em impacto, que permanece ecoando muito depois da última página.
Ficha técnica
- Título: Entre Vidas
- Autor: Mario Salerno Junior
- Editora: Ipê das Letras
- Gênero: Romance espírita
- ISBN: 978-65-5239-905-2
- Páginas: 71
- Preço: R$ 40,00 (físico) | R$ 25,00 (digital)
- Onde encontrar: Amazon
Sobre o autor
Mario Salerno Junior nasceu em São Paulo e atua na área de Recursos Humanos, onde encontrou uma de suas vocações: contribuir para o crescimento e o desenvolvimento de pessoas em suas jornadas profissionais e pessoais. Palestrante e escritor, dedica-se a temas ligados ao autoconhecimento, espiritualidade e produtividade. Colunista Oficial e Diretor de Relações Institucionais da aEmpreendedora, traz em suas matérias a visão do empreendedorismo feminino sem perder a sensibilidade que a espiritualidade lhe traz.
Formado em Ciências da Computação, possui MBA em Coach, MBA em Produtividade e Liderança e atualmente cursa Psicologia, aprofundando sua compreensão sobre a mente e o comportamento humano. Frequentador e colaborador de casas espíritas, encontra na espiritualidade uma fonte de força e equilíbrio — valores que se refletem diretamente em sua escrita.
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