Estudos cemiteriais: A beleza e a história preservadas nos cemitérios

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Visita guiada no Cemitério Municipal. Reprodução Gazeta do Povo

Os estudos cemiteriais investigam a cultura material funerária, para que haja uma compreensão das representações individuais e coletivas de uma determinada época.

Você pode até achar que cemitérios são locais mórbidos, mas não pode negar que neles há muita arte e história a céu aberto.

Tanto que existem estudos específicos sobre as diversas manifestações contidas nesses patrimônios culturais.

Os estudos cemiteriais investigam a cultura material funerária, para que haja uma compreensão das representações individuais e coletivas de uma determinada época.

Essas pesquisas abrangem várias possibilidades, como turismo cemiterial, urbanismo, arte tumular, solo cemiterial, epitáfios, etc.

Um dos precursores dos estudos cemiteriais no Brasil foi Clarival do Prado Valladares. Entre 1960 e 1970, dedicou-se a analisar e registrar a arte e a arquitetura dos túmulos por diversas cidades brasileiras.

O resultado de seu trabalho foi publicado no livro “Arte e sociedade nos cemitérios brasileiros”, sendo considerado o estudo mais completo levantamento de arte tumular já realizado.

Fundada em 2004, a ABEC – Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (sociedade científica e sem fins lucrativos) reúne professores, pesquisadores e interessados na preservação cultural dos cemitérios brasileiros, tendo em conta sua relevância artística e histórica no Brasil.

As equipes de pesquisadores da ABEC englobam cemitérios e diferentes manifestações a respeito da morte e morrer no Brasil.

Os encontros são bianuais, e o próximo evento ocorrerá em julho de 2019, em Porto Alegre, no Centro Histórico Cultural Santa Casa de Misericórdia e terá como tema “Os cemitérios: gestão, culturas e religiosidades”.

Patrimônio Cultural

O ser humano ainda é o único animal que tem a necessidade de ocultar seus cadáveres. Há inúmeras práticas, como a cremação, diferentes modalidades de enterramentos e até mesmo o canibalismo.

Os túmulos, que são gavetas de concreto, trazem múltiplas representações ao longo do tempo, o que gera uma diversidade de amostras de diferentes formas de sepultamentos, tornando-se um patrimônio cultural.

Os estudos cemiteriais investigam essa cultura material funerária, para que haja uma compreensão das representações individuais e coletivas de uma determinada época.

A cultura material funerária pode abranger variadas modalidades de enterramento, tipologias dos túmulos, epitáfios, materiais geológicos, esculturas e adornos.

Há inúmeras possibilidades de estudos do tema: formação étnica, genealogia, memória familiar e da comunidade, crenças religiosas, ideologia política, gosto artístico, evolução econômica, perspectiva de vida e posição da população em relação à morte.

Cemitério Municipal de Curitiba

O Cemitério Municipal São Francisco de Paula é o mais antigo de Curitiba. Possui uma extensão de mais de 51 mil metros quadrados, e mais de 70 mil corpos sepultados em seus 164 anos de existência. Nele, estão sepultadas as principais personalidades da história curitibana e paranaense.

Desde 2011 o local oferece mensalmente visitas guiadas, que tem por objetivo mostrar sua história e arte. A visita é coordenada pela pesquisadora cemiterial Clarissa Grassi, da equipe da Casa da Memória.

Na visita, são resgatadas a história, arquitetura, geologia e arte.

Segundo Clarissa, as visitas são uma forma de conhecer o passado de Curitiba de um jeito diferente – do fim para o começo – partindo do local onde personalidades foram sepultadas para explorar suas trajetórias e a forma como foram eternizadas em seus túmulos.

Cemitério Municipal de Curitiba. Reprodução G1 Paraná

Os interessados em participar da visita devem enviar o nome completo e RG para o e-mail visitaguiada@smma.curitiba.pr.gov.br

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