Flores para ela…

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Flores para ela

Recentemente Fábio descobriu um jardim florido, múltiplas cores, que chamou a sua atenção.

Estava exatamente pensando no que dar a ela, o que fazer para chamar a atenção dela, uma linda morena chamada Lourdes.

Cabelos lisos até a cintura, usava sempre soltos, esvoaçando ao menor sinal de brisa no ar, levando seu sorriso melodioso, pelo ar, fazendo cócegas aos ouvidos dele.

Fábio sentia que a cada dia se apaixonava mais, tinha que fazer alguma coisa para se aproximar dela. Mesmo que fosse uma flor roubada de um jardim, onde tinha muitas, o dono não faria questão da falta de uma.

Assim, pensativo, seguiu em direção de seu intento, quando avistou uma senhora simpática a regar com o seu regador de porte pequeno, indo a cada regada, encher novamente para regar mais.

Era uma senhora de meia idade, já por volta de seus 70 anos, risonha e simpática, cumprimentava a todos que ali passavam para admirar as flores.

Ao chegar mais perto, ele parou para fotografar o jardim bem cuidado e com isso chamou a atenção da senhora que chegou mais perto para cumprimenta-lo.

  • Boa tarde, disse ela risonha, com o regador já vazio nas mãos.
  • Boa tarde, respondeu Fábio meio acanhado, e num ímpeto pediu;
  • A senhora se importa se eu roubar uma flor de seu jardim? Perguntou ele já corando até as raízes dos cabelos, ao perceber o sorriso maroto e zombeteiro, da dona que se apresentou como Marlene.
  • Vai presentear a sua namorada? Perguntou Marlene, com olhar brejeiro.
  • Ainda não é minha namorada, mas eu já a quero muito, respondeu Fábio sem pensar, corando novamente. Já começando a se irritar por causa de seu jeito tímido de se portar diante daquela senhora inofensiva e sorridente.
  • Venha, disse ela, entre um pouco e me conte como ela é, de onde se conheceram, enquanto eu sirvo um copo de suco. Estou com sede também, assim você me fará companhia.

Disse Marlene, abrindo seu portãozinho de madeira pintado de branco. A tranca era de ferrolho sem cadeado. Quem quisesse entrava sem pedir, mas ela não ligava. Morava sozinha naquela casa grande demais para uma pessoa só, como ela mesma disse.

Depois que seu querido esposo faleceu, ela não quis desfazer daquele lar que foi um ninho de amor para os dois.

Marlene era uma pessoa pacata, aposentadoria lhe servia muito bem para seus gastos, guardando a sobra que lhe proporcionava uma viagenzinha aqui e acolá.

A vida dela contada por ela era de tirar lágrimas dos olhos, se o ouvinte for uma pessoa romântica ou está vivendo um momento de paixão como ele.

Fábio ficou em silêncio, enquanto ela contava o quanto gostava de ficar ali mesmo, na varanda, onde estavam sentados, em volta da mesinha redonda, feita de madeira de demolição, com uma toalha de renda feita por Marlene, as cadeiras em volta da mesinha tinham almofadas feitas à mão, com rendinhas de crochê em volta, que fazia tudo com muito carinho, tendo cortinas rendadas nas janelas da cozinha, dando um ar romântico em tudo que se via por lá.

Dava gosto, sentir o perfume das flores, que a suave brisa levava até eles, o sol já descia no horizonte trazendo cores inusitadas, refletindo a água recém-regada nas folhas, dando um ar primaveril no ambiente.

Àquela hora, o silêncio reinava, fazendo Fábio buscar de dentro de seu coração, como seria ele na idade de Marlene, com aquela vivacidade e alegria de viver, saudades de seu amado, porém não triste nem melancólica, o que eles haviam vivido eram prato cheio para ela recordar com carinho, tudo que viveram e ela esperava com paciência a sua vez de seguir em frente, tendo a certeza que seu querido esposo a esperava do outro lado para novamente estarem juntos.

Fábio, enquanto ouvia dela essa certeza, tinha urgência de revelar à sua amada Lourdes, o seu sentimento, levantou-se a despedir dela, que já adivinhando o que ia na mente dele, buscava um ramalhete de flores mais lindas e coloridas, arranjando em um celofane, com fitilho rosa.

Ele agradecido, prometeu voltar para conversarem mais, parecia que a amizade nascida a poucos minutos eram já de longa data, trazendo aos dois, uma certeza de já terem se falado em outras paragens.

Despediram-se no portão, com um abraço fraterno, e Fábio se foi com o seu ramalhete, feliz.

Ao chegar em casa, Fábio foi ao banheiro, após deixar o ramalhete com cuidado no aparador da sala, indo tomar banho e se trocar. Tinha uma certeza em seu coração. Hoje, ele se declararia à mulher de sua vida.

Havia descoberto o endereço dela com um amigo que trabalhava na mesma seção que ela. Eles eram colegas de trabalho na empresa de médio porte, onde ele era chefe de segurança, cuidava do patrimônio da empresa com esmero.

Trabalhava lá já faziam mais de 10 anos, conhecia tudo que se relacionava à empresa. Pessoal, departamentos, maquinários, horários, enfim tudo.

Lourdes trabalhava no setor administrativo, ela cuidava de documentos importantes, cadastro de fornecedores e de clientes, ajudava Marcos no setor financeiro. Os dois eram amigos de infância, estudaram juntos na mesma escola, moravam perto um do outro.

Quando Marcos começou a trabalhar na empresa, ela ainda terminava o último ano, pois teve que parar um ano para cuidar de seu pai, doente acamado, não tinha quem ficasse com ele para ela terminar o último ano.

Logo ele veio a falecer, estava muito mal, já na fase terminal de um câncer no esôfago, o que agravou com a tosse contínua que havia acometido o Sr. José, pai dela, que requeria um cuidado muito especial. Lourdes, sofreu muito com tudo isso, pois pobre, sem um convênio médico, não podia interna-lo num hospital melhor, indo sempre no postinho, quando a situação agravava.

Vezes ou outra, ele era internado no Pronto Socorro, porém, sem leito ele ficava no corredor, o que não permitia a companhia de Lourdes que tinha que deixá-lo para cuidar apenas no horário de visita do hospital.

A rotina era essa, até que um dia, ligaram do hospital, enquanto ela arrumava a casa para receber o pai que estaria de alta naquele dia.

Quando a notícia do falecimento chegou até os seus ouvidos, ela caiu ali mesmo, de joelhos, chorou copiosamente. Amava seu pai, queria que ele vivesse para presenciar a sua formatura.

Depois de chorar tudo e mais um pouco, sem amigos, só tendo o Marcos como arrimo nas horas de tristeza, ele procurou o número dele que logo atendeu, ao primeiro toque e deu toda assessoria e assistência necessária a ela e ao pai falecido. Cuidou do velório e do enterro, prestimoso amigo, sem muitos.

Lourdes o tinha como um irmão mais velho, embora a idade seja meses de diferença, entre eles, ele era mais maduro, mais experiente, mais carinhoso como um irmão de verdade.

Depois de tudo arranjado, já em casa, Lourdes começou a chorar novamente, amparada pelo Marcos. Ele fez um chá bem forte, cuidou dela, até adormecer, ficando na sala à espera dela acordar para não deixa-la só naquele momento triste.

Ele havia perdido a Mãe quando pequeno, filho sem pai, a mãe cuidada dele como uma leoa, trazendo tudo que necessitava para a educação dele, não deixando faltar nada. Ele se lembrou da noite de angústia da mãe, pegando-a, a chorar na cozinha, à noite, logo após o enterro dele.

Essa lembrança ele nunca esqueceu, e agora veio à tona, com a perda de Lourdes.

Assim, ele cuidou dela até ela se estabelecer novamente, conversando muito com ela, ajudando-a a arrumar as coisas do pai, para doação, tinha muitas roupas sem uso, que ele guardava quando ganhava no aniversário ou natal. Separou tudo e acompanhou até o asilo para a doação.

Ficaram ali, conversando um pouco com os velhinhos, com as freiras, tomaram um chá com eles, e prometeram retornar para continuar o papo.

Marcos aconselhou a Lourdes a retornar a faculdade e terminar o curso, foi assim que ela fez a rematrícula e voltou para terminar o curso, enquanto fazia estágio na empresa, como auxiliar administrativo.

Hoje, após formada, ela ganhou um departamento para chefiar, cuida dos setores a ela confiados e ainda ajuda Marcos no setor dele.

Lourdes é uma garota quieta, não é de muitos amigos, porém quando travam amizade com ela, descobre-se que é uma pessoa muito querida, prestimosa, inteligente e simpática. Não sorri muito, mas quando abre o sorriso, parece que irradia luz à sua volta.

Fábio, ficava na portaria, todos os dias, só para admirá-la. Marcos notou o seu olhar deitar nela todos os dias, um dia convidou o rapaz para uma geladinha, no fim do expediente, e foram descontraídos para o barzinho próximo dali.

Sentaram-se à uma mesinha, próxima a janela, fizeram seus pedidos, e começaram a falar de trivialidade, logo que a garçonete os serviu e saiu, Marcos abordou o assunto que resoluto, travaria com Fábio, sobre a sua amiga Lourdes.

  • Cara, tenho notado que você fica de olho na Lourdes, qual a sua?

Fábio corou até os fios de seus cabelos, e ficou sem jeito de responder. Achou que Marcos era o namorado dela e queria tomar satisfações, o que ele achou justo.

  • Eu estou caído nela cara, mas se você chegou primeiro, tudo bem.

Ficou olhando os carros que passavam, através da janela, sem jeito mesmo de encarar o seu amigo.

  • Que nada, somos apenas amigos, quase irmãos. Crescemos juntos, estudamos juntos, agora trabalhamos na mesma empresa. Somos muito parecidos um com outro, não daria certo como casais, gosto muito dela sim, mas como amigo. Ela é uma pessoa muito especial.
  • Sei disso, respondeu Fábio, e eu não tenho notado isso? É que a cada dia estou mais apaixonado, mas sou tímido demais. Corou outra vez.
  • Sei que você é boa gente, Fábio. Vou descolar um encontro para vocês dois, a Lourdes não é tímida, mas é de poucas palavras. Não sabe se expor para novas amizades, e namorar então, nem pensar. Ela fica extremamente sem jeito.
  • Vai ter uma festa na casa de minha tia, a minha prima teve um bebe, a família quer apresentar o novo integrante da família aos amigos, pode ser que a Lourdes vá na festa. Você está convidado desde já, falo para a tia que você vai e lá vocês podem conversar. Quem sabe? Só não quero que a magoe e nem force nada se ela não quiser.

Dizendo assim, Marcos se despede, tinha que se encontrar com uma turma de amigos da faculdade que ia dar uma passada lá para dar um “oi”.

Fábio pagou a sua parte da conta e saiu pensativo. Que cara bacana, ele pensou, gostei muito dele complementou seu pensamento, cuidou de Lourdes nas horas que ela mais precisou, amparou e deu conselhos bacanas, conseguiu até uma colocação para ela na empresa, ninguém faria isso por outro, principalmente se esse outro é outra, uma garota linda como a Lourdes. Outra pessoa iria aproveitar da situação, mas ele não, cuidou direitinho mesmo. Um anjo, pensou.

Fábio que nunca perdera alguém tão próximo assim, tem ainda pai e mãe vivinhos, graças a Deus, ele agradeceu muito a Deus por não ter levado nenhum deles. Que eles continuem assim, fortes e com saúde por muito tempo ainda. Assim, foi andando e agradecendo por ser afortunado.

Fábio tem cabelos castanhos, cortados rentes, sua profissão assim exige, usa farda de segurança, também exigência da empresa. Nunca se diminuiu por isso, adorava seu trabalho, trabalha desde os seus 18 anos, hoje com 28 anos, nunca havia namorado. Seu temperamento tímido o impedia de abordar qualquer que seja, garotas para uma intimidade maior que de amigos.

Sempre gentil, educado, conversava muito quando se tratava de orientar pessoas que trabalhavam na empresa, novatos ou visitantes.

No quesito namoro, ele sempre foi zero à esquerda, como se intitulava, sendo muito introvertido nesse setor.

Queria muito ser diferente, mas já estava desistindo de tentar, ficava horas diante do espelho tentando ensaiar um tipo de abordagem, porém desistia logo, ficando bem sem jeito.

Quando naquele dia havia decidido abordá-la e entregar as flores, após o banho e barba feita, ele se vestiu com esmero, era o dia da festa que o Marcos havia convidado e logo ele estaria lá buzinando para apanhá-lo. A Lourdes iria direto no carro dela, pois tinha a incumbência de levar o bolo encomendado na confeitaria e ficava perto de sua casa.

Todos se encontrariam na casa da tia que já esperava com o resto das coisas prontas, o pessoal dela já estavam lá, só esperando o bolo e os três convidados.

Ele entrou no carro com o ramalhete de flores lindas que havia ganhado de Marlene, sendo caçoado pelo Marcos, que brincou:

  • Cara, quer mesmo conquista-la no estilo, hein? Esse é o cara… rindo de soslaio. Fábio já corado, riu sem graça. Não conseguiu emitir nenhum som.

Foram pela avenida, a casa da tia ficava no outro bairro, não tão distante, porém depois da avenida tinha que atravessar a rodovia estadual, alguns quilômetros, levaria meia hora mais ou menos para chegar.

Marcos e Fábio conversaram com as amenidades, para dar força e coragem ao Fábio, contando alguns detalhes da vida de Lourdes para inteirar o amigo das coisas que ela gosta, e assim passaram o tempo do trajeto até chegar na casa.

Ao avistar a casa, Fábio já sabia que era lá, tinha balões azuis e brancos na entrada do portão, pessoas na calçada, chegando para esperar os dois. Lourdes já havia chegado com o bolo e ajudava a arrumar a mesa principal.

Fábio e Lourdes se olharam, cruzaram os olhares enigmáticos, ele já vermelho, sem graça, sem fôlego. Ela quieta, misteriosa, não abaixou o olhar, deixando-o mais sem jeito ainda.

Depois entrou, e ele quase fugiu dali mesmo, sendo segurado pelo braço pelo Marcos, que com um sorriso maroto no rosto deu uma piscada, puxando-o para dentro e apresentando o rapaz à família.

Eram todos muito simpáticos, alegres e pelo jeito, bastante festeiros.

Foi uma noite muito agradável. Todos sorridentes, o bebe não deu trabalho, indo de colo em colo ao ser apresentado, sorrindo sempre com duas covinhas lindas nas bochechas.

Quando chegou a hora de ir, Marcos simplesmente disse, cara não vou poder te levar de volta, surgiu um imprevisto, tenho que ficar até amanhã, para levar a tia que vai fazer um exame e o médico fica no meu bairro. Amanhã bem cedo eu a levo depois sigo para o trabalho.

Fábio disse que tudo bem, pediu para mostrar onde ficava um ponto de ônibus, estava acostumado a utilizar esse meio de transporte, no que prontamente a Lourdes ofereceu carona.

Disse que o levaria, não lhe custaria nada prestar esse favor.

Fábio, já roxo de vergonha, agradeceu e quase recusou, quando Marcos por trás dele disse:

  • Obrigada Lourdinha, sabia que podia contar contigo, só não queria lhe pedir, mas sabia que você ofereceria esse favor. Piscando para o Fábio sem jeito.

Ela sorriu um meio sorriso e pegando sua bolsa, disse ao Fábio qual era o seu carro, seguindo após se despedirem de todos.

  • Vamos? Disse ela, e ele a seguiu ainda sem jeito.

Quando entraram no carro, ela saiu tão suave que ele sentiu gratidão. Ela era na verdade, a sua musa inspiradora, sua amada secreta. Queria se declarar, assim pensando, se lembrou do ramalhete esquecido no carro do amigo.

Ele queria muito retornar para pegar, mas não tinha coragem de pedir.

Lourdes, percebendo o incômodo que ia no semblante dele, parou o carro e perguntou:

  • Fábio, o que o incomoda tanto? Esqueceu alguma coisa lá na casa?
  • .. eu… esqueci uma coisa no carro do Marcos, disse gaguejando, quando com um sorriso aberto ela se voltou e pegou algo no banco detrás.
  • Isso? Perguntou com o ramalhete na mão, quando o Fábio não sabendo onde enfiar sua cara, de tão roxo, ficou sem voz.
  • Obrigada, disse ela, pegando uma flor de dentro do ramalhete, uma rosa vermelha, aspirando seu perfume, minha flor preferida.

Colocou novamente no banco e segurou a mão de Fábio nas suas, trazendo-a aos lábios, beijando-a com um carinho fora do comum. Como se estivesse beijando o rosto do bebe da prima de Marcos.

  • Obrigada mesmo, disse fitando dentro dos olhos do encabulado Fábio, que aos 28 anos, ainda não sabia como abordar essa situação.
  • Ninguém havia me dado um presente tão singelo e lindo, disse.
  • Ele queria abraçá-la, apertá-la dentro de seus braços fortes e nunca mais soltar.

Não sabia como fazer, nunca tinha tido uma aproximação tão grande, como naquele momento.

Então, Lourdes, se achegou mais para perto, encostou sua cabeça nos ombros largos de Fábio e disse:

  • Eu sou muito quieta, sem amigos, vez ou outra, ouço algumas garotas da empresa falarem baixinho, que sou chata, coisa e tal. De repente, sou mesmo, sei lá. Porém, ajo assim porque sou muito só, sou uma pessoa solitária, coração solitário, não vejo graça em ficar tagarelando banalidades como as outras garotas.

Ficou assim, pensativa, com a cabeça ainda nos ombros, e Fábio instintivamente começou a acariciar seus cabelos, passando seu polegar pelo rosto dela.

Sem ninguém perceber, ela ergueu seu rosto e os dois se beijaram. Foi um beijo cálido e silencioso. Bastante cumplice do momento. A noite já ia dentro, a lua brilhava gigante no alto, era noite de lua cheia, naquele local escuro, próximo a uma árvore, só a lua era companheira dos dois.

Ficaram ali, se beijando, já não precisava de palavras para se entenderem.

Os dois estavam ali, tão unidos, sozinhos, só com uma melodia suave que tocava no DVD do carro.

Fábio, com sentido de segurança, foi quem parou primeiro. Não conhecia o local, nem o bairro, delicadamente afastou a cabeça de sua amada e disse, vamos?

Ela, como que saindo de um torpor, fitou-o absorta, fora da realidade, demorando um pouco para perceber onde estava.

Ligou o carro e seguiram para suas casas.

Ela foi direto para a sua casa, pedindo que ele ficasse com ela aquela noite. Ele meio sem graça, mas não querendo quebrar o clima, concordou e desceram para entrar na casa escura.

Acenderam a luz da sala e da varanda, para que ela guardasse o que tinha no carro, fechando tudo para entrar e ajeitar as coisas nos devidos lugares. Lourdes ajeitou as flores num vaso e colocou no centro da mesa, ganhando um local significativo na casa e no seu coração.

Depois disso, ela fez um chá para os dois e saíram para a varanda, admirar a lua que os acompanhara até ali.

Linda e formosa, a lua brilhava cumplice do amor que nascia entre os dois.

Ela contou a sua vida desde a adolescência e a difícil tarefa de cuidar de um doente com tão pouca idade e experiência. Mas fez com amor, pois o seu pai era a pessoa mais importante de sua vida.

Olhou para o Fábio e disse, até agora. Beijou-o na ponta de seu nariz. Silenciando-se.

Foi a vez de Fábio contar a sua vida, normal, como qualquer garoto, ainda tinha pai e mãe, contou um pouco com sentimento de culpa, já que ela não tinha mais ninguém.

Então beijou-a na testa e ficaram um tempo em silêncio, admirando a lua sorrir para os dois.

Entraram, em seguida, lavando as xicaras e deixando para secar. Seguiram para o quarto, ela foi ao banho enquanto ele aguardava, sentado na poltrona, escolhendo um CD para colocar no mini system que estava na cômoda.

Ela veio envolta numa toalha felpuda, cabelos amarrados num coque, deixando-o vermelho.

Ela sorriu do jeito dele, involuntário, natural, quase imaturo, pensando como ele era inocente.

Deu uma toalha a ele para se banhar também, ele ficou sem jeito, pois não esperava por essa situação, então não tinha troca, o que ela adivinhava seu pensamento e sorriu, como a dizer que não precisava.

Ele foi e voltou após um banho confortável, vindo também enrolado na toalha, sem nada por baixo.

Sentou-se na cama, bem sem graça, não sabia como se portar.

Ela teria que ensiná-lo, ele nunca havia estado assim antes.

Ela vestira um lingerie preto transparente, sem a toalha, cabelos soltos, escovados, a sua espera.

Havia aberto uma garrafa de vinho e colocado em duas taças, à espera de Fábio.

Esparramada na cama, ela parecia uma Deusa.

Ao avistá-lo pelo espelho, ela veio até ele, entregando a taça de vinho, num brinde. Depois de saborear o líquido maravilhoso e afrodisíaco, ela retirando as taças, conduziu a situação, trazendo-o para a cama, deitando-o e retirando dele a toalha úmida.

Ele logo entrou debaixo do edredom, para esconder seu pudor.

Ela nada disse, entrando também debaixo, e foi conduzindo as mãos de Fábio pelo seu corpo, logo o seu corpo respondeu dando início ao que ele tanto esperava.

Deste momento em diante, parecia que ele foi acordado de um sono, recordando tudo que se era para fazer, trazendo-a para mais perto, fazendo-a arfar com seus afagos, deslizando suas mãos pelo corpo quente e bronzeado, se deliciando a cada milimetro percorrido pelos seus dedos, parando aqui e ali, trazendo prazer incontido aos dois.

Depois ele deslizou seus lábios fazendo o caminho percorrido pelos dedos, indo até onde seu pudor permitia e voltava, devagar para seu deleite, já não aguentando mais de tanta vontade de se satisfazer.

Lourdes, direcionou para que o Fábio deitasse de costas, fazendo tudo que havia recebido dele, com seus dedos delicados, passando pelos seus pelos do peito, indo mais abaixo, até o local pulsante, retornando para ir com os seus lábios, até não se aguentarem.

Lá fora, a lua ia alto, brilhante, sorridente, cumplice desse ato de amor, quase inocente.

Os dois estavam se conhecendo, recordando tudo não se sabe de onde, mas recordando.

Chegaram juntos ao clímax, gritando ofegante, sôfregos, felizes e satisfeitos.

Deitaram-se lado a lado, sem se olharem, sentindo que se completavam. Cada um tirando a virgindade do outro, naquele momento mágico. Delicioso.

Sabia que daquele momento em diante, eram um só, unidos para o que der e vier.

Felizes, dormiram o sono dos anjos. Sabia que o amanhã vinha com promessas, esperança de uma vida a dois, de felicidade.

Fábio pensava enquanto sonhava, que ele tinha um anjo chamado Marlene e a sua amada Lourdes, tinha o Marcos como anjo da guarda.

Caso eles se casem, os dois seriam os padrinhos únicos.

Dormiu sorrindo, abraçando sua amada. Para acordar na certeza de uma vida feliz.

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