O mito da guerreira – Um rótulo que não faz bem

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O mito da guerreira
O mito da guerreira – Um rótulo que não faz bem

Precisamos desmistificar este rótulo

O mito da guerreira. Você com toda a certeza já foi chamado de guerreira diversas vezes, e pode até ter gostado disso, por achar que estava sendo elogiada.

Particularmente eu também gostava de ser chamada de guerreira, pois achava que isso era bom, significava que eu era muito forte, multitarefas, que dava conta de tudo, da família, marido, filha, trabalho, casa e tudo o mais que faz parte do nosso dia a dia.

Até o dia que teve um insight e percebi que ser guerreira passa a imagem que não precisa de ajuda, e é aí que nossos problemas começam.

Se você supostamente consegue cuidar de tudo, por que os outros irão oferecer ajuda? Não tem porque dividir as tarefas da casa com você, não precisa dividir o cuidado com os filhos, e por aí vai a longa lista do que fez sozinhos.

Mas preciso contar um segredo: você não é guerreira, e sim uma pessoa exausta, sem tempo para si mesma, e pior, uma forte candidata a desenvolver uma doença física ou mental.

Aceite sua vulnerabilidade, você é humana, não um robô realizador de tarefas, peça ajuda, aceite ajuda, delegue, deixe a casa habitável, seus filhos cuidados, mas não se estresse tanto por isso, e principalmente não se cobre tanto.

A queixa mais comum em meus atendimentos é o cansaço, e a falsa percepção de que somos totalmente responsáveis pela felicidade e bem estar de nosso companheiro e filhos.

Essa percepção vem lá de trás, da cultura antiga, onde as mulheres eram apenas responsáveis pelo companheiro, pelos filhos e pela casa, mas hoje sabemos que isso está longe de ser a nossa realidade.

Acredito tanto nisso, que não paramos para pensar que eles são independentes de nós, e que não tem como, em sã consciência, sermos responsáveis por isso.

Veja, pelos filhos é obvio que até uma certa idade, tem responsabilidade, mas que também deve ser dividido com o companheiro.

Agimos como se fôssemos onipotentes, oniscientes e tudo o mais, só porque não aceitamos nossa vulnerabilidade e limitações.

Como você pode ser responsável por tanta coisa? Analise, analise! Ainda mais pela felicidade dos outros, sendo que temos que dar conta da nossa própria felicidade.

Gosto muito de citar as instruções que são dadas no avião:

“Em caso da despressurização da cabine, máscaras de oxigênio cairão automaticamente, puxe uma das máscaras, coloque-a sobre o nariz e boca, e respire normalmente, depois auxilie quem está ao seu lado”.

Esta frase se aplica totalmente em nossa vida, afinal, se você não está viva e respirando, vai ajudar quem? É pesado, eu sei, mas precisamos ser confrontados para entendermos que somos humanos e não heroínas ou guerreiras de ficção.

Entenda que você é falível e precisa ser cuidada como qualquer outra pessoa.

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