Para aprender, precisamos nos emocionar

Para aprender, precisamos nos emocionar

Série – Para Aprender: A aprendizagem pelo olhar dos afetos

Para aprender, precisamos nos emocionar. O envolvimento emocional é essencial para a aprendizagem cerebral, pois as emoções intensificam a atenção e a memória, promovendo uma conexão mais significativa com o conteúdo.

Aprender pelo olhar dos afetos é um enorme passo para construir organizações que sejam mais coerentes com as aspirações humanas e conectadas com as mudanças de mundo.

Quando o que queremos aprender, se conecta com a nossa vida real e com as nossas motivações pessoais há um envolvimento emocional, o que nos ajuda a nos manter interessados e atentos ao processo de aprender.

E quando eu preciso aprender algo que eu não gosto e não tenho nenhum interesse e vontade? Isso já deve ter acontecido inúmeras vezes com você não mesmo?

Normalmente, temos dificuldade de concentração, a memorização fica um tanto quanto limitada e temos uma tendência maior a procrastinar.

Por isso, aprender pelo olhar dos afetos nos abre diversas possibilidades de viver experiências memoráveis.

Vou contar para vocês como podemos juntar emoções com aprendizagem. Mas antes, preciso dizer como essa história começou para mim.

Eu só não me lembro ao certo quando essa minha paixão por aprendizagem começou, eu me arrisco dizer que boa parte vem das experiências que tive com professores, grupos de trabalho e líderes de empresas onde passei.

Uma outra boa parte vem da minha curiosidade pelas pessoas e por tentar entender como os processos e mudanças podem impacta-las.

E neste momento, escrevendo para vocês eu consigo facilmente lembrar de experiências que despertaram minha atenção, trouxeram grandes emoções e aprendizados e hoje meu trabalho é compreender este processo e apoiar as organizações e pessoas em suas jornadas de aprendizagem.

Adoro a frase de Peter Senge no livro – A quinta Disciplina:

“As organizações que realmente terão sucesso no futuro são aquelas que descobrirem como cultivar nas pessoas o comprometimento e a capacidade de aprender em todos os níveis da organização” (1)

Parece até simplista demais, mas será que entendemos a força que essa afirmação tem dentro das nossas organizações?

Construir espaços para que as pessoas tenham oportunidade para viverem experiências de aprendizagem, sempre será um grande investimento.

Vivenciando a realidade da educação corporativa, comecei a me incomodar e questionar uma série de situações.

Para mim, a forma como ocorriam os treinamentos, avaliações de desempenho e Planos de cargos e salários me incomodavam demais, e eu conseguia perceber este mesmo incômodo no meu ambiente.

Dentro dessa realidade, “juntei a fome com a vontade de comer” e comecei a testar novas soluções e fui descobrindo que existe um movimento grande de “inconformados” e “rebeldes” corporativos – no bom sentido das duas palavras- refletindo sobre as relações de trabalho.

Eu tinha encontrado a minha tribo.

E com isso, o título desse artigo faz todo sentido: existem emoções envolvidas. E quando unimos pessoas com os mesmos interesses podemos criar grandes movimentos.

Quanto mais mergulhava no contexto de tentar compreender como as pessoas e organizações aprendiam, mais importância eu conseguia dar ao que as pessoas sentiam.

Desse movimento intencional surgiu uma pergunta: Como podemos desenhar espaços para as pessoas se afetarem e aprenderem?

O meu primeiro passo foi correr para a Andragogia, que estuda a aprendizagem de adultos e lá eu me deparo com o primeiro princípio dessa ciência: A necessidade do saber ou a prontidão para aprender.

E quando se fala em necessidade, em vontade, não tem como fugir da ideia que isso é um estado emocional, um desejo intencional, proposital e que carrega o peso do que é importante para mim.

Para aprender, precisamos nos emocionar
Aprender juntos

O que eu quero aprender? ou o que eu preciso aprender?

E voltando no assunto sobre a minha inquietude enquanto líder, eu me perguntava, porque ainda as soluções de treinamento e outras ações de aprendizagem corporativa não levam em consideração o que as pessoas sentem, pensam e querem dos seus próprios processos de aprendizagem e desenvolvimento?

Como podemos desenhar espaços para aprender?

Se queremos gerar transformação, despertar a atenção, gerar impacto emocional e criar memórias duradouras, podemos iniciar com alguns pontos:

  • O Ponto A, quando pensarmos numa solução de aprendizagem, precisamos investigar se o assunto que será abordado importa para o aprendiz e como podemos conectar o conteúdo a vida real.
  • Ponto B, precisamos empacotar melhor nossas ações de aprendizagem, torna-las atraentes, envolventes, impactantes, para isso podemos usar as técnicas de Design de experiência de aprendizagem.
  • Ponto C, o cérebro é uma máquina genial, ele evita o desperdício, ele só consome oxigênio e sua energia naquilo que nós damos importância, e é o sentimento que sinaliza o que é relevante para o seu cérebro.
  • Ponto D, neste ponto eu cito uma frase de Nira Bessler, uma lifelong learner apaixonada por aprendizagem e ela diz assim:

“…  saber é diferente de sentir. Podemos decorar informações, mas se não houver um vínculo emocional não saberemos o que fazer com elas. É a emoção que guia o julgamento e ação. Ela é absolutamente necessária para a tomada de decisões. Então, para transferir um conhecimento teórico para a prática, também precisamos de emoções.”

Precisamos urgente repensar a forma como aprendemos no ambiente corporativo, se queremos ser mais efetivos em nossas ações de aprendizagem, precisamos ser mais afetivos com a forma como entregamos essas ações.

Referências Bibliográficas ou Notas

 1.SENGE,PETER. A quinta disciplina: A arte a prática da organização que aprende.BestSeller,p.34.

Entre em contato para mais informações pelo Instagram: @talitacpaulino

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