Qual a fórmula para viver melhor?

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Química - Agronegócios

Há controversas sobre qual seria a fórmula para viver melhor em um mundo dinâmico.
Em 1939, o aparente sucesso da síntese do DDT (Dicloro Difenil Tricloroetano) fez surgir à sensação de que uma vida melhor era através da química.

A chamada “Revolução Verde” alavancou com tecnologia de ponta a produção de sementes de alto rendimento, sistemas de irrigação, mecanização, fertilizantes, além de insumos químicos como: herbicidas, fungicidas e pesticidas, a fim de aumentar a produção de alimentos.

E todo mundo desejava a mais bela e moderna química.

Os fazendeiros já não precisavam adubar o solo com esterco ou até mesmo perder tempo com o pousio das terras.

O DDT, usado nos campos de batalha durante a Segunda Guerra Mundial, mostrou-se eficiente em combater o tifo e a malária.

A confiança na química era tanta que crianças eram pulverizadas com DDT, para eliminar pulgas e mosquitos.

O terror de donas de casa estava com os dias contados, uma simples borrifada era capaz de eliminar as mais temidas baratas.

Em nível governamental, pessoas envolvidas em campanhas de controle da malária chegaram ao cúmulo de comer colheradas de DDT para convencer a população de que tal substância era nociva e benéfica.

Acreditava-se que a solução de todos os males estava na aplicação do produto químico e quanto mais química melhor.

A publicidade aumentava dia após dia, alavancando vendas de agroquímicos e o que era para ser perfeito também deu origem ao “Período Negro do Controle de Pragas”.

O uso irracional produz uma série de efeitos como: desequilíbrios ecológicos; desenvolvimento de resistência de insetos e ácaros aos agroquímicos (atualmente são conhecidos aproximadamente mais de 500 insetos pragas resistentes), aparecimento de novas pragas, antes secundárias; ressurgência de pragas; efeitos negativos e prejudiciais ao homem, inimigos naturais, peixes e outros organismos, além de resíduos nos alimentos, água e solo.

Diante desse cenário em 1962, Rachel Carson, em seu livro Primavera Silenciosa, retratou de forma alarmante, os problemas gerados pelo uso indiscriminado e inadequado de produtos químicos na agricultura.

A preocupação com a sustentabilidade fez ressurgir o Controle Biológico, que foi um recurso utilizado pelo homem desde o século III a.C.. É deste período o primeiro relato, de formigas predadoras (Oecophylla smaragdina) para controlar pragas de citros.

Dessa forma, a comunidade científica se mobilizou, dando origem ao Manejo Integrado de Pragas (MIP), que propõe levar em conta, não só os critérios econômicos, como também os aspectos ecológicos e sociais.

O termo refere-se à integração de diferentes ferramentas de controle, como potenciais agentes de controle biológico (predadores, parasitóides e entomopatógenos), extratos de plantas, feromônios, variedades de plantas resistentes a pragas, agroquímicos seletivos e dentre outros métodos.

De lá para cá muita coisa mudou e outras nem tanto.

O uso de produtos químicos ainda continua nas alturas. São utilizados no mundo aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de agroquímicos por ano.

Em território brasileiro esses números podem ser ainda mais alarmantes, já que a atividade agrícola é responsável por quase R$ 100 bilhões em exportações junto com a pecuária.

A extensa área de cultivo agrícola, além de contribuir ao Brasil um lugar de destaque nos valores comerciais do país, também proporcionou a liderança brasileira no ranking de consumo de agrotóxico mundial.

Uma bisbilhotada no Google mostra que nos últimos anos houve um crescimento de 700% no consumo de agroquímicos, enquanto que a área agrícola expandiu somente 78% durante esse mesmo período.

A história do controle biológico no Brasil é algo recente, pois a tradição ensinou de forma errônea, que o controle de pragas deveria ser feito quimicamente.

O impasse também se remete a nossa grande extensão agrícola em monoculturas, o que dificulta a eficiência do controle de pragas e tornando o meio químico mais rentável.

Com o surgimento dos cursos de Pós-Graduação em Entomologia no país, pouco a pouco começou a mudar a mentalidade dos estudos voltados aos insetos, caracterizado pelo espírito aventureiro em “criar” e não matar insetos.

Esse avanço deu origem a criação e a produção massal de inimigos naturais, tornando o controle biológico para a cana de açúcar altamente eficaz e plausível.

As vespas, Trissolcus basalis, Telenomus podisi e Trichogramma spp. são as mais estudadas na cultura da soja e com maior potencial de controle.

Hoje existem várias empresas que comercializam insetos como inimigos naturais. Parece loucura, mas é algo altamente eficaz e com baixo custo ao produtor, quando comparado aos químicos.

As pesquisas científicas nesse meio têm crescido de forma gradativa. A visibilidade de um mundo sustentável e com menos resíduos químicos, tem despertado a atenção de vários profissionais da área.

Através da minha dissertação de mestrado, pudemos estudar melhor o ciclo biológico e o comportamento de Oncideres impluviata, principal praga de acácia negra no Sul do Brasil.

O trabalho permitiu averiguar com auxilio de modelos matemáticos os possíveis surtos de infestação da praga, para assim alertar os produtores com a melhor época de agir e evitar possíveis perdas econômicas.

Qual é mesmo a fórmula para se viver melhor? Penso que seja algo como a junção de várias forças, algo bem multidisciplinar.

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