Sociedade Psicótica. Um discurso para além do religioso

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Sociedade Psicótica - Um discurso para além do religioso

Mais que sinais se depressão, memórias inconscientes de uma sociedade iludida.

Até que pontos os desejos da sociedade psicótica, na sua contemporaneidade, reagem ou confrontam os dogmas religiosos impostos diante a depressão?

Alterações no humor e no apetite, insônia, choro excessivo sem nenhum motivo real aparente, inquietação, automutilação, falta de concentração, pensamentos suicidas, são alguns dos sintomas característicos da depressão, a doença do século.

Estudos apontam que até 2020 a depressão será a doença mais incapacitante do mundo, que fará com que seus portadores apresentem sérias dificuldades em sair da cama para trabalhar e prosseguir em suas atividades habituais.

Estima-se que cerca de 1 a cada 4 indivíduos com depressão, tem conhecimento do transtorno, ou seja, 75% das pessoas com depressão não sabem que estão doentes e como consequência sofrem sem o tratamento adequado.

Nesses indivíduos ocorrem algumas alterações químicas no cérebro. Substâncias como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina responsáveis pela alegria e equilíbrio do humor encontram-se em total desarmonia.

Por isso, indivíduos com depressão se sentem infelizes a maior parte do tempo, com perda de interesse na realização de atividades rotineiras, estado este chamado Anedônia.

Um estudo publicado no periódico Jam Psychiatry em 2013 na Universidade de Colúmbia (EUA), apontou que indivíduos com tendência a desenvolver depressão possuem a espessura do córtex cerebral mais fina.

Descobriu-se também que indivíduos religiosos tendem a possuir um córtex cerebral mais espesso.

Agora só falta descobrir se é a importância da vida religiosa que aumenta a espessura do córtex ou se a espessura da membrana predispõe um indivíduo a dar mais importância a religião.

Duas são as causas principais da depressão:

1. Perdas significativas;
2. Agressividade.

Se no primeiro momento, a doença nos religa a fé, nos afasta de Deus à medida que nutrimos a ideia da vivência errônea, e por este motivo, nos mantemos afastados de Deus como sinal de punição em forma da síndrome.

A segunda causa é a voracidade que se forma ao assumir para si a crença dita anteriormente a partir do dano causado a si mesmo.

Assim, busca-se o compromisso doutrinário racional ligado ao emocional, que seja no mínimo, capaz de prover a completa interação entre seres, da forma mais pura de amor ao próximo. A empatia.

Cria-se um movimento social hipócrita, que diz importar-se ainda que desconheça.

A ausência de empatia diante as singularidades alheias, demonstra quantos seres doentes ainda existem em meio à sociedade psicótica, que projeta no outro, sua própria personalidade.

Inúmeras são as crenças que trazem a observação de um Deus disposto a transformar suas dores em alegrias a partir da desconexão de hábitos mundanos, ignorando que a verdadeira cura se faz da transmutação de percepções singulares.

Logo, não se cura depressão com o afastamento de si mesmo e muito menos transferindo responsabilidades para terceiros. Divindades ou doutrinas.

Nasce nas redes sociais, um movimento de conscientização mendaz, baseado em curtidas de marketing pessoal dissimulado, nutrido de percepções do meio irreal que se apropriam de histórias reais na produção de figuras fakes temerosas.

Estamos vivenciando a era do ”bom-mocismo”, da falsidade, em que mais vale publicar nas redes sociais frases ou textos copiados, escritos por pessoas que nitidamente desconhecem o problema, que estender as mãos em sinal de ajuda.

Pobre sociedade doente, aponta no outro o que reconhece em si mesmo, julga no outro o que esconde de si, repreende no seu semelhante, o que envergonha de si, utiliza de crenças, idolatrias ou do nome de Deus no desejo egoísta de exclusão do seu semelhante.

Mesmo que esta exclusão seja através do suicídio.

Chega-se então a conclusão que o verdadeiro Mal do Século, está longe de ser a depressão, mas sim, o egoísmo, o interesse midiático e o desinteresse no ser humano.

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