Ulisses, o herói grego de Homero – Odisseia

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Odisseia de Homero
Odisseia de Homero

Homero é um (ou vários, conforme algumas teorias) dos mais importantes nomes da literatura ocidental.

Ao lado da obra poética épica de Gilgamesh, Ilíada e Odisseia constituem as primeiras formas de escrita em poesia do Ocidente de que temos notícia até o presente momento, e cujas narrativas de grandes aventuras e heróis persistem famosas até os dias de hoje, recriadas na literatura e também no cinema.

Se analisarmos essas narrativas, verificaremos que eles não são apenas meras aventuras e guerras entre heróis para entreter seu leitor.

Há muito mais nessa jornada com que podemos nos identificar e aprender, não sendo à toa o fato de ter influenciado inúmeras formas narrativas posteriores. É do que trataremos a seguir.

Ulisses (ou Odisseu), após passar 10 anos na Guerra de Troia (narrativa contada em A Ilíada) tenta retornar para sua terra natal, Ítaca, após passar um tempo na Ilha de Calipso.

Porém, em razão da vingança perpetrada por Poisedon, o herói deverá passar por inúmeras provas, adentrar em mundos misteriosos e fantásticos, a fim de poder chegar na sua pólis.

Enquanto isso, seu filho Telêmaco, também foge da cidade em busca de respostas sobre o paradeiro de seu pai, já que sua família vem sofrendo lapidações no seu patrimônio, pela ausência do protagonista.

Um dos maiores ensinamentos em Odisseia é o quanto virtudes como a paciência, a resiliência, escutar aqueles mais sábios e experientes (no caso, os deuses), assim como a astúcia são essenciais para o objetivo que Ulisses se propõe a alcançar.

Dessa forma, toda vez que o nosso herói perde o controle e saqueia cidades, coloca sua ambição em bens materiais ou na acumulação de riquezas, há sempre uma consequência grave que o põe tudo a perder.

Gradativamente Ulisses aprende isso e cada obstáculo enfrentado se torna, para ele, um grande aprendizado, um enriquecimento pessoal.

Muito mais do que simplesmente retornar ao seu lar, ele finalmente abraça sua humanidade, seus defeitos enquanto indivíduo e principalmente a sua mortalidade.

O momento chave em que podemos identificar isso é no Canto XI da obra, quando o protagonista encontra Aquiles no mundo dos mortos, em Hades, e este expressa sua insatisfação com o fato de ele ter morrido tão jovem em guerra, valorizando com nostalgia, por conseguinte, a vida.

Neste contexto, A Guerra de Troia da Ilíada, por mais gloriosa que tenha sido para os Aqueus devido à sua vitória, foi um conflito que exigiu demais de ambos os lados, e foi sobretudo muito brutal, sofrendo com inúmeras perdas durante e mesmo após o final do conflito para todos – e Aquiles foi um deles.

O tradicional herói, na época dos Aqueus e que é desenvolvido na Ilíada, aliada à tão almejada e cobiçada glória, significava morrer jovem fazendo grandes feitos, ser orgulhoso e impetuoso, para ser celebrado postumamente.

Havia, então, um sentimento pela busca da imortalidade, de ser lembrado e cultuado da mesma maneira que os deuses o são, o que aqui, na Odisseia, é uma perspectiva idealista e arrogante completamente desconstruída, em razão do ínfimo estado que Aquiles reconhece na morte em Hades.

Neste sentido, a ideia e o significado do que é ser herói permeia a jornada de Ulisses. Em uma interpretação a nível fundamental, traz o questionamento entre a morte versos vida, e dá outro sentido para o seu retorno à Ítaca.

Em A Ilíada a morte heroica é bela, e é o objetivo durante a vida; já na Odisseia, por sua vez, inexiste qualquer beleza no fato de estar morto, pois estar morto é estar privado de identidade, de personalidade, de possuir e usufruir dos cinco sentidos; é estar em todos os lugares e ao mesmo tempo em lugar nenhum. O que importa é viver uma longa vida.

Importante esclarecer que não se trata de afirmar que a vida ou a morte é uma melhor que a outra.

Na realidade, é a maneira como cada indivíduo, em geral, encara essas duas condições.

Estar vivo para Aquiles foi, uma vez, buscar a morte sendo invencível em vida; enquanto para Ulisses tratava-se de aceitar a fragilidade inerente ao humano e cultuar as virtudes.

Homero com certeza valorizava muito mais esta do que a primeira.

Por conseguinte, há uma linda lição que a Odisseia nos proporciona através de seu autor. Em suma, ser herói significa, dentro do espírito guerreiro de um povo, prezar pela vida e abraçar nossa própria natureza.

1 COMENTÁRIO

  1. Para fugir do monstro de um olho só, Ulisses e sua equipe aproveitam quando ele dorme para machucar o seu único olho, deixando-o cego. Na confusão, conseguem escapar enquanto o monstro grita de dor, furioso, no alto do penhasco. Ulisses, que poderia ter escapado incógnito – afinal, era o que sua equipe pediu para fazer -, não resiste e num arroubo fanfarrão, grita enquanto foge no seu navio:

    ‘Monstro imbecil, foi Ulisses que te castigou. Eu sou Ulisses e fui eu que te deixei cego.’

    Ulisses, não sabia que o deus dos oceanos, Poseidon, é pai do monstro Polifemo, que ao ver seu filho cego castiga Ulisses, perseguindo-o durante 10 anos. Odisseia, imortal clássico da literatura, livro de quase 3000 anos, conta esta história fabulosa.

    A moral é profunda: Ulisses perde o navio, perde sua equipe e precisa escapar de ameaças enquanto leva 10 anos para voltar. Porque foi castigado deste jeito? Polifemo é um monstro de um olho só e estava matando a equipe de Ulisses. A única maneira de escapar era machucando o terrível monstro. Então, porque o castigo?

    A cadeira reservada ao dono do negócio, onde senta o empresário é, e deve ser, um pouco solitária. Desta cadeira que emana autoridade e poder e não pode ser de outro jeito para que as coisas funcionem. Funcionários, clientes, a sociedade, esperam que seu ocupante cumpra suas obrigações, que não são poucas. A pressão pela eficácia é grande. Não há margem para erros. Não dá pra perguntar para funcionário o que fazer para garantir a folha do mês quando o fluxo de caixa diz que as contas não vão fechar. Essa dinâmica impõe a autossuficiência e a autoridade e poder passam a ser exigências: é o que se espera de você, dono do negócio, líder, dirigente.

    O pecado de Ulisses foi a arrogância, a autossuficiência acima do limite. Atitude abominada pelos deuses, que veem nela uma afronta, Ulisses é castigado: perde equipe, navio e leva 10 anos para voltar pra casa.

    Atualizemos a lição: no presente, os riscos da autossuficiência são reais e quebram qualquer tamanho e tipo de empresa. Como aquela onde o dono reina absoluto, contrata pelo custo, não para compensar competências que não tem e que o negócio precisa para crescer. Num ambiente assim, que funcionário se atreve discordar da autoridade?

    Não se trata fazer da empresa fórum de discussões. Espera-se que você sente na cadeira capaz e confiante. Porém, a autoridade que não se deixa contestar, que não vê competências nos outros, que repete o mantra ‘E quì comando io’, esta é castigada pelos deuses.

    Para fugir do castigo, o reconhecimento que contribuições e avisos, também dos funcionários mais humildes, são potenciais e merecem a atenção respeitosa do líder que enxerga suas próprias insuficiências, este reconhecimento é fundamental. A soberania ensimesmada e encastelada na cadeira da autoridade é um exercício de liderança pobre, incompleto e ineficaz.

    Ulisses ensinou a lição: o preço da autossuficiência exagerada é ter que voltar a pé e sozinho pra casa.

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