Volta às aulas presenciais. Saiba sobre esse polêmico assunto

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Volta às aulas
Volta às aulas presenciais. Saiba sobre esse polêmico assunto

Não dá mais para esperar a pandemia acabar para pensar no retorno das aulas presenciais

Volta às aulas presenciais, tem gerado polêmicas, contudo, é fundamental considerar que já temos evidências de que a reabertura gradual e segura pode e deve ocorrer apoiada em planos estruturados de retorno e observando os contextos de transmissão da Covid-19.

É preciso levar em conta que:

  • As escolas são serviços essenciais para a proteção social das comunidades;
  • Vários estudos sugerem que crianças e adolescentes podem ser menos comumente infectados com SARS-CoV-2 do que adultos;
  • De acordo com relevantes estudos científicos foi verificado que a modalidade de ensino presencial nas escolas não foi associada a uma transmissão significativa na comunidade e, a transmissão secundária significativa da infecção por SARS-CoV-2 ocorre, prioritariamente, em ambientes escolares quando as estratégias de proteção e redução dos riscos não são implementadas ou não são seguidas.

Sendo assim, a polarização entre os posicionamentos da abertura sem critério ou do fechamento por completo, compromete, por mais um ano, as funções sociais das escolas na comunidade.

A escola é um importante equipamento que junto à unidade de saúde de cada território, implementa estratégias de mitigação de riscos uma vez que:

  • Promove a segurança alimentar;
  • Previne a violência;
  • Contribui para o resgate do calendário vacinal;
  • Reduz a evasão e o abandono escolar,
  • Potencializa o aprendizado para diferentes setores da sociedade.

Do ponto de vista da constituição de escolas como ambientes seguros, é fundamental que possuam adequada condição de ventilação, estratégias para a higienização contínua das mãos, distanciamento físico, rastreamento de casos e contatos e monitoramento do uso de máscaras nos ambientes.

Os investimentos para a segurança do retorno às aulas presenciais devem ser urgentes e prioritários.

Não podemos mais privar milhares de crianças, jovens e adultos do direito ao pleno desenvolvimento, com acentuação de desigualdades que poderão não ser corrigidas no futuro.

O planejamento da volta às aulas presenciais precisa partir de um diagnóstico local, com preparação dos ambientes e engajamento da comunidade escolar através dos trabalhadores, estudantes, pais e responsáveis.

Dessa forma é possível garantir soluções coletivas que ampliem a defesa do direito à educação.

Atualmente existem escolas que estão em condições de retorno às atividades presenciais. Outras, contudo, necessitarão de maiores investimentos de infraestrutura dentre outros.

No entanto, polarizar em torno de posições como todas abrem ou nenhuma abre é condenar significativo número de crianças, adolescentes, jovens e adultos a um longo período sem o merecido e necessário retorno das aulas presenciais.

Respeitar a especificidade de cada unidade escolar é uma urgência. Considerar a territorialidade é vital para a avaliação das condições de cada contexto local para adequar estratégias e medidas para garantir o direito à educação.

Estratégias de cuidado com o emocional

A volta às aulas presenciais exigirá cuidado com o emocional dos alunos e suas famílias, bem como os professores e todos os demais trabalhadores das escolas.

“Escola não é um edifício, escola são pessoas”. Essa citação do educador português, José Pacheco, nos leva a pensar na importância de focar na saúde emocional de crianças e adultos.

A situação vivida ainda é delicada sob muitos aspectos e, sobretudo, o aspecto emocional. Muitas e diversas foram as perdas.

Não podemos fechar os olhos para isso, não será possível continuar de onde havíamos parado, como se tudo tivesse sido apenas um período de férias prolongado.

Além das questões relativas aos protocolos de higienização e distanciamento é preciso maior atenção aos aspectos emocionais, tanto de professores quanto de alunos.

Essa nova realidade será um grande desafio para todos na escola, portanto é de extrema importância pensar coletivamente além de preparar os gestores e coordenadores a estarem abertos às necessidades dos educadores e dos alunos.

A escola é o lugar do encontro. Portanto será fundamental criar um espaço para diálogo transparente com as famílias e a comunidade para que, juntos, possam pensar sobre esse retorno às aulas presenciais e sobre como viabilizar a prática dos protocolos sanitários de biossegurança.

Discutir, ponderar, acalmar as angústias, alinhar as expectativas e planejar soluções possíveis. Mais do que nunca, num contexto de pandemia, é preciso pensar coletivamente, compartilhar a responsabilidade entre todos os envolvidos.

Será necessário trabalhar com calma, resgatando os aprendizados vividos pelo isolamento físico e priorizar o material humano, para que o retorno das aulas presenciais possa acontecer de maneira natural e satisfatória.

O acolhimento das famílias e suas preocupações precisa ser objeto de trabalho por parte das escolas, que por sua vez, terão que se perguntar sobre a real possibilidade de atender a essa demanda sem sobrecarregar professores e alunos.

Empatia para lidar com a situação de cada aluno

É muito importante ter empatia para lidar com a situação de cada aluno. Muitas famílias perderam parentes e amigos e estão passando por uma fase de luto.

Nesse momento, uma das funções mais importantes que a escola deve desempenhar é ajudar na compreensão de tudo que passou.

A ideia de que a escola é um lugar de encontro onde as crianças convivem, se socializam e aprendem umas com as outras, com os professores e educadores, precisa ser reforçada.

Escola é o lugar do encontro. A experiência da escola é insubstituível.

É na escola que as crianças convivem, se socializam e aprendem umas com as outras, com os professores e educadores. A preocupação das famílias precisa ser entendida dentro do atual contexto que ainda é muito frágil e indefinido.

Os desafios são muitos. Contudo acredito que chegou a hora de reunir todos os atores necessários para não mais adiar o retorno seguro das aulas presenciais.

E para tal, caberá a cada escola investir em soluções que possam atender ao coletivo, garantindo esse retorno de forma saudável, segura e cheia de afeto.

Você que chegou até aqui, no final desse texto, o que pensa sobre a volta às aulas presenciais? Você é mãe? Professora? Proprietária de alguma escola?

Conta para a gente aqui nos comentários o que tem pensado disso tudo e vamos trocando experiências.

Esse texto te ajudou de alguma forma? Se a sua resposta for sim vou te pedir um favor. Deixa seu link e encaminha para alguém que possa se interessar também.

Referências:

  • Ministério da Saúde; Fundação Oswaldo Cruz- FIOCRUZ. Recomendações para o planejamento de retorno às atividades escolares presenciais no contexto da pandemia de Covid-19. Ano 2021 (versão atualizada em 22/02/2021).
  • Ministério da Saúde; Fundação Oswaldo Cruz- FIOCRUZ. Recomendações para o planejamento de retorno às atividades escolares presenciais no contexto da pandemia de Covid-19. Ano 2020 (versão atualizada em 17/12/2020).

Gratidão e amor!

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7 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns minha amiga pelo texto! Prudente e audaciosa no seu posicionamento. Os desafios são muitos, mas precisamos ao menos planejar o caminho que vamos percorrer para recuperar as perdas na educação ocasionadas pela pandemia. Seu texto desperta o debate, ao pé que tambem aumenta o nosso anseio pelo avanço da vacina e a torcida pra que, nem que seja aos poucos, a vida volte ao seu normal. Os desafios da educação eram gigantescos antes da pandemia e nesse período o debate, a troca e a busca por alternativas para a aprendizagem precisam ser intensificadas. Por isso, antes de levantar bandeiras, precisamos levantar debates. Defendo a retomada, mas com diálogo, com regras claras e que garanta igualdade pra quem se sente seguro pro retorno retonar e pra quem não sente, ter condições de aprender de casa. Como está não atende e não dá pra esperar o mundo para pra resolver isso. Afinal, o mundo nunca para. Vamos que vamos. #tamojunto

  2. É possível sim o retorno das atividades tanto escolares quanto todas as atividades que ainda não retornaram. Fazendo levantamento do estado clínico dos alunos, professores e funcionários da educação se há algum tipo de comorbidade. Avaliar caso a caso protegendo e cuidando dessas pessoas até a sua imunização para que também retorne as suas atividades normais com segurança.

    • Marcelo, concordo plenamente com você. Já estamos num momento em que precisamos ligar com tudo, mesmo ainda em pandemia, porque afinal, ainda não podemos ter certeza de quando tudo isso terá chegado ao fim. Para tanto, penso que o compromisso em nos manter saudáveis tem que começar por cada um de nós. O uso de máscara, álcool 70%,distanciamento entre as pessoas, e monitoramento dos infectados e seus contatos será a principal estratégia até que aconteça a vacinação em massa. Gratidão por contribuir aqui nessa discussão!

  3. Gostei Muito da matéria. Acredito que é de suma importância buscar soluções que atendam escolas, alunos e familiares, com cuidados e principalmente com muito amor, para que esse retorno aconteça de forma segura para todos.

    • Oi, Célia! Você disse uma coisa que precisamos falar mais: amor. Se não levarmos em conta que pontos de vista extremistas só dificultam, dificilmente vamos avançar para uma solução possível e com menos danos para todos os envolvidos.

  4. Marielly, que bom saber o que pensa sobre o assunto, sendo mãe. Eu também sou mãe de crianças em idade escolar e profissional de saúde. E continuo a defender que a educação precisa ter o seu lugar de atividade essencial resguardado. Sendo portanto necessário que ampliemos essa discussão e que todos os autores envolvidos selem compromissos a serem cumpridos.

  5. Excelente conteúdo sobre o retorno às aulas. Parabéns, Renata!
    Essa angústia aflige os pais, alunos e professores. O fato é que, de acordo com vários estudos, precisamos pensar nessa retomada. Ela precisa acontecer de forma segura e, de fato, com amor. São tempos difíceis que exigem um olhar carinhosos em muitos aspectos. Sou mãe e sou a favor do retorno consciente. A educação não pode parar.

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