Coabusadores em um relacionamento abusivo

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Coabusadores
Coabusadores em um relacionamento abusivo

Conheça os coabusadores em um relacionamento abusivo

Coabusadores são aqueles que ajudam, ativa ou passivamente e, de forma consciente ou não, o abusador a praticar atos danosos contra a vítima.

Pode ser qualquer pessoa, inclusive você!

Coabusadores muito embora não exerçam a violência emocional, física, patrimonial ou sexual, podem contribuir consideravelmente para o agravamento da condição, em especial, psicológica da vítima.

Regra geral, os familiares e amigos mais próximos do abusador sabem que suas atitudes são abusivas e violentas.

Talvez, os familiares e amigos desconheçam a denominação do personagem abusador e da dessa relação, isto é, de que se trata de um relacionamento abusivo, contudo têm pleno conhecimento de que o seu ente e amigo mais próximo pratica violência física, psicológica, sexual e/ou patrimonial contra determinada pessoa, a vítima.

E essas percepções devem ser suficientes para que os familiares e amigos não sejam cúmplices ou coniventes com o abusador.

Os familiares e amigos (coabusadores), ao invés de confrontarem o abusador acerca de suas atitudes malignas, especialmente quando são procurados pelo abusador para justificá-las, bem como para denegrir a imagem da vítima e clamar ou impor o afastamento dela, se silenciam e fecham os olhos.

E não para por aí.

Há familiares e amigos que além de, defenderem o abusador, corroboram com a violência praticada, o ajudando, de forma ativa, contra a vítima.

Como isso é possível?

Quem conhece um pouco sobre relacionamento abusivo sabe que a culpa é um dos elementos mais nocivos que o abusador coloca sobre a vítima.

A culpa é o lugar mais obscuro que o abusador inseri a vítima e que a leva a quase que uma insanidade.

O abusador não deixa essa culpa apenas entre ele e a vítima. Ele precisa que todos ao seu redor conheçam a “verdade” sobre a vítima, tais como: ela me traiu; ela me enganou; ela é louca; ela é falsa; ela é ciumenta; ela é mentirosa; ela é aproveitadora; ela é histérica; ela é controladora, dentre outras.

Esses coabusadores ativos acabam não só disseminando essa “verdade”, ocasionando uma expansão do cenário destruidor para a vítima, como, também, se afastam dela, demonstrando total concordância e repulsa aos contos do abusador.

O que era um lugar obscuro se transforma em um lago de fogo e enxofre para a vítima.

Como se pode notar, apesar de ser o abusador quem pratica a violência, os coabusadores ativos conscientes, contribuem, de forma secundária, em desfavor da vítima, apoiando o abusador, propagando as maledicências contadas pelo abusador e cortando repentinamente a relação que mantinham com ela.

Sentiu-se aliviado por nunca ter agido como coabusador?

Não fique ainda!

Existem, ainda, as figuras dos coabusadores passivos e, é muito provável que um dia, infelizmente, já tenha atuado como tal.

Sim, é verdade.

Confesso que eu já atuei, inconscientemente, como coabusadora e lamento por isso.

Conhece a frase: “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”?

Pois é. Essa frase demonstra facilmente quem são os coabusadores que atuam de forma inconsciente.

São aqueles que fecham os olhos; que se calam mesmo diante da violência que sabem que existe.

Lembra daquela sua vizinha que é agredida pelo parceiro?

Se você foi indiferente, se mantendo em silêncio diante de tais fatos, sinto muito, sua atuação foi de um coabusador, mesmo que inconscientemente.

E você pode estar se perguntando: “e o que eu deveria fazer, bater na porta da minha vizinha?”

Obviamente não!

Neste caso, há duas opções que podem ser tomadas, inclusive de forma anônima, ligue para:

  • 190 – quando a violência está acontecendo – flagrante;
  • 180 – quando a violência acontece.

Há, também, os coabusadores inconscientes que desconfiam que seu amigo ou familiar age fora da normalidade com sua parceira, entretanto vedam os olhos para tal suspeita, se afastam da vítima e até espalham as maledicências contra ela criadas pelo abusador.

Fácil concluir que todos nós podemos ter agido como coabusador em um relacionamento abusivo em algum momento de nossas vidas.

Se queremos um mundo melhor, devemos começar pelos nossos, aqueles que estão mais perto e acessíveis, como é o caso.

Como? Sugiro que:

  • Se há intimidade com o abusador, o confronte, o questione, impugne suas atitudes, se possível;
  • Não seja indiferente;
  • Ouça a vítima;
  • Jamais seja parcial sem ouvir ambos os lados;
  • Nunca exponha a vítima;
  • Não propague os contos do abusador acerca da vítima;
  • Desconfie daquela pessoa que:
        • Justifica seus maus atos;
        • Culpabiliza o outro em excesso;
        • Não se responsabiliza pelos seus atos;
        • Denigre a imagem do outro;
        • Tenta convencê-lo ou exigir que se afaste da outra pessoa;
        • Expõe ódio e aversão aos atos supostamente praticados pelo outro.
    • Não se afaste da vítima;
    • Diga a verdade para a vítima;
    • Denuncie a violência;
    • Seja solidário à vítima;
    • Auxilie a vítima a procurar ajuda profissional, como advogado e psicólogo.

    Com apenas uma ou algumas dessas atitudes você pode mudar vidas.

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