A mulher como consumidora e trabalhadora do mercado de joias finas.

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Muito temos falado de empoderamento feminino. Temos visto mulheres no poder, mulheres  empreendendo, e temos dois dias só para nós, o Dia Internacional da Mulher e também o Dia Nacional da Mulher, em 30 de Abril. Temos lutado muito por nossos direitos trabalhistas, políticos e sociais.

Muitas mulheres são empregadas no mercado de joias, e a maioria delas estão no balcão de vendas das joalherias e atrás dos telefones comerciais das indústrias joalheiras, como secretárias, atendentes e auxiliares administrativos.

Há poucas mulheres trabalhando nos setores de design, desenvolvimento de produtos, produção ou em posições estratégicas das indústrias produtoras de joias finas ou joalherias.

Quero trazer o foco exclusivamente para joias em ouro com diamantes e gemas naturais.

O desenvolvimento de joias finas é mais complexo porque é um produto que carrega metais e gemas preciosas, com um preço mais alto para ser adquirido, e dependendo dos detalhes dessa joia, podemos considera-la um produto de luxo.

Para ilustrar melhor, a diferença entre os materiais utilizados na produção das joias e das semijoias, fazem com que seus desenvolvimentos, processos de produção, marketing e mercados atuem de forma diferente.

Eu posso comprar uma semijoia sem me preocupar se a moda vai mudar daqui a alguns meses, e a peça cair em desuso. O preço investido não foi alto. Mas, já não posso agir da mesma maneira na compra de uma joia. Exatamente pela questão do preço, a joia não pode se tornar obsoleta.

Então, temos um mercado de joias finas, que vende seus produtos quase que exclusivamente para mulheres e é predominantemente comandado por homens. São eles quem criam, desenvolvem e trabalham no marketing das peças.

Será que a indústria de joias e joalherias realmente sabem o que as mulheres querem?

As diferenças entre o homem e a mulher na criação de joias

Os homens têm uma série de qualidades e as mulheres também, por isto, não estou diminuindo a importância do homem, mas a mulher tem peculiaridades que o homem não tem habilidade em usar.

Nós, as mulheres, conseguimos captar sutilezas e detalhes com facilidade, vemos o macro, as menores coisas não passam despercebidas por nós. Somos intuitivas, trabalhamos com a razão e também com a emoção.

Quando criamos uma joia, vamos além da questão estética, lógica e financeira, pensando também em representação, emoção, sentimento, significado e valor, e dessa forma, damos alma para a joia. É uma observação detalhista, racional e emocional.

Em contrapartida, a maioria masculina é racional, tem uma visão mais ampla e tem experiência em fazer observações detalhistas ligadas a lógica, como por exemplo, na criação de uma joia, ele irá observar a questão estética e o valor financeiro que irá retornar para a indústria ou loja após a venda.

O mercado de joias finas mudou

A venda de joias em ouro e diamantes está diminuindo e ficando para uma parcela de 3,6% de brasileiros da classe A e 15% da classe B, totalizando 18,6% do total de brasileiros. (Estadão, 2016)

Ainda temos que observar que as classes A e B estão trocando as joias em ouro e diamantes por semijoias. (Driely, 2016, Como anda o mercado de joias e semijoias no Brasil?)

E também temos a questão cultural da joia, que mudou com o passar dos anos. A mulher de hoje quer comprar joias que tem a ver com quem ela é, joias que carregam um significado e ligação com seus sentimentos, emoções e desejos.

Por isso pergunto: Como uma grande parcela de homens, que dizem que não há maneiras de entender a mulher, vão conseguir criar uma joia que condiz com essas sutilezas femininas?

Os homens não estão conseguindo captar essas sutilezas e dessa forma, não conseguem criar joias e marketing que capturem o desejo feminino.

Não estão conseguindo trazer valor para um item de preço elevado, que pode somar em cinco dígitos ou mais, mas, outros bens de luxo que não são eternos como as joias, se equiparam ao preço, e são desejados e adquiridos pelo mesmo público que compraria essa joia.

(O complemento desta matéria “Três pontos que transformaram o atual mercado de joias finas”, foi melhorado e transferido para uma nova matéria. Veja em Mercado de Joias: Três pontos que diminuíram a compra de joias finas.)

A necessidade do posicionamento da mulher e da indústria de joias.

Há algumas semanas tenho acompanhado o trabalho da Associação Mujeres Brillantes que têm como missão, ajudar mulheres que estão nas indústrias de joias e relógios a avançarem e se desenvolverem profissionalmente através de uma rede de relacionamentos, educação e desenvolvimento de liderança.  Como presidente desta associação temos uma mulher. Me orgulho em escrever isso! Ali Pastorini é a presidente da Mujeres Brillantes e também é vice-presidente do World Jewelry Hub, e a sua opinião respalda a minha.

Ali, apoia o empoderamento feminino no mercado joalheiro. Na Semana Latino Americana de Diamante e Joalheria, Ali explicou que:

As consumidoras devem considerar uma joia fina como uma expressão de valor, criatividade e exclusividade, mas elas têm sido mais inspiradas para a compra de um Iphone ou de sapatos de grife. Isso mostra para a indústria de joias, que deveriam estar fazendo um trabalho melhor. O sentimento que temos é que a indústria está se focando demais na venda das joias, e não na experiência de comprar ou receber uma joia. Como mulheres, nós instintivamente compreendemos que esse deveria ser um momento especial e intimo que transcende a mecânica de uma negociação comercial. A experiência deveria ser única e significativa, assim como a joia. (Pastorini, 2016, World Jewelry Hub)

Citando outra palavra inspiradora de Ali sobre o mercado de joias, ela direciona para que nós mulheres não fiquemos na zona de conforto como joalheiras, que devemos ser mais ativas, questionando e mostrando o próprio valor para a indústria, mas tudo isso, de maneira sábia, se preparando para reivindicar o posto desejado. (Pastorini, 2016, Movimento Mulher 360)

Não queremos favores ou cortesias. Queremos as mesmas oportunidades, e que mereça quem estiver melhor preparado, naquele determinado momento, para assumir um cargo de destaque, seja homem ou mulher. (Pastorini, 2016, Movimento Mulher 360)

Perante esta situação, representando outras mulheres do setor joalheiro, a mim, como designer de joias, e também como consumidoras finais, deixando a mensagem para a indústria de joias e para a joalheria:

Você não está conseguindo atender seu principal público, que são as mulheres.
Portanto, nossa sugestão, é para que você invista, valorize e coloque MULHERES para trabalhar em seus setores de pesquisa de mercado, desenvolvimento de produto, criação, acabamento, marketing e em outros cargos estratégicos dentro de suas empresas.
Coloque mulheres fazendo para mulheres, criando joias com encanto e trazendo encanto para o momento da compra da joia. E é essencial que você escolha mulheres que amam o que fazem..

Considere e reflita

Os homens têm suas virtudes e as mulheres, as delas. Essas virtudes dentro de uma corporação devem se complementar e unir, e não se sobrepor uma à outra.

O todo é maior que a soma das partes. (Gestalt, XX, Wikipédia)

A mensagem para a mulher do ramo joalheiro

A mensagem para que nós mulheres não fiquemos na zona de conforto, na verdade vale para todos os setores de trabalho.

O sucesso está em focarmos nossas forças e ações nas soluções e não nos problemas. Não podemos somente reclamar, criticar, nos manter em uma posição de vítima, de conforto e conformismo.

Devemos ir para a ação, primeiro nos posicionando e nos munindo de informação, autodesenvolvimento, aprendendo a negociar e a se comunicar da maneira correta, para levantarmos as nossas vozes, e então conquistarmos e mantermos os cargos que almejamos, com maestria.

Sucesso em sua jornada!

(Esta matéria foi editada e dividida para melhor compreensão e explicação dos temas envolvidos em 12/03/2018)

Outras Fontes: estudo e observação pessoal do mercado de joias

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