Quando coragem, visão e atitude salvam um grupo em momentos de crise
Uma questão de liderança – fragilidade da delegação do poder pode comprometer decisões críticas em momentos de crise, exigindo líderes preparados, atentos e capazes de agir com rapidez e sabedoria.
Recentemente vivemos um episódio muito emblemático na nossa chácara.
Temos uma área de terra que faz divisa com uma represa, onde nossas galinhas vivem soltas e felizes, bem alimentadas e com amplo espaço.
Entre elas, há uma que sempre voa por sobre a cerca e vem passear em uma área que não é destinada a elas.
Num sábado pela manhã, quando desci para soltar meu cachorro, deixei a porta aberta e, depois de algum tempo, quando voltei, quem estava dentro de casa, sentada numa gamela de madeira que tenho em um aparador? A própria: a Fujona.
Chamei meu marido e disse a ele: “A tua protegida, a Fujona, está passando dos limites. Logo vai querer dormir na cama. Leve-a para o lugar onde deve ficar”. E até tirei uma foto.
Meu marido desceu com a galinha e percebeu que havia algo estranho acontecendo: não conseguia localizar nenhuma das galinhas — eram 25 no total, além de 3 galos —, nem as 6 galinhas-d’angola.
Começamos a procurar e fomos encontrando penas, galinhas sem cabeça, degoladas, e 3 galinhas-d’angola na árvore.
A busca continuou, e a corajosa que havia voado foi trazida para um lugar seguro. Não ouvimos as demais galinhas e seguimos procurando, com a esperança de encontrá-las na represa ou na área próxima.
Depois de algum tempo, as galinhas-d’angola voltaram, mas não havia nem sombra das galinhas felizes.
No dia seguinte, começamos a ouvir um cacarejar próximo à nossa garagem, e quem comandava o grupo era a Fujona — a mesma que havia estado dentro de casa e que conhecia muito bem o terreno.
Nos dias seguintes, houve mais alguns ataques e, até o momento, não sabemos se foram jaguatiricas ou gatos-do-mato que atacaram nossas galinhas — e creio que será difícil descobrir.
De todo o grupo, restaram 8 galinhas, nenhum galo e todas as angolas, que, para sorte delas, dormem nas árvores.
Após esse episódio, comecei a refletir sobre a importância da liderança em qualquer grupo.
Sempre que possível, precisamos conhecer o terreno, o espaço no qual vivemos ou trabalhamos, para que, em caso de imprevistos, possamos buscar novos caminhos.
Ficou claro para nós que as sobreviventes seguiram a Fujona — aquela que voou para um novo espaço, por ela já conhecido, e que ultrapassou os limites do que lhe era destinado.
E aí surgiu um questionamento sobre liderança, conhecimento, limites e empreendimentos.
Muitas vezes, quando empreendemos, sofremos golpes dolorosos e, se não tivermos uma liderança no grupo, tudo fica muito difícil — o nosso empreendimento não sobrevive.
É necessário que, em nossos grupos, tenhamos líderes que busquem caminhos alternativos e possíveis para resolver problemas e enfrentar as ameaças que surgirem ao longo do trajeto.
Sempre há, nos grupos, pessoas que buscam conhecer mais, estudam possibilidades e trazem novas ideias — e nem sempre têm espaço para se manifestar, seja por medo, seja por achar que irão fazer sombra aos que dirigem, ou até por não poder usar a palavra e expor suas ideias.
Desde que a sociedade existe — e que os grupos constituem núcleos ou nações — há estudos sobre quais requisitos são necessários para uma boa liderança.
Fui buscar em Platão, um dos meus filósofos favoritos, como ele entendia liderança. Para ele, trata-se de uma responsabilidade ética, baseada no autoconhecimento, na sabedoria técnica e no serviço à comunidade.
Em sua obra A República, ele afirma que a liderança deve ser exercida por quem possui sabedoria, conhecimento da verdade e virtude. E nós, muitas vezes, esquecemos desses princípios em nossas organizações e grupos, e não temos líderes como a Fujona — que salvou todas as que a seguiram.
Que possamos aprender sempre com aqueles que nos rodeiam, com os quais vivemos — sejam eles pessoas ou galinhas felizes — e liderar, sempre que possível, sem causar dano.
FAQ – Perguntas Frequentes
- O que caracteriza um verdadeiro líder em situações de crise?
Um verdadeiro líder demonstra visão, coragem, tomada de decisão rápida e capacidade de guiar o grupo para caminhos seguros. - Qual a principal lição da história da “Fujona”?
Que conhecer o ambiente e explorar novas possibilidades pode salvar um grupo diante de ameaças inesperadas. - Liderança é algo nato ou pode ser desenvolvido?
Pode ser desenvolvido com estudo, prática, autoconhecimento e experiência. - Por que muitas pessoas com potencial de liderança não se manifestam?
Por medo, insegurança, ambiente hierárquico rígido ou falta de espaço para expressão. - Qual o risco de não haver liderança em um grupo?
Desorganização, perda de direção e maior vulnerabilidade diante de crises. - Como a liderança impacta o sucesso de um empreendimento?
Ela orienta decisões estratégicas, motiva equipes e garante adaptação diante de desafios. - O que Platão dizia sobre liderança?
Que deve ser exercida por quem possui sabedoria, conhecimento da verdade e virtude ética. - Qual a relação entre liderança e conhecimento do ambiente?
Quanto mais o líder conhece o cenário, melhores são suas decisões em situações adversas. - É possível existir mais de um líder em um grupo?
Sim, desde que haja colaboração, respeito e alinhamento de objetivos. - Como estimular lideranças dentro de uma equipe?
Criando um ambiente seguro para ideias, incentivando aprendizado e valorizando iniciativas.