Como sair de um relacionamento abusivo?

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relacionamento abusivo
Como sair de um relacionamento abusivo

Entenda como entrou e como sair desta situação

Como sair de um relacionamento abusivo após tanto sofrimento, crises, até mesmo existenciais, acreditando ser você a pior espécie humana de todo o universo e depois perceber que, na verdade, é vítima desta situação é a maior dúvida desesperadora.

Agora seu anseio é saber: como sair de um relacionamento abusivo?

Se esta for a primeira matéria de minha autoria que esteja lendo sobre relacionamento abusivo, é preciso que saiba que este artigo pertence à uma série que versam sobre Relacionamentos Abusivos.

Logo, proponho que leia, também, os artigos anteriores. São eles:

Antes de tudo, é indispensável compreender o seguinte: não há mudança externa sem que antes ela ocorra internamente.

E por qual razão escrevo isso?

Simples: para que saiba como sair de um relacionamento abusivo, é indispensável obter o conhecimento do porquê entrou nele.

Ou seja, há que se obter a consciência do seu “eu”, em primeiro lugar, capaz de permitir que saia forte e convicta do que é o correto a se fazer e, por outro lado, não “caia” em novas armadilhas semelhantes.

Nosso objetivo com este artigo é justamente poder ajudá-la a entender o seu “eu” abusado, em especial por quais razões é tão difícil sair desse relacionamento abusivo e, como fazer para sair dele.

Espero, de coração, que eu possa ajudar você nesta caminhada rumo à liberdade.

Se, eventualmente, se tratar de uma pessoa abusadora, não deixe de ler este artigo.

Talvez, consiga entender um pouco melhor o sofrimento da pessoa que é vítima de seu abuso, permitindo que haja um anseio interno em executar uma mudança positiva, claro!

Aliás, vale ressaltar que essa vontade de mudar deve existir em todos os figurantes nesta relação abusiva (abusada e abusador).

E quem é a pessoa abusada?

É aquela que, não raras as vezes, sem perceber, sofre abuso emocional, físico, financeiro, dentre outros e, mesmo sendo vítima, se sente a culpada pelo mal que o outro pratica contra ela e não tem forças para sair dessa cela sem cadeado.

Sem falar que a pessoa abusada é muito especial.

E não por supostamente ser empata ou amar demais, mas por ter muitos valores.

Sim. Muito embora não creia neste momento, acredite: Você é muito especial.

E você pode estar concluindo: de fato, eu amo demais e isso é uma grande qualidade!

Atenção: embora o amar demais pareça um tanto quanto agradável aos nossos olhos, todos os sentimentos, quaisquer se sejam eles, se estiver em alto grau, deixa de ser saudável.

A pessoa que ama demais, regra geral, igualmente ao abusador, vem de um lar disfuncional e carrega traumas, muitas vezes, ocultos e silenciosos.

E de onde vêm esses traumas?

Bem provável do passado, normalmente, da infância.

Infância
Infância

É na nossa infância que aprendemos padrões de comportamentos que poderão ser repetidos por nós, mais tarde, quando nos tornamos adultos, seja de forma passiva ou ativa.

A criança que vive num lar disfuncional, ou seja, num lugar em que há adultos cuidadores que praticam desamor, insensibilidade, depreciação, violência, humilhações, desprezo, dependência, abuso de substâncias, dentre outros, para com ela e/ou outros da família, por óbvio passam por dores e medos constantes que começam a fazer parte integrante do seu ser.

Medo do desprezo, da desvalorização, da violência física, da violência verbal, da solidão, do abandono, da indiferença, dentre outros.

Essa criança aprende tais padrões disfuncionais de comportamentos.

E aqui há, ao meu ver, a grande diferença entre a pessoa abusada e a abusadora.

A pessoa abusadora na sua infância, como forma de sobrevivência, cria um papel capaz de lhe proteger, isto é, ela desenvolve proteção emocional, seja replicando ou intensificando os mesmos atos que foram praticados pelo seu cuidador contra ela.

A criança abusada que se tornou abusadora quando adulta, acredita que todos os que o amam farão o mesmo que aquele cuidador que a machucava quando criança e, “por precaução”, como forma de impedir que venha a sofrer como ocorria em sua infância, age como tal para com aquele que “ama”.

Em suma: a pessoa abusadora acaba agindo contra aqueles que ela diz que me ama de forma semelhante ou idêntica ao do seu cuidador quando na sua infância, tudo com objetivo de não sentir toda dor novamente.

Mas, claro, a dor, o sofrimento estão lá.

E o que isso tem a ver comigo? Você pode estar se perguntando.

Tudo, tudo tem a ver contigo.

Essa “criança” que aprendeu padrões disfuncionais de comportamento e os reproduz na fase adulta, tornando-se abusadora, muitas vezes, inconscientemente, acaba se envolvendo com pessoa que, igualmente, nasceu numa família disfuncional, porém com dinâmica diversa da dela – é como um imã.

E esse alguém é justamente você: a abusada.

Igualmente, como dito acima, a pessoa abusada é aquela que, quando criança, ao necessitar sobreviver a esse lar disfuncional, a um cuidador abusivo, acabara criando um papel onde se “sentia” protegida, em especial obtendo o entendimento de que o abuso é normal ou é aceitável tais práticas.

Essa criança que se tornou abusada, diversamente da pessoa abusadora, criou em seu interior o aceite como forma de sobrevivência e está aí a razão de amar demais; de se submeter a “tudo” por amor.

Além da subserviência e o aceite à prática do mal em seu desfavor em nome do amor, outro grande problema da criança é acreditar que o lar disfuncional se deu por culpa dela

E, obviamente, a criança não tem nenhuma responsabilidade pelos atos praticados por seus cuidadores, porém, infelizmente, essa é uma carga por ela carregada.

Como essa criança, não conseguiu corrigir os problemas no seu lar; quando ela se torna adulta, acredita que, desta feita, será diferente.

Quando essa “criança” que aceita o mal em nome do amor se torna adulta, involuntariamente, crê que “agora” será diferente; desta feita, ela transformará o mal, por meio do seu amor incondicional, no bem.

Dou como exemplo uma pessoa que não aprendeu a amar de forma saudável e que vem de um lar em que seu pai era alcoólatra.

Essa criança quando se torna adulta acaba se envolvendo com um alcoólatra, tal como era seu pai, na esperança de, desta vez, em nome do amor, salvar seu parceiro e alcançar o que fora incapaz de fazê-lo na sua infância.

Ela não percebe que, não conseguirá salvar outrem, senão a si mesma.

Se está se reconhecendo um pouco, não pare.

Explore o seu “eu” e opte: (i) satisfazer o seu vício em amar demais e continuar no ciclo do sofrimento; ou (ii) se amar o bastante a tal ponto de escolher o não àquilo que lhe é nocivo.

Note que nenhuma dessas decisões guarda relação com a pessoa abusadora, mas somente a você; unicamente.

Entenda por quais razões você entrou num relacionamento onde você:
  • Tem muito a dar, enquanto o outro não tem nada para dar;
  • Não requer nada, enquanto o outro quer tudo.

Neste momento, lembro de uma frase de uma amiga, a quem passei a admirar que diz: “formiga atrai formiga”.

O que quero que compreenda é que enquanto você não mudar a sua chave interna: se amando, em primeiro lugar; sabendo quem você é; retendo em si que o amor requer respeito e reciprocidade; crendo que nenhum ato praticado por terceiro é de sua responsabilidade; identificando que ninguém salva outrem, a tendência é sempre se relacionar com pessoas que não são saudáveis.

Continuará sendo a tampa da panela de um abusador.

A decisão é unilateral e você precisa decidir ser livre de todo o sofrimento.

E não culpe o seu passado; faça as pazes com ele!

Obter a consciência de que as suas feridas apenas a ajudaram a ser maior e mais especial é uma tarefa muito importante nesta caminhada do crescimento.

Amor recíproco
Amor recíproco Imagem de S. Hermann & F. Richter por Pixabay

Lembre-se: não há amor verdadeiro quando nesta relação não existe o viés do amor próprio, bem como o respeito e à reciprocidade.

Não permita que suas feridas, dores e traumas as façam mantê-la nesse cárcere de sofrimento, com altos e baixos, tristezas e euforias, ousadia e medo, minuto a minuto.

Viver nessa cela, em algum momento, quando não tiver mais vigor, poderá levá-la à morte, em especial, da sua alma.

Siga em frente com sorriso no rosto e encontre a porta da liberdade.

Não aceite nada menos do que ser amada verdadeiramente por você e por alguém que, a amando, lhe dará respeito e mutualidade, de maneira proporcional e saudável.

Você merece!

Conte para mim se este artigo te ajudou a continuar na sua caminhada em direção à porta da sua liberdade.

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